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segunda-feira, junho 16, 2003

A paixão segundo João Gobern (ou mais uma acha para a fogueira DNA).

“O sorriso só regressa quando, seduzido pelas mais belas cerejas (…), dou por mim a resistir-lhes e adiá-las. Numa puerial promessa íntima de que as minhas primeiras cerejas da temporada hão-de ser namoradas a preceito, divididas por dois, como se fossem as pipocas quentinhas que rimam com filmes de amor. (…) <>, escreveu um poeta. Gostava que me dessem oportunidades de ajustar contas com ele. Gostava mesmo…”

Factos: as linhas acima reproduzidas pertencem à rubrica de gastronomia “Boca Doce”, publicada semanalmente no DNA e da responsabilidade (ou irresponsabilidade, no caso) do jornalista musical-gastrónomo-director da TV Guia-multi facetado João Gobern (e pensar que este senhor encabeçou, há uma dúzia de anos, uma publicação como o SE7E…).

Enunciado: não contesto o estilo poético que o Sr. Gobern escolheu para ilustrar as suas crónicas, não contesto a profundidade e/ou intensidade do romance que o cronista está a viver, nem sequer a profusidade de ocupações de que o cavalheiro se ocupa.

Problema: agora, o que contesto, isso sim, é – qual é a relevância que João Gobern considera que a sua vida privada e, pior, amorosa, tem para os leitores de, relembro, uma rúbrica GASTRONóMICA? Já estamos todos carecas de saber que a namorada do senhor, a quem ele se refere amiúdes vezes como “amor perfeito”, mora no norte, portanto longe, e que só aos fins de semana é que os pombinhos pousam no seu ninho do amor. Mais grave que o Sr. Gobern escrever estas alarvidades é alguém achar que elas se encaixam num suplemento como o DNA! Bom, à luz das recentes críticas encabeçadas pelo humor viperino dos Gatos Fedorentos, talvez caibam mesmo e, pior ainda, que nem uma luva.

Solução: Expatriação, Kompensans, Guronsans, Pública e aqueles livros todos que, do alto da prateleira, nos andam a piscar o olho há meses. Agora, DNA com esta “Boca Doce”, obrigado, mas fico-me pelas entradas.

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