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quarta-feira, junho 25, 2003

Filhos da mesma mãe – uma viagem ao mundo de Ali Farka Touré I.

Os três posts que se seguem nasceram do fascínio do Ponto pela vida e obra de Ali Farka Touré, um génio maior da música do Mali e um sobrevivente, e foram baseados num documentário do canal francês ARTE transmitido ontem na TV2, ao final da tarde.

Ali Farka Touré nasceu Ali Touré, no Mali, perto do início dos anos 40, mas a longevidade – é o único homem sobrevivente de uma ninhada de 10 irmãos – acrescentou o “Farka” ao nome de baptismo. “Farka” que, num dos 4 dialectos que Ali domina com fluência, significa “burro” – lembremo-nos então da longevidade extraordinário de tão menosprezado animal. Decicido a contrariar a associação semiótica mais comum do fiel amigo de quem no campo labuta, este Touré inscreveu o Mali no mapa da cultura musical mundial.

Descoberto por Ry Cooder, o génio por detrás de fenómenos como “Paris, Texas” (será possível imaginarmos a obra-prima de Wenders sem os sons desérticos e desertificantes de Cooder) e “Buena Vista Social Club”, Ali Farka Touré rompeu as fronteiras do seu Mali natal com “Talking Timbuktu”. Nesta parceria com o músico americano, Touré domestica os seus “blues” profundamente rurais e constrói um conjunto de canções que parecem agradar a milhões de melómanos em todo o mundo e ao grupo de jurados que atribui os “Grammys” – é que “Talking Timbuktu” ganhou, em 1995, o prémio de melhor disco “world music”. Depois de tão impressionante feito, surgia a inevitável questão: e agora, Ali?

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