A pontuar desde 2003.

segunda-feira, junho 23, 2003

Fotografias,

Weegee (1899-1968) foi o nome com que Artur H. Fellig assinou a fotografias que captou em Nova Iorque, nos 30 e 40. Um vasto conjunto destas imagens pode ser visto na mostra patente no Palácio da Ajuda, integrada no Lisboaphoto. Estive lá, vi e gostei do que vi. Gostei menos do que li, é certo. E é justamente ao visto e ao lido que dedico as linhas abaixo e o poste acima:

As fotografias de Weegge estão na encruzilhada da fotografia policial com a fotoreportagem. Como se a câmara chegasse à cena do crime ou da tragédia, logo a seguir ao acontecimento. A indicialidade da fotografia no seu expoente máximo – o "isto foi", como lhe chama Barthes n'A Câmara Clara – constitui a principal marca das imagens que Weegee nos dá a ver, provas (eu diria mesmo "judiciais") de alguma coisa que acabou de acontecer. De destacar a intuição do fotógrafo (provada ela mesma por uma fotografia) que, por vezes, lhe permitia chegar ao sítio certo e captar o momento a seguir à hora exacta. De destacar também a mais indicial de todas as imagens ali expostas: uma fotografia tirada logo após um acidente de automóvel, comentada com um quase poste: "resta apenas um sapato". Vê-se parte do carro e, junto à roda, um sapato. Descalçado, perdido. Atrás, constrastando com a escridão dominante, uma mão demasiado branca, abandonada, que pertence a um corpo vivo que não identificamos.

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