A pontuar desde 2003.

terça-feira, outubro 21, 2003

Por exemplo,

METROPOLITANOS

Aqui estamos, atravessando
sem saber o nosso destino,
à espera que o próprio caminho
o torne evidente (mas não),
somos todos assim metropolitanos (urbanos),
saímos na estação errada,
lemos cabeçalhos, vemos o envelhecimento
nos rostos que connosco através
de túneis dantescos (cliché),
e pensamos (ou dizemos agora que pensámos)
que há um plano que nos ultrapassa (rodoviário),
um plano (subterrâneo)
de linhas que se cruzam com as linhas
da mão, interceptadas em cores
e com o guarda-roupa do nosso
tempo (capitalismo tardio)
atravessamos (atrasados), sob o sol
que imaginamos em cima (platónico),
interrompidos pelo parêntises irónico
da consciência que talvez queria fazer
a diferença mas não faz nada (nada).


Pedro Mexia, Eliot e Outras Observações, Gótica, 2003

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