A pontuar desde 2003.

quinta-feira, novembro 27, 2003

Sobre a citação (poste em dívida),

Não gosto de discutir por causa de citações, do mesmo modo que me recuso a polemizar sobre a roupa que alguém veste (mesmo que esse alguém seja eu).

Leio as citações como ilustrações verbais do discurso. Alguém disse melhor e, em vez de copiar, pede-se a formulação emprestada porque dá jeito para mostrar como se chega até uma ideia. As citações que não me incomodam são aquelas que funcionam como croquis, explicam o caminho melhor do que se nos puséssemos tudo pelas nossas palavras, sempre insuficientes, sempre imperfeitas, sempre incompletas.

Todos os outros usos das aspas e do que contém arrepiam-me, quando me surpreendem na leitura. Reparo demasiado em algumas citações e, porque reparo nelas, tornam-se em nós do texto que tenho que desatar. Paro para pensar por que é que está ali a expressão de um e não de outro; porquê aquela, a começar assim e não a outra, a começar adiante: sinto-me numa encruzilhada falsa, um cruzamento criado ali mesmo por mim, exterior ao texto que fluía à minha frente. Ainda assim, se o que é dito, se o que se quer ilustrar, é mesmo interessante, sigo o meu caminho, rumo à ideia. À excepção da BD, o texto seduz-me mais do que a imagem e sou tolerante se adiante uma outra imagem, genial, me deixar uma impressão melhor que uma citação desconfortável.

Vem este poste a propósito de um comentário lá fora quando aqui afixei um poema (alheio, claro, não há versos próprios cá no blogue, entre aspas e em itálico, por isso mesmo). Não me parece tratar-se uma citação como a entendo, embora reconheça que, literalmente, possamos chamar-lhe assim. Por coincidência, na mesma altura, recebemos na caixa do pontapé publicidade a um disponsitivo que se propõe postar por nós. Eu prefiro escolher o meu template, os meus autores, as palavras que ponho entre aspas e a cor das minhas camisolas.

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