A pontuar desde 2003.

sábado, setembro 27, 2003

Os empreiteiros das letras.

Passeio pela Bertrand e, na prateleira dos livros "fast food" (quase todos da Oficina do Livro), ombro a ombro com referências obrigatórias da literatura moderna portuguesa ("Socialíssimo", de Paula Bobone, só para citar um), deparo-me com o best-seller do capítulo "As Coisas No Emprego Não Estão Famosas, Vou Comprar Esta Merda Para Ver Se Não Me Despedem", "Quem Mexeu No Meu Queijo?". Acontece que, meia dúzia de livros mais à frente, deparamo-nos com a inevitável sequela "Fui Eu Que Mexi No Teu Queijo". Ora, quando é que os livros começaram a adoptar este esquema de resposta no título? Espera-se para breve um "Mas Porque É Que Mexeste No Raio Do Queijo?", com a não menos ansiada resposta, "Porque Gosto De Roquefort E O Que Tinha Lá Em Casa Acabou-se".

Se a moda pega, esperam-nos pérolas do calibre de "É De Soalho Flutuante" (o sucessor de uma das últimas obras de Salman Rushdie, "O Chão Que Ela Pisa"), "Foi Por Isso Que Lambi A Relva" (a esperada sequela de "Meu Amor Era De Noite", de Vasco Graça Moura) ou mesmo "Sobretudo Quando Vamos À Bica Do Sapato" (a continuação do delicioso "Um Almoço Nunca É De Graça", de David Lodge). Oficina do Livro, vocês desculpem lá, mas estas têm direitos de autor.

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