A pontuar desde 2003.

quinta-feira, novembro 27, 2003

A vida, condensada.

"Na casa com 1,62 metros de largura, tão estreita que mais parece um corredor, há espaço para o essencial e para as recordações de "uma vida inteira" passada ali. Manuel Pereira de Barros, 77 anos, vive (...) num dos mais estreitos prédios da capital. Uma mesa, algumas cadeiras, um armário e dois ou três pequenos espaços de arrumação compõem a sala. Ao fundo do corredor, uma cozinha, um cubículo tão pequeno que o frigorífico tem de ficar à porta. Alguns anos depois (...) Manuel arrendou também o andar de cima. Aqui, apenas duas estreitas camas encostadas à parede e aquilo que em tempos foi uma cozinha, mas é hoje utilizado como casa de banho. (...) Entre lamentos de falta de visitas e pouco tempo dos vizinhos para conversar, Manuel passa o dia a ler. Nesses momentos solitários, a estreita casa do número 12 da Rua S. João da Mata quase parece grande demais." in Público

1,62. Menos que a altura média dos homens portugueses. Um pouco mais que a das mulheres. Da largura de um elevador. Com uma fita métrica, o Sr. Manuel mede a largura da casa e ainda sobra. Um espaço claustrofobicamente pequeno. Minúsculo. Onde, todos os dias, há cinquenta anos, se ensaia uma felicidade que não conhece paredes, portas nem janelas. Tudo isto no prédio mais estreito de Lisboa. Quem disse que Deus não tem sentido de humor?

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