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sexta-feira, outubro 10, 2003

Restaurante chinês I,

Há muito que desisti de procurar perceber o fascínio que tenho pela decoração deste género de estabelecimentos. Os budas dourados; as cadeiras com assento almofadado a vermelho e coberto de uma película transparente; o plástico a imitar madeira: impressionam-me porque me surpreendem sempre. Nunca espero que se possa ir tão longe no design de interiores.

Confesso que no primeiro lugar do meu ranking - criteriosamente elaborado tendo em conta mais o aspecto do espaço do que a qualidade do crepe -, no primeiro lugar do meu top ten, dizia, esteve muito tempo o China Lido. Um lugar simpático, sito na Praça Paiva Couceiro, a que se acede descendo uma rampa coberta de PVC. Lá em baixo, na vasta sala, que parece nunca esgotar por mais festas de anos que ali reunam convivas, pode comer-se debaixo de uma enorme árvore, junto a uma das seis janelas (com vista para a cascata, com vista para o bosque, com vista para o lago), ou perto dos pandas tridimensionais que partilham um canteiro de bambu com um pavão de cauda aberta.

Não foi a barata que caiu no prato da filha mais velha da família da mesa em frente que fez descer de posição o China Lido. O restaurante ao cimo da Morais Soares foi substituído nas minhas preferências por um outro, perto do Marquês do Pombal. Não terá sido apenas por isso, mas foi muita a influência do karaoke. Na televisão virada para a porta, sem som, com os caracteres chineses a colorirem-se para logo desaparecerem e, ao fundo, imagens (em movimento!) das cascatas, do bosque, do lago, montados em paralelo com encontros românticos em escadarias sem fim.

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