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quarta-feira, outubro 01, 2003

Post-it.

Os clientes mais cobiçados por qualquer agência de publicidade são aqueles que 1) dão mais dinheiro 2) dão mais prestígio 3) permitem desenvolver um trabalho mais criativo. Um desses clientes é a post-it, o produtor dos pequenos blocos (primeiro amarelos e agora de todas as cores) que funcionam como a memória que nos falha, pequenos lembretes do quotidiano, de números de telefone, de listas de compras ou de beijos fugidios.

Há um par de anos, com base no conceito "Post It. Don't forget", a marca criou uma campanha de imprensa memorável, com imagens de algumas das figuras mais emblemáticas da história da humanidade, que deixaram para trás um legado que, para além de ter de ser perpetuado, não pode ser esquecido. Por cima de fotos a preto e branco de Madre Teresa de Calcutá, Ghandi ou JFK, surgia, em jeito de lembrete, o post-it assinado com uma mensagem que resume toda a filosofia da marca - "Post It. Don't Forget".

Todos os dias paro uns bons minutos num semáforo complicado a caminho do trabalho. Todos os dias me deparo com a mesma mãe e filha, de braços estendidos, enroladas em trapos, a pedir uma esmola, uma moeda para uma sopa, uma ponta de compaixão. E todos os dias sinto que me voltaram a colar um pequeno quadrado de papel amarelo na alma. "Post It. Don't forget".

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