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quinta-feira, novembro 20, 2003

Estrelinhas entre linhas.

Sofro de um fascínio idiota por questões absolutamente irrelevantes. As estrelinhas dos críticos de cinema são um desses temas pelos quais deambulo em inócuas divagações. Indago-me sistematicamente sobre as razões que levarão os críticos a não atribuir classificação a determinados filmes.

Numa breve consulta ao DN constato que só o João Miguel Tavares se dignou ver o Jeepers Creepers 2. Curiosamente, no Público, apenas um crítico atribuiu também a parca estrelinha ao filme. O que levanta algumas questões para as quais gostaria de obter, de uma vez por todas, resposta. Os críticos de cinema farão uma pré-selecção de acordo com critérios pessoais? Ou assistirão apenas a filmes para os quais são convidados? A conceber esta hipótese, não estaremos perante um problema de ética jornalística? Não competirá a um crítico visionar todos os filmes em exibição? Qual a razão que levará o João Lopes a ter classificado o triplo dos filmes que o seu colega? E porque será que os filmes cujas estrelinhas formariam por si só uma gigantesca constelação, têm uma percentagem de assistência entre os críticos, substancialmente superior aos filmes de menor qualidade? Não fará parte do trabalho do crítico assistir às xaropadas cinematográficas, ainda que impregnados pelo som das pipocas?

Por último, mas não menos pertinente, parecer-me-ia de muito bom tom, que em vez do habitual hífen que me deixa embrenhado nestas especulações, a legenda destas tabelas incluísse a real justificação para a ausência de classificação: o de fugir, * mau, ** com interesse, *** bom, **** muito bom, ***** excepcional, # tenho um blog para actualizar e não vou perder tempo com filmes para consumo imediato, #1 não assisto a filmes com o Rui Unas, #2 sofro de incontinência e não vejo filmes de terror.

Etc.

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