A pontuar desde 2003.

segunda-feira, novembro 03, 2003

Fim-de-semana

Desconheço a aleivosa criatura que está associada à origem da expressão fim-de-semana. Desconheço, felizmente.

O fim-de-semana é a fórmula-mãe de todos os stresses. Para o fim-de-semana está sempre reservado um jantar especial com um grupo de amigos mais ou menos desconhecido. Uma festa de aniversário. Uma prolongada noite de galhofa e bisbilhotice. A reunião de trabalho diluída no aroma de um tinto.

O fim-de-semana é o alvo preferido dos colegas de infância para inóspitos momentos de camaradagem. Com as mulheres e os maridos dos colegas de infância. Com os filhos dos colegas de infância.

No fim-de-semana a família aguarda notícias. O almoço de convívio. A falsa celebração da paz de espírito familiar. A ausência de novidades. As conversas de ontem, de há um mês atrás. As conversas do Natal passado: “Como cresceste, sem que déssemos por isso”.

Ao fim-de-semana a consciência é implacável: o livro que as palavras interromperam, os filmes que a monotonia da segunda-feira fez esquecer, o lúdico passeio de bicicleta, o museu que antecipou o fim da exposição, a praia, a bucólica paisagem que nos restitui a convicção de que o fim-de-semana não deveria pura e simplesmente existir.

Para o fim-de-semana confluem os excessos, as ressacas, a cozinha desleixada, as noites mal amanhadas com parceiros desconhecidos, o desmazelo numa música imperceptível, a incúria de um beijo mal disfarçado.

O prazer morreu no fim-de-semana.


Etc.

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