A pontuar desde 2003.

quinta-feira, junho 12, 2003

Sem audiência, para a audiência,

Não me apetece esperar pela audiência e atiro já com a minha nostalgia privada.

Guardo uma doce saudade dos tempos da televisão a preto e branco. Não pela ausência cromática, mas pela solução que encontrei algures no início dos anos 80 para resolver essa lacuna no meu lar. Os copos de vidro coloridos que se guardavam no armário da sala não serviam só para os adultos beberem vinho nos dias de festa. Especialmente os púrpura eram excelentes para se ver através deles os desenhos animados. Garanto que o efeito obtido não era muito diferente do que se via nas primeiras televisões que, em matéria de cor, o que tinham mais era o rosa.

Um dia, um dos meus avôs perguntou-me o que queria de prenda de aniversário. Tendo escolhido no ano anterior a boneca espanhola que andava e cantava num castelhano de falsete que até a mim irritava, atirei com ar óbvio: "uma televisão a cores". E não é que o senhor ma ofertou mesmo? E não é que é, ainda hoje, a minha televisão? É, é — só tem oito canais. O que explica muita coisa.

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