A pontuar desde 2003.

sábado, maio 31, 2003

Previsíveis divergências,

O que separa a Vírgula da voz é, ainda e sempre, uma questão lateral de posicionamento. Os nossos blogues de referência estão em cantos opostos: um à esquerda do outro, digo eu. Mantém-se, contudo, uma saudável convivência. Que bonita, a tolerância.

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Da blogosfera,

Aqui no Ponto e Vírgula não aceitámos o repto lançado pelo Pacheco Pereira no seu projecto de construir, com ajudas externas e livre de objectivos, um catálogo de objectos extintos e em vias disso. Parece que já foi há muito tempo. Também já percebemos que o tempo se escapa mais rápido pela ampulheta da blogosfera que a areia da praia de Porto Santo pelos dedos de quem lhe pega. Até nessa coisa do tempo do blogue, a psicossomática é o blogue mais atípico que Vírgula lê. Pois é justamente esse queremos lincar. Porque apresenta, no entender aqui da metade, a melhor lista de objectos desaparecidos ou quase.

(O uso da terceira pessoa foi consciente. Por muito que custe ao Ponto, dificilmente conseguirei evitar estas oscilações identitárias.)

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sexta-feira, maio 30, 2003

Poste roubado,

Não resisto a publicar (com a devida autorização) um mail de Tudo menos política:

A minha colega está-me a perguntar se lagartixa se escreve com X ou com CH .

Há dias em que não me apetece ser o dicionário de serviço dela. Pensei remetê-la para o blogue Ponto e Vírgula mas depois ela descobre o que é um blogue e... estaria feita.


Só não entendo é de onde é que vem esta tendência para sermos considerados, nós, o prontuário de serviço da blogosfera. Ainda se fossemos o virgulário...

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Freud explica.

A linguagem cibernética tem destas coisas - mesmo com as limitações que o diálogo escrito traz (sobretudo ao nível da expressividade e da espontaneadade), ainda conseguimos encontrar formas de deixar as nossas marcas pessoais no discurso.

Por exemplo, eu gosto de me rir "eheheheh" e a Vírgula opta por um "hehehehe".

Vocês nem imaginam a diferença.

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A Voz dos Deuses.

Ninguém cantou o "You Don't Know Love Is" como o Chet Baker. Na minha lista mental, ofereço-lhe o primeiro lugar na categoria "essa coisa estranha que é o amor".

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Axioma du jour.

Dizer "se o Carlos Cruz é pedófilo, eu também sou" dá prisão preventiva.

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quinta-feira, maio 29, 2003

Perversidades.

Adoro a forma como o nome "Pacheco Pereira" rebola na boca quando o digo.

Kinky, não?

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Más influências.

Porra, linkei o Pacheco Pereira.

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Boas referências.

O blog do Pacheco Pereira é um discorrer de citações de imprensa, poesia e restante literatura, para além de um sem número de referência a blogues irmãos. Depois de uma análise atenta, percebi que, basicamente, de entre toda a blogosfera, só mesmo o Ponto e Vírgula passaram ao lado da fúria citante do Abrupto .

Vírgula, minha cara, estamos no bom caminho.

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Barbaridade du jour.

Esta é emprestada e veio por mail, como 99% das comunicações que estabeleço hoje em dia (no outro dia tentei explicar ao meu avô o que era a internet - uma hora depois, desisti).

Antigamente, dizia-se que os comunistas comiam criancinhas ao pequeno almoço. Quem diria que a mesma dieta ia calhar aos socialistas?


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Cruzadas na A1,

– Horizontais, um: “vasconço”, cinco letras.
– Por que é que estamos a começar pelas soluções?

Não eram as soluções. Vasconço é basco. Não aquele que é natural da região, mas sim aquilo que por lá se fala: “idioma vernáculo dos Pirinéus falado nos províncias vascongadas”. O termo pode ser usado no sentido figurado, significando linguagem ininteligível. Vasconço, este passatempo de viagem.

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Axioma du jour.

(N.B. Inauguramos hoje esta rubrica, que pretende elevar o carácter intelectual do blog em que se insere - reparem como o próprio nome, uma inteligente associação entre a língua portuguesa e a francesa, já eleva o padrão da coisa.)

Todos os génios, sobretudo os cómicos, são pessoas profundamente doentes.

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Pré-primária.

Assegura-nos o Público Online que "Ministro da Defesa foi chamado a depor no dia 9 de Junho. Paulo Portas considera que ida a Monsanto será «pedagógica»". Ora, caríssimo Dr. Portas, nem imagina o quanto me tranquiliza saber que, excepcionalmente, nesta sua visita a Monsanto, vai haver algo a aprender.

E eu que pensava que o doutor já tinha a escola toda.

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Tortura medieval.

Qual pera rectal, qual quê - dêem-me a tortura chinesa do sono, o clássico foco de luz apontado à fronte ou mesmo os discursos completos de Narana Coissoró na Assembleia da República. Agora, ver o "Matrix Reloaded" duas vezes na mesma semana é que não.

N.B. (Nota do Bloguista): Sim, vi o dito, as duas vezes apregoadas, mas garanto-vos que a segunda foi pura obrigação profissional.

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quarta-feira, maio 28, 2003

Dez anos é muito tempo,

Depois de uma pontual experiência em 1993, Lisboa é de novo premiada com um mês inteirinho dedicado à Fotografia, em apresentações dispersas pela cidade. Enquanto não chegam, podem adivinhar-se as passagens aqui. Promete. Podiam também prometer-nos que teríamos mais antes dos próximos dez anos (ou dos próximos 150 quilómetros, mais coisa, menos coisa, tantos quantos nos separam nos Encontros bianuais em Coimbra).

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Afixação proibida II,

Descobri esta injusta, e muito pouco delicada, afixação ao cimo das escadas para um dos átrios de uma estação da linha azul. Os pictogramas com a clássica senhora de criança pela mão, o sempre incómodo senhor da cadeira de rodas e o executivo que leva bagagem – sobre todos eles, o círculo vermelho, cortado transversalmente. "Use o outro átrio."

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Afixação proibida,

Pendurada numa árvore, ao cimo de uma das avenidas do bairro onde de vez em quando habito, uma cartolina escrita a caneta de feltro:"Só o Bibi não tem amigos."

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Vírgula doente,

Há dias em que sofro dessa doença, Ponto. Cuidado, pode ser contagiosa.

Deixas-me continuar por aqui?

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terça-feira, maio 27, 2003

A doença da terceira pessoa.

Ainda a propósito de Ricky Martin (e da forma como se refere a si próprio na terceira pessoa, como se fosse uma entidade superior, exterior a si próprio), gostava de lançar uma questão aqui mesmo na blogosfera: a doença da terceira pessoa (tão comum entre os jogadores de futebol da nossa praça) é uma nova estirpe de pneumonia atípica?

O debate está aberto - aceitamos colaborações na caixinha aí de cima. Ajudem-nos a combater este flagelo que parece atingir mais pessoas a cada dia que passa. Afinal, as pessoas que sofrem desta enfermidade também têm direito à vida!

Ou não.

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Manteiga de Amendoim.

"They all want me: boys, girls, men, women, dogs, cats... they all want to have sex with Ricky." Ricky Martin em declarações ao solipsistornot.com.

Bom, amigo Martin, isso explica aquele inenarrável mito urbano da manteiga de amendoim – o desgraçado do canito queria lamber o Ricky, mas a dita iguaria desviou-o do objectivo primordial.

Ah, mais uma coisa: Ricky, desculpa desiludir-te, mas eu sou comprometido.

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segunda-feira, maio 26, 2003

Manual de Emergência Para Operações STOP (ou O Prometido É Devido).

Aqui há dias, e em resposta à crescente desconfiança em relação às forças da autoridade, prometi oferecer aos visitantes deste honradíssimo blog (reparem como utilizei o plural – visitantes – obrigado mãe, mais uma vez e diz à avó que não precisa de aqui vir TODOS os dias) um questionário essencial para sobreviver a uma operação STOP.

Como todos sabem, hoje em dia o respeito que um GNR nos merece é semelhante ao de um burro ibérico (sendo que o burro, por ser uma espécie em vias de extinção, consegue merecer mais) e, quanto às restantes forças policiais, parecem ter o condão de chegar tarde e a más horas ao sítio errado e, uma vez lá, conseguir com que toda a gente se questione “mas o que é que eu fiz para merecer isto..?”. Apesar de ser uma pergunta retórica, não me coíbo de avançar com uma resposta possível – estavam lá, pura e simplesmente.

Uma vez que se torna cada vez mais difícil distinguir os polícias dos ladrões, se quer ter a certeza de estar a ser interrogado por um verdadeiro agente da autoridade, avanço com algumas dicas e perguntas chave, num ensaio de um “Manual de Emergência Para Operações STOP” (não vale a pena tentarem copiar – já vendi os direitos à Oficina do Livro):

1. O latim – ora bem, se a interpelação inicial do senhor fardado começar por “fachavor, apersente-me a sua identicação”, é provável que estejam no bom caminho. Qualquer larápio que se preze tem no mínimo a quarta classe.

2. O bigode – apesar de haver relatos de pessoas que têm bigode por questões estéticas, a maioria dos bigodes (em Portugal) encontram-se concentrados em duas classes profissionais – os jornalistas de gastronomia e as forças de autoridade. Um bigode é, ainda, um selo de autenticidade.

3. As luvas – não as do próprio, mas as que ele poderá (ou não) aceitar devidamente encartadas nos documentos do carro. O bem senso dita-nos que estas devem oscilar entre um mínimo de €20 (180 na Autoestrada de Cascais) e um máximo de €200 (180 na Rua do Alecrim). Em que medida é que as luvas o podem ajudar a identificar um falso polícia? Já alguma vez experimentou? Pagou a multa? Estás respondido.

4. Os procedimentos – se, ao chamar reforços através do rádio, o suposto agente optar por um discurso na linha de “Alô comando, daqui Silva... parece-me que vamos precisar de reforços aqui na Av. Da Índia....”. Neste momento, já você devia estar a MILHAS DE DISTÂNCIA. E dê-se como sortudo, acabou de evitar um possível assalto. É que como toda a gente sabe, vivemos na Burocralândia e nenhum processo é tão simples como pode parecer à vista desarmada. Assim, se estivesse a lidar com um verdadeiro Polícia de Trânsito, o discurso teria sido mais nestes moldes: “Alfa Charlie, daqui Foxtrot 21 Gold, escuto.... Está em curso um 121-A com possível Beta Codex e uma agravante de grau 2, aguardo instruções para prosseguir, escuto.”

Over and out.


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Character witness.

As mesmas más línguas que andaram a espalhar boatos insidiosos em relação à permanência do grande Keanu na saga Matrix andam agora a dizer que o rapaz é homessexual. Bolas, qualquer dia ainda dizem que o Herman José é pedófilo.

Francamente.

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Nevralgias.

Anda para aí a circular o boato de que o papel de Neo, o Messias da tão badalada sequela de "Matrix", "Matrix Reloaded", papel originalmente interpretado por esse monstro sagrado do cinema que é Keanu Reeves (pelo menos a primeira parte da expressão é verdade), esteve para ser atribuído a outra pessoa.

Aparentemente, os motivos da troca de protagonista (que não se chegou a concretizar, como já devem ter percebido) não se prendem com as qualidades representativas de Keanu Reeves - em relação a isso, estamos todos de acordo. Parece que encontraram alguém com o mesmo talento enquanto actor, mas com uma expressividade facial muitíssimo superior. Infelizmente, Ramalho Eanes declinou o convite.

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As aparências iludem (e vice versa).

Já há algum tempo que tinha descoberto que Diogo Infante era mais que um actor arrivista, catapultado pela perenidade das novelas e dos programas de entretenimento. Hoje, ao assistir aos "Hamlets", em que contracena com Marco D'Almeida, com base num texto fabuloso de Eric Bogosian, tirei as teimas matematicamente: nove vezes fora, muito.

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Magnolia.

Querida Vírgula - não posso deixar de comentar o teu post anterior e reforçar a ideia de que, nas relações como no cinema, como no riso, com em tudo, aliás, o timming é tudo. Em filme, o perfeito sentido de tempo encontrei-o em "Magnolia", o épico altmaniano de Paul Thomas Anderson - "sem nos mexermos demasiado na cadeira, não damos pelas quase três horas passarem".

Amen.

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domingo, maio 25, 2003

Como nos filmes,

A duração de um encontro ou de um filme pode ser fatal para a história. Há as curtas que são a dose certa e as que sabem a pouco. Há as longas em que olhamos sistematicamente para o relógio e aquelas em que, sem nos mexermos demasiado na cadeira, não damos pelas quase três horas passarem.

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Caderno preto,

Aponto, ao longo do dia, os postes adiados que publicarei ou não. São os postponeds, uns mais que outros.

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O que diz a voz,

Diz do Ponto que tende para a transgressão e da Vírgula que é serena e tem bom-senso maternal. E diz mais coisas. Quero dizer que não concordo com o que diz a Voz. Digo-o, recordando-lhe serenamente que dos dois, Ponto e Vírgula, quem sai mais da linha é ela.

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sábado, maio 24, 2003

A identidade que a Vírgula queria,

Impossível de editar, inapagável do blogue, aqui vai o conteúdo do poste identidade (sem linque, para evitar mais derivações esquizóides):

O blogo arrumou o Ponto e Vírgula no meio das letras. Esperamos não dificultar as leituras.

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Discreta ousadia,

Nos tempos do semanário , achava uma certa piada dizer, com ar grave e sério, ao senhor do quiosque: "queria-o já, por favor".

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Problema existencial,

Há qualquer coisa de errado com o poste identidade: vazio e impossível de editar.

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Onanismos.

Ao final da tarde, a escolha radiofónica para quem como eu conduz (ou faz-se conduzir, depende do país tropical que o meu id estiver a visitar) é parca e, sobretudo, muito repetitiva (lógica de playlist oblige). Por isso, a Rádio Oxigénio, 102.6, é um verdadeiro bálsamo para os ouvidos, presenteando-nos com "Jazz Ao Fim da Tarde" no próprio e música de raiz electrónica ao longo do dia.

Bom, mas nem tudo é perfeito e, de x em x tempo, a Oxigénio interrompe as suas ondas hertzianas com pequenos noticiários, sugestões culturais, etc e tal. Hoje, uma destas últimas aconselhava-nos a visitar uma instalação da responsabilidade do artista plástico Pedro Gomes, num prédio devoluto algures no Chiado, na qual éramos surpreendidos, de quando em quando, com sombras de figuras que se masturbavam. Ora, o mais grave não é o onanismo, nem sequer as definições dos limites de arte contemporânea, mas sim o comentário da locutora no final da descrição: "uma obra absolutamente imperdível".

Eu sou um gajo moderno e progressista - até vejo espectáculos da Vera Mantero e tudo - mas "imperdível"? Tenham paciência.

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O Senhor Dos Anéis.

Hoje, ao olhar para baixo enquanto lavava os dentes, deparei-me com um par de pés que não me pertencem - eram enormes e estavam vermelhos do calor. Sempre tive os pés grandes, e assim o comprova a minha alcunha de miúdo, mas, bolas, Frodo Baggins é que não.

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sexta-feira, maio 23, 2003

Problemas técnicos,

Limpamos a casa quando encontrarmos um computador onde o blogger não se sinta envergonhado da suas subterrâneas ligações à Microsoft. É nestes momentos de completa impotência face a um poste engasgado que me pergunto como é que há fanáticos por Macintoshes.

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Identidade,

O posted by Vírgula at 19:46

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A figura do espanto,

Pena não versar este poste sobre o livro de Pedro Miguel Frade, com um título muito próximo — As Figuras do Espanto, editado pela Asa, um dos poucos publicados em Portugal sobre a ontologia da Fotografia. No entanto, a afixação destina-se apenas a restituir o seu ao seu dono: a figura do espanto no poste anterior é um eco de um artigo publicado num Domingo no ínicio do ano, no Público, sobre a praxe académica (A indústria do espanto, creio que se chamava assim). Quem o escreveu — José Neves, doutorando em História Moderna e Contemporânea, experimentado no associativismo estudantil — referia-se ao modo como algumas notícias nos deixam de queixo caído até à notícia seguinte. Uma linha de montagem que nos oculta a realidade aqui mesmo ao lado… a menos que esta nos seja servida num formato alternativo.

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Espanto,

Preciso de acreditar que aqueles que cometem crimes são justamente condenados, mas também preciso de acreditar (o mínimo, pelo menos) naqueles que nos governam. Acredito nos cientistas sociais e sou da insustentada opinião de que aquilo que fazem, e que nos ajuda a ler melhor o mundo, não se pode dissociar daquilo que são.

Com os recentes acontecimentos que envolvem Paulo Pedroso, o mais provável é que pelo menos uma destas minhas crenças seja, brevemente e mais uma vez, abalada. Preferia que fosse o mais breve possível. Gostava que fosse abalada por uma verdade encontrada pelas vias legais.

E amanhã, que novo espanto nos vão servir ao jantar?


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Chuva de estrelas.

Vi o Luís Represas (o gajo que cantava com os Trovante) e a Margarida Pinto Correia (mulher dele, irmã da plagiadora, que usa sempre brincos diferentes - não a plagiadora, a Margarida). É curioso como a persona das figuras públicas se esbate no momento em que se tornam, de facto, públicas.

Não que aqui houvesse muita ponta por onde pegar, mas enfim.

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quinta-feira, maio 22, 2003

Hara-kiri.

Por falar em haikus, pelo-me por um bom sashimi.

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Fora-da-lei.

Pode parecer bizarro, e bem sei que desta notícia já não se ocupam os blocos noticiosos, mas garanto-vos que aquela história das falsas operações STOP levadas a cabo por falsos polícias me encaganitou - o problema nem seria de monta (já temos tido bem mais grave) se não fosse o meu ódio recente pelas forças de autoridade.

Ora vejam - morando num bairro residencial, espero ter algum sossego quando chega a hora de dormir (caso contrário, teria ido morar para o estaleiro da Lisnave, com umas rendas bem mais em conta, para além da vista categorizada como "primeira linha de mar"). Como a Associação Portuguesa de Tunning teima em reunir no parque de estacionamento do outro lado da rua, o número da esquadra cá do bairro já ganhou lugar cativo no frigorífico. Das quatro, cinco vezes que liguei, fui agraciado com resmungos ensonados, queixumes inúteis e uma postura de negligência mais própria de um empregado de pastelaria do que de um agente da autoridade. E julgam que cá vieram? Nicles - mais uma noite em branco.

A semana passado, rebocaram-me o carro ali para os lados do rio - numa rua com MAIS DE CEM carros mal estacionados, escolheram o meu. Graças ao alerta de um amigo atento, apanhei o reboque a tempo de evitar ter que ir ao Restelo (mas nem por isso me livrei de pagar os €50 da deslocação do dito). Uma vez que lá estavam e não iam levar nenhum carro no regresso (e o reboque estava pago), perguntei "ó amigo, já que aqui está, porque é que não reboca os outros carros mal estacionados?" (não, não estava armado em mete-nojo: era uma questão de justiça). Resposta pronta e célere do Agente Silva: "ouça lá, se eu rebocasse todos os carros mal estacionados da cidade, não fazia mais nada o dia inteiro, não acha?".

Bem visto.

Amanhã segue uma lista de dicas para identificar um verdadeiro polícia numa operação STOP.

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quarta-feira, maio 21, 2003

Haiku,

Dia de Primavera
Demorando-se
Em tudo o que é água


Vou comprar todos os pequenos livros de haikus que encontrar na Feira a menos de sete euros. Este é da Primeira Neve, de Issa Kobayashi, da Assírio e Alvim e passou hoje debaixo dos meus olhos.

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Só,

O CCB despromoveu o Jorge Palma a músico de elevador.

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Vice-versa,

A segunda função deste blogue para mim é oferecer-se como recreio criativo. A primeira, o encontro com o Ponto, uma prova de fé na amizade inquieta.

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Função da Vírgula,


A minha função neste blogue é assegurar o pelouro das relações públicas. Falaram de nós blogues que, deseducadamente, não referi. Conversas de Café, Espigas ao Vento e Bloguices. Este último ofereceu-nos a pasta da educação num blogogoverno português. Eu, por mim, declino. O poder pelo poder repugna-me. E se o Ponto aceitar, recusar-me-ei a ser sua Secretária de Estado. Conversas de café partilha connosco o lugar de blogue do momento e além disso, estamos lincados na longa lista, agora à esquerda. Uma dupla honra.

Voltaremos a alguns destes blogues quando retormarmos a interrompida série de postes sobre a blogosfera – uma ocupação de fim-de-semana enquanto a Vírgula se forma intensivamente.

(Se nos esquecemos de alguém, tenham em conta que esta função no blogue é assegurada por uma profissional a meio-tempo... o que significa, obviamente, menos tempo de ligação.)

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Flatulências.

Inspirado pela feliz referência que o Gato Fedorento fez a este vosso humilde blog (colocando-nos, higienicamente, entre a Piolheira e O Meu Pipi), resolvi espreitar este último, que o Miguel Esteves Cardoso apelidou de “clássico”, nas suas Pastilhas. Confirmaram-se as minhas expectativas – por mais que um gajo tente perseguir um estilo de humor sofisticado e pós-moderno, nada faz rir como um bom traque.

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Eu, viciado, me confesso.

Alheio aos três principais factos que marcam a actualidade nacional – a saber, a final da Taça Uefa, a prisão do ex-embaixador Jorge Ritto e o aniversário da nossa leitora número um (de tal modo devota, que dá pelo nome de “Lia”, há quem diga que em homenagem a este singelo blog) – opto por discorrer sobre um dos meus principais prazeres que é, simultaneamente, uma das minhas maiores preocupações.

Folhetos. Brochuras. Monofolhas. Dípticos, trípticos, encartes. Mailings, a cores e a preto e branco, com verniz localizado e acabementos em mate. Eu, viciado em literatura de casa de banho, me confesso.

Tudo começou com o hábito diário de folhear as missivas com que as grandes cadeias de hipermercados nos atafulham a caixa de correio (crianças: uma caixa de correio é uma espécie de “mailbox”, mas real, que se costuma encontrar à entrada dos prédios e vivendas), despreocupadamente, como quem não quer a coisa (os produtos, portanto).

Depois, começei a fixar-me em algumas marcas específicas – Worten, Decathlon, Holmes Place e a clínica dentária lá da rua. A leitura passou a ser mais profunda e, sim, passei a sublinhar os preços mais competitivos e a fazer tabelas comparativas de produtos semelhantes, mas de marcas diferentes.

Agora, passei para os folhetos duros e sinto que bati no fundo. LIDL, Dia e Minipreço, com direito a recortes e colagens dos produtos em destaque na capa – já tenho três volumes daqueles livros de laboratório e acho que estou prestes a decobrir um padrão entre as três cadeias.

O meu terapeuta aconselhou-me uma cura de desintoxicação – primeiro, literatura ligeira (Patricia Highsmith, Simenon), depois, uns realistas mágicos sul-americanos (Sepúlveda, Garcia Marquez, Allende) e, daqui a uns meses, se não tiver uma recaída, posso experimentar um Saramago ou um Tolstoi.

Estou agora a meio do “Amor Em Tempos de Cólera” e até estou a gostar, percebem. Mas a falta que me faz um DVD Philips a €239,99 e um pack três Queijos Eru a €2,34 – bom, tenho sempre as terças feiras, dia de feirão, no Continente, para afogar as mágoas.


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Almoço a solo,

Felisbela tem seis anos mas sabe bem o que lhe aconteceu. Sabe que tem uma bala na cabeça e que tem que ser cuidadosa. Por isso, levantou-se, vestiu-se, tomou o pequeno-almoço que a mãe lhe arranjou e só depois saiu de casa.

Ouvi isto no jornal da tarde de um canal hertziano e acompanhei com arroz de qualquer coisa. Já estava vestida, mas só saí de casa depois de almoçar. Cuidadosamente.

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Poste dedicado,

A nossa mais fiel leitora faz hoje anos. Parabéns pelo décimo nono, vigésimo, vigésimo primeiro, vigésimo segundo, vigésimo terceiro, vigésimo quarto, vigésimo quinto e vigésimo sexto aniversários.

(Era só um pretexto para espalhar vírgulas, o que é que julgam?)

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Igualdade de género,

Agora que voltei a frequentar locais públicos abertos até depois da meia-noite, verifiquei que nestes últimos anos as casas de banho têm deixado de ser, em disjunção, masculinas ou femininas. Simplesmente há duas. A menos que eu não distinga a que me é destinada. De qualquer modo, serve este exemplo apenas para suavizar a discriminação sentida pelo Ponto: simplesmente somos dois.

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terça-feira, maio 20, 2003

From Russia With Love.

Ok, é verdade, temos recebido algumas mensagens de incentivo, para além de algumas referências em blogs amigos (como a Vírgula, muito bem, referiu – e sim, Vírgula, agradeço). Mas devo confessar que há uma coisa que me incomoda. A verdade é que me sinto sexualmente discriminado em relação à minha companheira de pontuação.

Sim, ela é mais sensual que eu, mais interessada e interessante e, bolas, é mulher num universo tradicionalmente povoado por homens. Mas, mesmo assim, custava muito enviar-me algum “love mail”, a elogiar a forma carinhosa como afago o teclado, a enaltecer algumas das minhas melhores características (apesar de ter adorado o elogio “mais dado à azia”, oferecido pelo José Mário Silva – um abraço, Zé Mário) ou mesmo a perguntar-me se sempre se confirma o boato de que tenho pé de atleta crónico?

Por isso, e porque esta situação de não-elogio é insustentável, decidi inscrever a Vírgula num daqueles catálogos de noivas russas online – dá pelo nome de Petroska Virgul, é afável e amiga do seu amigo, para além de adorar equitação e tarte de requeijão (não necessariamente por esta ordem). Espero que com ela num esquecido país de leste, possamos concentrar este blog naquilo que realmente interessa: eu.

(Mais sobre a nova vida da Vírgula em www.russianbrides.com)

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Anti-gralhas,

Será que alguma vez vou conseguir editar um poste sem ter que o corrigir assim que o visualizo?

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Fama e as dioptrias da Vírgula,

A fama na blogosfera daria cabo de nós se não fosse tão efémera. Agora é o Possidónio Cachapa quem nos dá as boas vindas. Obrigada (agradece, Porto).

Quanto à visualização aumentada, somos alheios ao facto e não temos recebido queixas. Já no que respeita ao Prazer Inculto, posso dizer que também não o visito no melhor dos conforto: as minhas dioptrias ainda não conferem ao monitor o modo panorâmico. Incompatibilidades? Espero que não.

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Milene,

Veio para às minhas mãos assim como não quer a coisa. Estava lá para casa pousado desde que tinha sido desembrulhado dos natalícios preparos. Desde o dia em que não resisti a pegar-lhe até àquele em que o deixei, com pena, passaram poucos. Gostei muito de O Vento Assobiando nas Gruas e fiquei contente que a história da Milene e todos os seus fizesse merecer à sua autora, Lídia Jorge, o Grande Prémio de Romance e Novela da APE. O volume, esse, ficou lá. Espero que tenha um feliz destino.

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Linhagem,

Abordou-nos uma simpática leitora que nos descobriu quando procurava o bom português. Sentimo-nos lisonjeados pelo acaso e tornamos público o que nos veio contar: o ponto e vírgula datam do Séc. VI a.C e foram criados pela mão do macedónico Kohmar Pehriad (544-493 a.C.). Pronto, já não somos filhos de pais desconhecidos.

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Mais correio,

A interrogação e a exclamação escreveram-nos já há alguns dias. Pareciam zangados, os sinais. Não respondemos, ainda estamos a pensar o que é que lhes vamos dizer sobre a revolução que propõem. Conspiramos...

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What´s the bloggian side?

Aqui há tempos meti-me num workshop de Escrita Criativa para BD, Teatro, Televisão e Cinema, leccionado pelo Nuno Artur Silva, o director criativo e criador das Produções Fictícias. Bom, elogios à parte (merecidos, que o Nuno Artur é uma autoridade, aliás, a única, na matéria), uma das inúmeras lições que lá aprendi foi a ter uma visão muito particular do mundo e da actualidade, vendo-os como matéria prima para a escrita de comédia - ou seja, "what's the funny side?" disto, daquilo e daí partir para a construção de uma história, uma piada, um trecho de humor.

Com a entrada na blogsfera (e um emprego sério, cada vez menos sério, devo dizer...), dei comigo a absorver as conversas de café, as reuniões de trabalho, os almoços, os jantares, os jornais e a televisão com uma voracidade impressionante e com um olho especialmente crítico - como quem pergunta "what's the bloggian side to this?".



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segunda-feira, maio 19, 2003

Público mudo,

No meio onde parcamente trabalho e em que me formo no momento, o motor de todos os processos são pessoas que exibem perante um público as suas concepções, passando através delas um sentido. Se o sentido que parte pode ou não ser o sentido que chega é matéria para os semióticos. O que me preocupa (e o motivo deste poste é a minha preocupação) é que estas pessoas, trabalhadoras como nós, fecham a porta e consideram a sua tarefa acabada, assim que as portas (e os sentidos) se abrem ao público. Não fazem a mínima ideia, nem querem fazer, do que dizem os que os leram e se estavam munidos dos instrumentos pressupostos para uma leitura superficial ou nem isso.

Às vezes acho que não é justo ser-se espectador em Portugal.

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Estepes.

Depois de dar voltas a voltas a tentar obter uma meta-leitura da fuga de Fátima Felgueiras para o país irmão, fez-se luz. À luz da fuga do Padre Frederico (e perdoem-nos as recorrentes comparações, mas parecem-nos inevitáveis), e das recentes férias forçadas de FF, cheguei à conclusão que o Brasil é a Sibéria de Portugal - tudo o que é maricagem, políticos corruptos (não será um pleonasmo?), pedófilos e outra escumalha, tungas, toca de mandá-los para uma território que, no fundo, nunca deixou de nos pertencer.

Se pensarmos bem, esta subtil separação do trigo do joio começou há algum tempo atrás - Roberto Leal, Eugénia Melo e Castro, Sousa Cintra... cá para mim, o Pedro Álvares Cabral devia andar a moer o juízo a alguém por cá e mandaram-no à fava. Que é como quem diz, "Ó Cabral, vai descobrir um buraco para te enterrares, ok?".

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Informações paralelas,

A série de postes informativos sobre a blogosfera não está terminada, longe disso. Prosseguiremos, em suaves prestações irregulares, durante a semana. Entretanto, as divagações do costume.

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Uma semana sem graças,

(Mais um poste quase pejado de melancolia e com pontuais referências ao passado)

Poupo os leitores à longa história da relação entre o Ponto e a Vírgula. Por três razões muito simples (ainda que não mas tenham pedido, gosto de as dar: é para saberem que podem contar com um blogue coerente, onde as opções de afixação são devidamente fundamentadas):

1. A história é tão longa que atingiu já a maioridade. Porém, preferimos comemorações de números terminados em zero. Saiba tudo em “Ponto e Vírgula, vinte anos de ritmada Amizade”. (A culpa é do Ponto que só apareceu lá na escola na terceira classe.)

2. Sempre foi uma relação muito intensa e o Ponto é alguém irascível, vê-se a léguas, até nos outros blogues se topa. Quando chegasse ao momento em que foram queimadas cartas ou libertados periquitos (alheias elas e eles), Lisboa não seria uma cidade segura.

3. Entrecortada pelo barulho do autocarro que musicou o nosso último telefonema, consegui ainda prometer ao Ponto que não tornaríamos o blogue demasiado fechado. Para as conversas mais íntimas, usaremos o mail. Lamentamos se com isso desiludimos algum visitante, a verdade é que queremos fazer deste um blogue sério.

E todavia... e todavia, devo ao querido Ponto um agradecimento pelas carinhosas e exageradas palavras que me dedicou em afixação pública. Só não percebi muito bem a parte dos pardais e das crias. Mas pronto, soou bem e até me pareceu que os ouvia piar de tão enternecida que fiquei.

Posto este, não elogio mais ninguém durante esta semana. (Se precisar mesmo de o fazer, se não me conseguir conter, vou ali buscar o poste que cita o Raúl Seixas.)


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Foi o coxo.

Vejam bem – fui de fim de semana e regressei, como indicam o bom senso e a entidade patronal, ontem ao fim do dia. Ao por a actualidade em dia, deparo-me com a sessão pública de pugilato em Felgueiras. Este infeliz episódio (mais um, em Felgueiras) fez-me lembrar uma das mais recorrentes e frequentes leis de Murphy, sobretudo no que toca ao cinema em casa. Passo a explicar.

Estou sentado em frente ao ecrã, à espera da décima parte dos “Suspeitos do Costume”: como se sabe, há que partir um filme em, pelo menos dez partes, de 8 minutos cada – estudos indicam que é a duração máxima do espectro de atenção do espectador médio. Levanto-me por cinco minutos, dois para fazer um café, dois para preparar uma sandes e um para mediar todo o processo. Quando regresso, PORRA!, foi o coxo e eu não vi! Ou seja, estive o filme todo a tentar perceber quem era Keiser Soze, o vilão, o lobo em pele de cordeiro, e, quando volto à sala, já a porcaria do filme tinha dado todas as voltas e reviravoltas que havia a dar e EU NÃO VI!

Regressemos então ao raciocínio (ou falta dele) original – um gajo já não pode optar por ser info-excluído durante um par de dias que perde logo uma cena do calibre desta. Apesar da grave falha e de ter perdido estes valentes sopapos (que, graças a deus, tive a oportunidade de rever, cortesia da TVI), eu sempre desconfiei que o Francisco Assis é que era o coxo.

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Passaporte.

(Adverte-se os incautos leitores e cibernautas de ocasião que o post que se segue está pejado de melancolia e referências ao passado.)

Apesar de não ser um membro da direito deste admirável mundo novo que é a blogsfera (se um Serviço de Estrangeiros e Fronteiras por cá houvesse, duvido que me fosse concedido um visto de permanência), por desafio da Vírgula, minha cúmplice não só na gramática como, sobretudo, nestas coisas da vida mais invisíveis (e indizíveis), como a Amizade e afectos afins, entrei na porta de serviço através deste Ponto e Vírgula.

Como diz o Zé Mário (agradeço, Vírgula), eu sou mais dado aos posts azientos, sarcásticos e desencantados e a Vírgula é, aliás, como sempre foi, mais melancólica, doce e, sobretudo, muito, mas muito mais talentosa. Também eu, Zé Mário, acho que ela está a ser sub-aproveitada. Gosto de pensar no Ponto e Vírgula como um conjunto de crias de pardais a ser alimentados pela mãe - ambos recebemos o mesmo alimento, mas palpita-me que um de nós vai aprender a voar primeiro. E ainda bem.

Obrigado ao blog de esquerda, por todos os motivos invocados pela Vírgula (e mais alguns), ao gato fedorento pela ironia e sarcasmo mais afiados que a espada de um samurai (impulsos poéticos às nove da manhã, dá nisto...) e aos meus restantes concidadãos da blogsfera, sejam eles passageiros, sedentários ou eternos viajantes.

(O Ponto promete regressar ao tom habitual dos seus posts e deixar estas mariquices do coração para a sua cúmplice de pontuação.)


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Agradecimento II,

Estamos gratos também ao gato por nos dar o devido uso.

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Agradecimento,

Obrigada, Zé Mário. (Agradece, Ponto.)

(Reparem como depois de sermos citados, passámos a tratar intimamente o José Mário Silva.)

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Um outro mundo é possível,

Não me refiro à blogosfera, mas sim ao mundo que estará em debate em Junho (7 a 10), na Cidade Universitária, na primeira edição do Fórum Social Português. Tem sido pouco divulgado, mas o Público quebrou hoje, mais uma vez, a surdina. Em casos como este justifica-se procurar a informação na fonte.

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Blogosfera III – os passeios da Vírgula,

O meu preferido, já o disse nos postes iniciais, é o blogue de esquerda. Mantido pelos manos Silva, José Mário e Manuel Deniz, no blogue lemos mais o primeiro que o segundo. Os postes oscilam no tamanho e na origem, e o blogue conta para isso com uma boa colecção de itálicos residentes ou esporadicamente convidados. Quanto a mim, tem a seu favor a frequência das actualizações e o equilíbrio conseguido entre a divulgação cultural, a reflexão política, as divagações poéticas e a piada livre. (A escrita automática, a coluna de José Mário no suplemento que edita, pode ser lida no blogue com o mesmo nome, útil para os que lhe acham mais piada a ele que à publicação).

A blogosfera é atravessada por um certo sentido de humor, mais ou menos presente em cada blogue (neste essa é uma das funções do Ponto). O blogue que melhor mantém o riso alheio e envergonha todos os que, clandestinamente, se passeiam durante o horário de trabalho é o gato. Estes rapazes ganham a vida a ter piada e têm mesmo.

Um blogue sobre nomes é uma ideia tão insólita quanto o blogue que dela resulta. Eu gosto dos postes pequenos da psicossomática. Geralmente, os postes curtos e incisivos são os melhores (as aventuras na extensão, implicam ser-se mesmo muito bom). Mas, na categoria dos quase post-it não há como a voz do deserto: um blogue religioso e muito mais que isso; e, mesmo ao lado, tudo menos política com desesperados desabafos sobre as relações laborais. Os blogues têm um gosto especial quando conhecemos a cara de quem os alimenta.

(Continua...)

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Advertência,

O poste que se segue foi MESMO escrito na manhã de Domingo. As referências positivas não devem ser entendidas como agradecimento – para isso produziremos um poste próprio. (Cada poste, cada tema é o nosso lema... trá-lá-lá-lá.)

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Intermezzo,

Interrompemos a série de postes informativos para corar um pouco.

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domingo, maio 18, 2003

Blogosfera II – os metablogues,

Pode ser um defeito de formação ou o motivo que me levou até lá: gosto da dimensão meta dos discursos. Fascina-me tudo o que tenha a ver com metacomunicação, metalinguagem e todas as metas que querem dizer para além, uma dimensão explicativa que permite perceber uma outra que lhe é paralela.

Na blogosfera, encontramos os sítios dedicados única e exclusivamente aos blogues e que os tornam inteligíveis. O mais básico é o directório de blogues portugueses, que nos poupa o trabalho de filtrarmos o imenso caudal de blogues brasileiros que encontramos se procurarmos através do Google. O blogo dá jeito a quem prefere a informação sistematizada. Não estão lá todos os blogues, estão os novos e os que, supostamente, interessam. É preciso é aceitar a subjectiva hierararquização ou, simplesmente, relativizá-la. Com igual carga de subjectividade e ideal para os leitores com ligações menos disponíveis, há o posto de escuta – uma espécie de best of da blogosfera, actualizado diariamente.

Outros blogues no poste acima.

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Blogosfera I,

A propósito da edição dos blogues de ouro recentemente prenunciada num sonho do José Mário Silva do Blogue de Esquerda e a pedido de vários incautos leitores que aceitaram iniciar-se na blogosfera através da leitura do Ponto e Vírgula, dedico aos que nos visitam um conjunto de postes com intenções informativas.

Ao contrário do que podem pensar os nossos fiéis leitores, Ponto e Vírgula não é o único blogue em português e nem de longe será exemplo do que se faz na lusoblogosfera. Acho que o Ponto não espreita muito por aí, mas para mim, a leitura dos outros blogues é tão aliciante quanto a manutenção deste. Deve ser por isso que os blogues se tornam um bocado redundantes: este cita este, aquele responde ao outro. O facto é que com tantos itálicos, as aspas e linques, em cada passeio vou descobrindo mais um blogue que vale a pena acompanhar. O que aumenta consideravelmente o tempo de permanência diante do ecrã. Enfim, a selectividade impõe-se ao leitor e os critérios de qualidade, sejam lá quais eles forem, aos postadores de opiniões.

Como não gosto especialmente de postes longos, deixo para o próximo, o parágrafo da lincagem.

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sábado, maio 17, 2003

Vida encaixotada,

Estava farta de ter os meus livros guardados em caixotes e esquecidos em estantes alheias. Decidi assumir a errância e aderi ao bookcrossing. Vou à caça.

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Como disse?

Anotava discretamente num papelito os temas a abordar em postes próximos, quando fui surpreendida pela minha própria voz, incrédula — "reuniões individuais?". Afinal, tinha a cabeça no blogue, mas deixei um ouvido no formador. Aprendi esta semana que há dois tipos de reunião: a de equipa (com toda a gente) e a individuais (só com uma pessoa, além da outra). Pois bem.

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Hereditariedade,

O PC do meu pai é diferente do do teu. O my computer chama-se "o meu computador já está pago", o my documents responde por "os meus ricos documentos". O Windows reconhece a tradução criativa e pergunta: "quer guardar o ficheiro nos meus ricos documentos"?

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sexta-feira, maio 16, 2003

O declínio da civilização ocidental.

“(…)em Londres as t.A.T.u. tinham sido forçadas a cancelar as filmagens para o vídeo do single “Show me love”. A polícia londrina entendeu que o aglomerado de jovens que apareceram para as filmagens – mais de uma centena de raparigas vestidas em uniforme escolar (…) – podia perturbar a ordem pública e causar uma obstrução necessária às sessões a decorrer no edifício do Parlamento.” In Público Online, 14h45.

Portanto, deixem-me ver se percebi – as t.A.T.u., a dupla lésbica russa pop do momento, não pode filmar um vídeo em frente ao Parlamento britânico porque as mais de cem figurantes em uniforme escolar podiam perturbar as sessões a decorrer no próprio.

Francamente, não percebo em que medida é que duas adolescentes lésbicas e cem raparigas vestidas de colegial podem prejudicar a capacidade de trabalho de quem quer que seja. Agora, se fossem gémeas, eram outros quinhentos paus...

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(Não há) coincidências.

Ao passar numa banca de jornais, dei de caras com um dos suplementos do Correio da Manhã (escapa-se-me o nome, mas deve andar à volta do alto nível a que o CM nos tem vindo a habituar) com a Isabel Figueira na capa, a menina que andava aos saltos no último anúncio da MAXMEN e que agora anda aos saltos no “Domingo Fantástico”, o inenarrável programa da RTP1 que tem mais apresentadores do que convidados, produtores, câmeras e assistentes de realização, todos juntos.

Dizia a citação da menina, na referida capa: “Adoro o meu peito”. Isabel, se nos estiveres a ler, gostava que soubesses que temos, pelo menos, uma coisa em comum: eu também.

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Nesta data querida.

A efémeride assinalada ontem pela Vírgula e celebrada um pouco por esse mundo fora (relatos indicam uma festa underground de asteriscos em Nova Iorque e mesmo uma noite de vigília de travessões e hifens no Sul do Burundi) marca um momento único na história deste blog – se sobreviveu à primeira semana, daqui para a frente só paramos no Nobel.

Inspirado por este momento único, resolvi criar um hino do Ponto e Vírgula, um pouco à semelhança do que os alunos da Operação Triunfo fizeram tão brilhantemente com os professores e a Maria João. Ora aqui vai:

Plim, Plim, Plam, Plam
Somos a Vírgula e o Ponto
Plim, Plim, Plam, Plam
Amigos e pronto
Plim, Plim, Plam, Plam
Da gramática vamos tratar.
Plim, Plim, Plam, Plam
Nem que tenhamos que suar.

Plim, Plim, Plam, Plam
De Felgueiras a Bragança.
Plim, Plim, Plam, Plam
Sempre com muita pujança.
Plim, Plim, Plam, Plam
Com amigos à mistura.
Plim, Plim, Plam, Plam
E muita verdura.

Plim.

(Clap, clap, clap e outras onomatopeias afins.)

Parabéns a nós!

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quinta-feira, maio 15, 2003

Parabéns a nós,

Faz hoje uma semana que este blogue foi criado e publicado.

Presentes, críticas, felicitações e desprezo electrónico são bem recebidos. (Perdoem-me mas não vou lincar outra vez à nossa caixa de correio. Se quiser mailar, pique no pontapé.)

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Formação contínua,

Eu e o Ponto andámos juntos na Primária. Tudo menos política tinha aulas na sala em frente à minha, no tempo em que havia escolas C+S. O melhor aluno da minha turma do secundário juntou-se a outros putos e fez um blogue. Mas devo confessar que, de todos os ex-colegas, quem mais me influenciou no que aos blogues respeita foi o meu casto colega da faculdade.

Agradecemos aos referidos as referências.

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Duelo de titãs.

“Ségio Godinho e Marylin Manson lideram tabelas nacionais”, anuncia-nos o disco digital (www.discodigital.pt). Ao que parece, SG, com “O Irmão do Meio”, o álbum que assinala os seus 30 anos de carreira, lidera a tabela de ábuns e Manson, com “Obscene”, o primeiro avanço do seu próximo álbum, está no topo da tabela de singles.

Embalados pela curiosa coincidência (ou não…) que coloca estes dois monstros (um sagrado e outro só monstro) lado a lado nas preferências dos portugueses, decidimos, aqui no Ponto e Vírgula, lançar um desafio, em jeito de “descubra as diferenças”.

- Marylin Manson escolheu o seu nome artístico com base nos nomes de uma estrela de cinema (Marylin Monroe) e um famoso serial killer (Charles Manson). Sérgio Godinho não escolheu nada – aguentou-se à bronca com o nome que os pais lhe deram (podia ser pior, tipo Toni Carreira…).

- A imagem de marca de SG é o seu ar de revolucionário de esquerda aposentado. Por seu lado, a imagem de marca de MM é a de um perfeito camaleão – de álbum para álbum, Manson já passou por gótico facínora, anti-cristo decadente e grotesco assexuado. Venha o diabo e escolha.

- O feito mais marcante da vida de SG foi ter escrito algumas das canções mais emblemáticas da história da música popular portuguesa. O que MM fez que nunca iremos esquecer foi tirar umas quantas costelas para poder ter maior flexibilidade vertebral (mas porquê, senhores, porquê?!!?!?). Das suas músicas não reza a história.

Desafio os nossos atentos leitores (sobretudo os que acham que somos “ignorantes” e “imbecis”), a participar neste debate público essencial para o desenvolvimento socio-cultural deste blog e até, quem sabe, da própria blogsfera.

Conto convosco?

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Correio dos Leitores.

Serve o presente post para agradecer as várias (mais do que uma já conta como várias, certo?) mensagens que nos têm inundado o endereço pontovirgula@megamail.pt. Aos inúmeros apoiantes e detractores deste blog, gostaria de dirigir meia dúzia de palavrinhas de apreço e ódio.

1. Mãe, podes deixar de enviar mails com fotos minhas na banheira aos dois anos – já te disse que não as ponho no site.
2. Podes dizer à D. Rosete, à D. Albina e ao resto do teu grupo de tricot que podem parar de enviar o esquema do ponto-cruz. Renda de bilros é um sinal de uma herança cultural fortíssimo, mas ponto-cruz, mãe?…. por favor, que bichanice…
3. Aos leitores que se inspiram no Eduardo Prado Coelho para nos insultar, um grande bem-haja: é um deleite abrir a caixa de correio e dar de caras com um valente “pernóstico”.
4. Aos leitores que nos auguram um futuro a longo prazo, relembro que este tipo de iniciativas são como os pacotes de leite – têm um prazo de validade e, depois de expirar, a coisa começa mesmo a cheirar mal.
5. Aos restantes (leitores passivos, não-leitores e sim, mesmo você que está aí a pensar como é que pode enviar antrax pela ADSL), fica um forte abraço gramatical, com o desejo que se divirtam (quase) tanto a ler estes disparates como nós nos divertimos a escrevê-los.

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quarta-feira, maio 14, 2003

Vírgula responde II,

(Advertência: o título deste poste não contradiz em nada a última frase do anterior.)

Agradecemos (agradece, Ponto) ao leitor que nos compara ao Vinho do Porto (“com o tempo melhora”) pela esperança depositada no nosso blogue. Não precisa de acender a vela, nós não vamos tentar melhorar.

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Pernóstico,

Cola-nos um leitor cientista este bonito epíteto. A Vírgula reconheceu a sua ignorância semântica e foi descobrir o seu significado.
“Pernóstico, adj. o. m.q. prognóstico; pedante; espevitado; repontão; amador de palavras difíceis cujo sentido ignora e emprega mal.” (Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora, 6ª edição)

Caro leitor, não o adjectivo de volta. Pareceu-me que a sonora palavra não vai consigo (juro que gostei do som e não sei ainda se gostei de si). Entretanto, se me permite, escolho os sinónimos que me assentam melhor: espevito e reponto. Mas só quando não estou em formação, se não se importa. Ando um pouco abatida, por isso.

Este leitor dedica-se a estudar a prontidão das respostas (no ciberespaço, só?). Pavlov já tinha tentado. Não espere obter uma bolsa. Bons augúrios, ainda assim.

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Sem sombra de dúvida,

A Vírgula não é, de todo, Carlos. Muito menos Camila.

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Postes e marco do correio,

Informamos que mais leitores, devidamente, mas não tão identificados como um já citado, deram uso à nossa caixa do correio. A Vírgula agradece e acha que o Ponto também.

Gostava, contudo, de esclarecer quatro ou seis coisas:
1. O Ponto e a Vírgula são sinais livres e autónomos na blogosfera em geral e no seu blogue em particular. A liberdade de expressão estende-se ao uso da caixa de correio. Foi assim que ficou combinado.
2. A Vírgula prefere responder no blogue, tornando públicos a sua ira ou deleite. Se não pretende sujeitar-se a este tipo de exposição, advirta-nos, por favor.

(Lembro-me do leitor que nos dirigiu um hate mail e penso: será “advirta-nos” demasiado difícil ou um outro modo de conjugar a diversão?

Nota: Hate mail é uma classificação original do gato. Respeitamos a propriedade intelectual na blogosfera.)


Posto isto, vamos ao poste: em cima.

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Pode alguém ser quem não é?

O Ministério da Administração Interna alertou ontem a população portuguesa para uma nova ameaça: falsos agentes de autoridade que, sob o pretexto de operações STOP (simuladas), assaltam e extorquem os crédulos e incautos condutores.

O Ministério aconselha os condutores a, em última análise, quando travados por uma operação STOP que levante algumas suspeitas, trancarem as portas do carro e arrancarem subitamente, alertando o 112 do ocorrido.

Ou seja, deixem-me ver se eu entendi bem: se a polícia me mandar parar, obedeço, tranco as portas do carro, arranco e aviso a polícia. Isto é bestial. Da próxima vez que surpreender um polícia a palmar-me o auto-rádio, chamo quem, um agarrado?


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(Des)conhecido.

Em 1971, um conjunto de cientistas comportamentalistas levaram a cabo uma experiência de clausura, durante duas semanas, que ficou conhecida como “The Stanford Prison Experience”.

Cerca de 20 homens, divididos em dois grupos (guardas e prisioneiros), foram encerrados numa penitenciária simulada, onde o ambiente e as regras eram em tudo semelhantes aos de uma prisão real. O grupo de investigadores partiu de uma premissa assustadoramente simples: independentemente do nosso papel na sociedade, quando colocados numa situação limite, e encaixados num determinado padrão, o nosso comportamento torna-se errático e imprevisível.

Dois homens que podiam ser companheiros de longa data no exterior, três dias depois de estarem encarcerados encarnavam na perfeição os estereótipos do prisioneiro (submisso, revoltado) e do guarda (abusador, autoritário).

A experiência deu em filme, “Das Experiment”, alemão, incómodo, impressionante. Para os estudantes de psicologia, obrigatório. Para os restantes, um tratado no (des)conhecimento da mente humana.

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Alexandra, o ramo, por favor,

Serve o actual poste para apaziguar a ira do Ponto. (E não para anuir, como recomendam os manuais face à insanidade).

Querido Ponto, já passou: a parte boa da blogosfera é que as polémicas podem durar os postes que quisermos.

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terça-feira, maio 13, 2003

Portugal Atacado por Novo Surto de Desemprego.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2003

Mais de 40 mil trabalhadores já perderam o seu ganha-pão em 2003.

O agravamento do número dos portugueses sem trabalho coloca maior pressão sobre o défice orçamental, abala a confiança das famÌlias, diminui o poder negocial dos sindicatos, travando o consumo privado e dificultando uma retoma cada vez mais dependente dos humores da procura externa.


(Podem encontrar o resto da notícia em http://jornal.publico.pt/2003/05/12/SupEconomia/TEDEST01.html)

Se não conseguirem aceder ao link, não se preocupem - é que provavelmente é mais um fruto da minha prodigiosa imaginação...


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Confissões de uma mente mentirosa.

Eu, mentiroso, me confesso. Sim, porque devo mesmo ter mentido. Não é bem mentira, é um estado clínico a que o meu psiquiatra Dr. Albano Dias (imaginário, claro, como tudo o resto na minha vida) gosta de apelidar de “realidade paralela”. Ou seja, eu não minto, limito-me antes a relatar os acontecimentos (imaginados) que acontecem no meu universo (também ele, imaginado).

Logo, caro Leitor Devidamente Identificado e cara Vírgula, a culpa não é minha por ter cometido uma imprecisão (de acordo com os vossos relatos, claro). No fundo, o problema é que eu sou uma pessoa profundamente doente. E como toda a gente sabe, não se goza com os maluquinhos. Francamente….

Outra explicação possível para toda esta polémica é o princípio por detrás destes desencontros. Numa altura em que perdemos toda e qualquer capacidade de ter fé, na humanidade ou numa entidade superior, resta-nos a confiança e a credulidade. Mas, como toda a gente, “se eu não vi, é porque não aconteceu.”

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Última hora,

Este poste não era para sair hoje, mas a Vírgula obteve em primeira mão uma possível explicação para a miopia inventiva do Ponto. (Sic: a Vírgula não se responsabiliza pela expressão diminutiva da faculdade da visão). Adianta, pois então, a anónima fonte que o Ponto se delicia em Lisboa com a edição nortenha da coisa. Será?

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segunda-feira, maio 12, 2003

Ensinamentos,

Hoje aprendi que as verbas alocadas à gestão de um projecto podem representar 20 a 30% do seu custo total, sendo que esta gestão pode reduzir até 50% o risco de insucesso desse projecto.

Reduzir até 50%? Pergunto-me se valerá a pena. Se calhar é melhor perguntar também ao formador.

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Poste seguinte,

Sinto-a bem na pele, a dita crise. E estou inscrita no Centro de Emprego – provavelmente a contribuir para as estatísticas, no entanto, descansai, eventuais leitores: não recebo indevidamente o respectivo subsídio. Não recebo de todo. A verdade é que a minha precária situação laboral não é considerada uma situação de emprego. Se alguém duvidar eu mostro o meu IRS.

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Tudo contra o Ponto,

Querido amigo, parece-me que à razão não apetece mesmo estar do teu lado. Ou então, o teu estado final é realmente grave e impede-te de ver que és tu o único autor dos violentos ataques incrédulos à tua verdade.

(E eu que até queria começar por discutir sobre essa tua ideia de crise atípica. Ver poste seguinte.)

Entretanto, exponho ao Ponto e outros eventuais visitantes os contornos da polémica sobre a verdade. Na sequências das considerações pontuais acerca do aumento do desemprego vs. Páscoas tropicais, recebemos uma mensagem de um leitor devidamente identificado. Provando que a nossa caixa de correio funciona realmente, pergunta-nos, pertinente, o leitor devidamente identificado:

Esse ataque do desemprego foi mesmo onde? Tenho o diário comigo e a mensagem teima em não aparecer. Será do formato papel? Será que passámos a ter jornais personalizados? Onde cada um/uma lê aquilo que transporta no seu imaginário? Então amanhã a capa de um outro qualquer diário será "Reviravolta no Médio Oriente - Sharon demite-se e abre caminho para a paz com o estado palestiniano." LDI (Leitor Devidamente Identificado)

O Ponto, nesse mundo paralelo à blogosfera que é o msn messanger, indigna-se pela milionésima vez: como é possível duvidarem de mim, da veracidade do meu poste? Fiada nela (na veracidade), a Vírgula espreita o Público On Line: realmente nada. Acredita no Ponto, ainda assim. Mas apenas até ao momento em que se depara com o poste do Domingos (antes DM, agora DF), afixado no País Relativo. E então não é a que dita afixação versa justamente sobre a capa não citada pelo Ponto?

Ó Ponto, tens a certeza que não encontraste esse Público na casa de banho, onde ficou esquecido o mês passado?

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Crise atípica.

É capa do “Público” de hoje – “Portugal atacado por novo surto de desemprego”. Pergunto eu: com as viagens para os destinos tropicais a esgotar na Páscoa passada (pela primeira vez na história do turismo em Portugal), como é que se manifesta esta estranha doença a que chamamos “crise”?

Se é com um bizarro inchaço da conta bancária que nos permite ir 15 dias para Cabo Verde e pagar a conta da electricidadade ao mesmo tempo, alguém que me infecte, por favor.

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Reality Show.

Vi aqui há dias no telejornal uma peça sobre o regresso a casa da menina que foi baleada (na cabeça) enquanto brincava no recreio de um ATL. O autor dos disparos foi um outro menino, mais velho, que brincava com a arma de um guarda nocturno encontrada num carro destrancada (ao que percebi).

Depois de duas semanas de internamento em Santa Maria, a menina voltou para casa, devidamente acompanhada por uma dúzia de jornalistas e repórteres de imagem dos principais canais de televisão (por principais entenda-se os que têm mais audiência).

Ao chegar a casa, a criança (raisparta! não me recordo do nome dela… aliás ninguém se recorda do nome das vítimas, só dos criminosos, como nos relembra um genial Kiefer Sutherland em “Phonebooth”, a estrear em breve nas salas nacionais) deparou-se com um quarto totalmente remodelado e, pasme-se, com uma televisão só para si.

Já não bastava estar a recuperar de um coma causado por um tiro na cabeça, ainda é obrigada a ver televisão durante o período de convalescença? Pobre criança…

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Errata.

Para que fique bem claro, eu GOSTO da Operação Triunfo.

Vírgula, esta semana não és uma das nomeadas. Ficas na blogsfera.



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Por favor, não alimentem os animais.

A Operação Triunfo é um bestiário. Primeiro, porque é bestial mesmo - sim, vejo, adoro alhear-me com aquele misto de música má, vozes razoáveis e trivialidades boçais que a Catarina Furtado insiste em proferir. Depois porque naquelas singelas horinhas passa-nos pela frente de tudo um pouco – do mau ao péssimo, passando pelo horrível.

Ah, e não estou a falar dos concorrentes.

As saudades que eu tenho do Passeio dos Alegres…

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(in)Formação,

A Vírgula informa que a frequência dos postes da sua autoria diminuirá durante a semana que hoje começa e ainda na metade da que daqui a oito dias se iniciará. Motivo: formação do pessoal. Tomas conta disto, ó Ponto?

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Dueto,

Enquanto afixava os postes anteriores pareceu-me ouvir, ao longe, da sala onde está a televisão:

“Vírgula, tens evoluído bastante desde que chegaste à blogosfera, mas achamos que podes dar mais. Sobretudo, achamos que nesta tua última apresentação te esqueceste que estavas num dueto com o Ponto. E também que manténs os problemas com a tua colocação. Por isso, e porque achamos que há em ti uma Vírgula que ainda não conhecemos, é umas das nomeadas.”

Ai, Ponto. E agora? Salvas-me?

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Citações IV,

Agora a sério:

“Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.”
Raúl Seixas

Com o eco mental deste verso (de que gosto especialmente quando cantado pelo Ney Matogrosso), já conjecturei bastante sobre pessoas, ideias, identidade, opiniões, rótulos e rótulas. Ficam para um dia mais inspirado, as ditas conjecturas.

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Citações III,

Às vezes parece que não temos mesmo nada de jeito para dizer. Quando nem a nós próprios nos conseguimos convencer, não vale a pena insistir. Há tanta coisa já dita que só preciso embrulhar em aspas... Gráficas, sem o irritante gesto, limitadas à sua função sinalizadora, envolvendo o itálico. (Vírgulas a mais? As minhas desculpas: sem ideias e com necessidade de afirmação.)

Aqui vai disto, então:

“Não invente, vá ao Continente.”
Anónimo. (Não é certamente, mas desconheço até mesmo o nome da agência. Ponto?)

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Martini,

A solitária refeição do Gobern até a mim me fez perder o apetite. Não era suposto fazer crescer água na boca?

Um Martini, por favor.

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sábado, maio 10, 2003

Saudades do futuro.

Em tempo de recursos infinitos e acesso democrático às tecnologias (às novas e às outras), o recurso ao analógico, seja sob que forma for, é sempre louvável. Não interpretem o comentário anterior como saudosista ou (melancolicamente) nostálgico. É que às vezes sabe mesmo bem ouvir um velhinho Fender Rhodes a responder com insolente bravura ao atacar pungente das teclas por um músico apaixonado.

"I like to chill and watch a movie, eating popcorn the rest of my night..."

"Loopless", o álbum de estreia homónimo dos próprios (Hugo Novo e Kika Santos), está disponível numa loja de discos perto de si. Para os mais curiosos, a dupla e mais dois cúmplices passam pela FNAC do Colombo amanhã à tarde.

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Azia.

"Não gosto de dar por mim a suspirar que (...) trocava o suculento bife por esse mesmo ensaio namoradeiro."
"Não gosto do silêncio quando tenho palavras para dizer mas não sei fazê-las chegar ao ouvido da destinatária (...)"
"Não gosto de jantar sozinho, sobretudo agora que a comida sabe melhor cara a cara."
"(...) não desgosto de por as leituras em dia depois de vários (jantares) longe de ti."
"Não gosto da cadeira (...) vazia à minha frente."
"Não gosto de me lembrar que a perdiz (...) saberia inifinitamente melhor se os pudesse apresentar a quem cá sei."
"Gosto mais das datas porque gosto dela."
"Gosto dela. Não gosto que o verbo me pareça tão fraco e engelhado, comparado com o gosto dela."


Estas são citações, cara vírgula, retiradas da coluna do João Gobern no DNA de hoje. Tudo bem, não fosse o tema da dita, "Boca Doce", os prazeres da carne, da outra.

Alguém tem um kompensan que me arranje?

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Citações II (não somos egoístas),

O LFV também fala dessa espécie que também intervem na blogosfera que são os itálicos. Parece que o Blogue de Esquerda tem uma mão cheia desses, residentes.

"Além de gestos, as pessoas podem usar o tom de voz ou a postura do corpo para transmitir como seria a palavra se, em vez de dita, ela fosse escrita: um tom soturno denotaria uma palavra em negrito, uma inclinação do corpo denotaria que a palavra é em grifo, ou itálico."

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Recreio,

O meu Professor chamava-se outra coisa, mas eu chamava-o assim. No entanto, hoje não me apetece falar dele: chamava-nos xoné quando nos enganávamos nas contas e agora lembrei-me disso.

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Estados,

Estou convencida de que a relação entre os cidadãos e o Estado se baseia na mentira. O Ponto é insistentemente casado. A Vírgula divorciou-se recentemente. O Arquivo de Identificação afirma a pé juntos, nos respectivos BI, que o estado é Sol..

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Destinos,

Quem não tem viatura própria e anda de transportes públicos tende a chamar à zona onde mora o mesmo nome que vem escrito na testa dos autocarros. Esta tendência agrava-se quando se habita perto de paragens terminais. Tenho uma certa pena das pessoas que dizem morar no Cemitério de Benfica. Os que residem perto do dos Prazeres têm mais sorte. O que eu gostava mesmo era de viver no Porto. Há um autocarro (ou será um Troley?) que vai direitinho para Sonhos.

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Citações na blogosfera e mais além,

Podemos não ter leitores (o que não retira muito ao nosso gozo bloguístico, não é verdade, Ponto?), mas somos citados. Confesso que não esperava que o jovem blogue desse frutos assim tão rápidos. Diz, pois então, o blogo que temos interesse. A par de mais 67, é verdade.

Mais ecos nos chegam além da blogosfera, directamente do espesso semanário. Pronto, trata-se de uma aparição no suplemento Actual. Ainda assim, bolas, no meio da papelada toda, é melhor que o Imobiliário. Chegaremos, um dia, ao caderno principal. Diz, Do lado de lá, Luís Fernando Veríssimo:

"Confesso que tenho uma certa implicância com as pessoas que fazem aspas com os dedos." (Nem o Ponto, nem a Vírgula o fazem. Ainda não é aqui que se fala de nós.) "Mas já me disseram que o hábito é uma apropriação de sinais escritos pela fala que pode ser a percursora de outras formas de integração da linguagem. Por exemplo: três estocadas do indicador no ar no fim de uma frase, significando reticências, ou uma rápida meia lua com o dedo, talvez acompanhada de um ruído qualquer, como 'suish', para mostrar onde entrou uma vírgula. Estocada e 'suish', ponto e vírgula".

"Estocada e 'suish'" lembra-me cozinha de fusão — deve ser bom, um prato brasileiro com peixe crú à mistura.


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Efemérides efémeras.

Ontem comemorou-se o Dia da Europa. Em época de alargamentos, é essencial debater as implicações socio-económicas desta nova europa, sobretudo no que diz respeito ao papel de Portugal enquanto parceiro comunitário credível.

Enquanto o debate não começa, vou comer um Euro de chocolate.

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sexta-feira, maio 09, 2003

Esclarecimento.

Para que fique claro: eu também consigo ser sério. Bolas, até uso óculos.

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Quando ainda não tocava para intervalo.

Eu tive um professor quando era pequeno que se chamava Zé. Hoje ainda se chama Zé e, apesar de estar mais longe da primária do que gostaria de imaginar, o Zé continua a ser o meu professor. E o mais engraçado é que quando tiver rebentos, e quando os meus rebentos tiverem idade para ser alunos, de facto, do Zé, o Zé ainda vai ser o meu professor. Ó Zé, como é que eu resolvo isto?

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Trocas?

Troco a liberdade televisiva pela blogosfera.
Troco "O Coração Malandro" pelo blogue recomendado pelo Professor.

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Constitucionalidades.

Mudei de ideias - para além das vergastadas, proponho como castigo por ter vista desafogada a obrigatoriedade de assistir, de enfiada, aos discursos completos de Mota Amaral na AR. Sim, incluindo o do "Artº 69? Curioso número este...".

Quem é que precisa de vista quando se tem liberdade televisiva...?



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Vista para o Barreiro,

Não posso deixar de reparar no tom irritado do Ponto. Não percebo, da casa dele vê-se tão bem o parque de estacionamento. É um parque tão simpático que há pessoas que, depois do jantar, gostam de lá ficar, nas viaturas, sozinhas, a ouvir música.

Será posível ver no irritado poste um ponto de inveja das janelas com casa, ali para os lados de Santa Apolónia?

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Naquela janela, virada para o raio que os parta.

Quis o destino, os semáforos e a vontade de ver o rio, que me dirigisse para oriente hoje à hora de almoço, ali para os lados de onde a Bárbara Guimarães faz aquelas fabulosas entrevistas pessoais e instransmissíveis.

Ao passear a vista, reparei na vista que algumas criaturas que por ali habitam têm de suas varandas (são tão chiques que se devem chamar “balcony”….) e janelas.

Possuído por um intenso espírito democrático decidi que, quando for Primeiro Ministro, vou penalizar as pessoas com vista desafogada – assim à razão de uma vergastada por cada 10 metros sem prédios à frente. Ora bem, ali para os lados de Santa Apolónia, era até sangrar o nalguedo.

Numa demonstração de inigualável disponibilidade e espírito de sacrifício, ofereço-me, eu próprio, para aplicar o castigo. Além disso, a Bárbara está mesmo a pedir umas palmadas….


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Necas.

Também não vou revelar a tua ocupação profissional, mas acho que está na altura de partilhares com o mundo as maravilhas do transformismo. Bolas, o SG até escreveu uma música sobre isso! Deve ser uma profissão altamente cotada nos meandros blogoculturais...

"E a Vírgula que julgou que era cantora..."

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Direito ao bónus,

Informamos que, durante a tarde, este blogue funciona no nível três. É tramado ter que editar todas as alterações ao formato normalizado do texto em html. Não é justo castigarem-nos pelas opções desviantes do nosso patronato que recusa o PC.

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Génese séria do blogue,

Não vou revelar a minha ocupação semi-profissional, mas adianto que é reduzida no tempo e criatividade que requer e sui generis por isso mesmo. A maior parte das vezes passo toda a minha curta jornada de trabalho sem fazer nada. Contudo, um imenso rol de condicionantes impedem-me de ouvir música ou passear-me, flaneusse, pela Web.

Tudo mudou quando o Imac que uso no local de trabalho foi premiado com uma rapidíssima ligação adsl. Na verdade, tudo mudou, também, na véspera disso, num jantar gentilmente oferecido pelo bloguista Tiago. Passei, no dia seguinte, a curta jornada de trabalho a descobrir o maravilhoso mundo da blogosfera portuguesa. Em cliques supreendentemente rápidos encontrei algum palavreado sem interesse, mas confesso que ao que achei mais piada foi o primado dado à escrita e às ideias. Do que resultam, algumas vezes, boas ideias ou boa escrita. Ambas, com sorte. (Abstenho de linkar, rasgados elogios se seguirão neste ou noutros postes.) Como gosto de escrevinhar e tenho poucas ideias, quando reencontrei o Ponto desafiamo-nos mutuamente para um dueto em blogue com actualizações vespertinas. Ei-lo, mudando tudo no meu quotidiano profissional a meio tempo.

Eu gostava que este fosse um blogue sério. Por uma data de razões: porque o Ponto tem muito mais piada que eu; porque desde que uso sempre óculos a seriedade fica-me bem; porque gosto dos blogues com coerentes e fundamentadas opiniões sobre o mundo e o meu blogue gurú é o da esquerda. Acho que não vamos conseguir, o Ponto não vai ajudar. De qualquer forma era importante dizer que gostava muito que este fosse um blogue sério e que aspirava ao diálogo com outros blogues camaradas. Ou não.

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Banda sonora,

Eu, como não tenho carro, costumo andar com o Discman. Sou é incapaz de ouvir um álbum novo no autocarro. Já não basta esquecer-me das paragens com o velhinho Tindersticks I... Marx não sabia: há dias em que a música também aliena.

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Should have met you in the 80's.

Andar de carro é uma das coisas mais simultaneamente bestiais e estúpidas com que o quotidiano se lembrou de nos presentear. No entanto, é um tubo de ensaio para cd's novos - se soam bem no carro, é amor para a vida. Se pensarmos bem, naqueles minutos (horas, para quem apanha a IC19...), a nossa atenção é (quase) total, se excluirmos os gestos mecânicos inerentes à próprio condução (e sim, excepto o Alberto João Jardim, a maioria dos homo sapiens tem a capacidade de fazer mais do que uma coisa ao mesmo tempo...).

Hoje de manhã ouvi “The 80’s”, um elogio aos próprios na voz de David Fonseca. Estava no carro. É amor para a vida.

"Sing Me Something New", o álbum a solo de David Fonseca chega às lojas na próxima segunda-feira, dia 12.



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quinta-feira, maio 08, 2003

As armas e os barões assinalados.

Vírgula do meu coração, fazes a minha existência de ponto ter um outro sentido. Sinto-me agora mais completo, complexo e com nexo. Sinto-me mesmo capaz de pontuar os "Lusíadas".

Ah, e em relação à outra, já descobri tudo: a Felgueiras é que é o terceiro segredo de Fátima. Porra, e eu que sempre pensei que fosse a chave do totoloto...

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E depois do dia 13?

Há bocado estava ver o Telejornal e reparei que durante a reportagem episcopal em Fátima os rodapés só falavam de Felgueiras. Fez-se luz. A Fátima Felgueiras não só se livrou do azar de presidir a Coina, querido Ponto, como foi agraciada com um dos nomes de Nossa Senhora, o que lhe permite agora imiscuir-se, anónima, na Peregrinação.

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Pontos de interrogação,

Não percebo porque é que não vejo os meus postes e tenho uma dúvida quase existencial. Se escrevo "blogue" devo ou não escrever "poste"?

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A Vírgula,

A Vírgula hoje sente-se como o Jardel. Talvez tenha sido da temperatura estival do dia, do adiantado da hora a que terminou o jantar em que este blogue foi mais ou menos acertado ou, é bem provável, da cor que o Ponto lhe quis dar. A Vírgula falará hoje na terceira pessoa. (Pode ser da solenidade do momento, também.) A Vírgula deixará aqui as suas intenções este blogue e para o ano de 2003 (há algumas que ainda são válidas). Foi o que ficou combinado.

- A Vírgula não tentará ter piada. Rir-se-á das piadas do Ponto. Sempre foi assim.
- A Vírgula não procurará esconder a sua incultura televisiva, mas assobiará para o ar sempre que houver referências a séries de culto que desconhece (quase todas).
- A Vírgula resistirá veementemente à tentação de tornar públicos os seus desencontros afectivos.
- A Vírgula pontuará pequenas ideias, em tamanho e significado, acerca do mundo real e da blogosfera.
- A Vírgula nem sempre dará resposta às farpas do Ponto.
- Outras vezes, sim.
- A Vírgula não se importa que corrijam a sua inadequada posição.
- A Vírgula não se inibirá de usar o ponto. Muito menos de abraçar adversativas.

A Vírgula será bem menos parva, certamente, que no post inaugural, mas hoje não conseguiu resistir. Ainda bem que é possível editar os posts...

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Em terra de cegos.

"O primeiro-ministro, Durão Barroso, anunciou esta quinta-feira na Assembleia da República, que Portugal vai enviar para o Iraque «uma companhia da GNR», de 120 elementos «para colaborar com a segurança» no país."

Rumores indicam que Saddam Hussein está, neste momento, a procurar novo esconderijo, em resposta à iminência da sua captura (quase certa, aliás), provocada pela "caça ao homem" que a nossa GNR vai, seguramente, encabeçar.
De acordo com uma fonte anónima (cujo nome começa por "di", acaba em "al" e as letras do meio são "ário digit"), o ex-dirigente do Iraque confessou-se "ahmed al kazam" (algo como "borrado de medo") com a chegada do contingente luso ao seu país. Sabe-se também que o stock de minis deste estado islâmico se encontra, desde ontem, absolutamente esgotado.

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A falibilidade dos números.

Apesar dos visíveis esforços por manter os novos temas em segredo, "Hail To The Thief", o novo dos Radiohead já anda por aí nas mailboxes de meio mundo. A abertura do famigerado sexto álbum de originais da banda de Thom Yorke cabe a "2+2=5", uma prova dolorosa como as feridas que inflige de que as verdades matemáticas já foram mais infalíveis.

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Não há coincidências?

Qual é o nível de probabilidade que permite que uma autarca tenho o mesmo apelido da cidade de cuja câmara municipal é presidente? Sorte da Fátima em ter perdido as eleições para Presidente da Junta de Freguesia da Coina...

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A importância de ser ponto.

Sou um ponto. Final, quando usado por si (mim) só, expectante quando em grupos de três, exemplificativo se estiver em pares e ao alto. O meu papel no mundo gramatical é, indubitavelmente, primordial. Apesar da importância que me é reconhecida, nem sempre me sinto respeitado. Escritores de craveira internacional e lóbulos da orelha bem lusos têm-me prestado as mais lisonjeiras homenagens, usando e abusando de mim em frases de alto gabarito:

Só. Sinto-me só. Porra. Porque é que ninguém me compreende. Afinal, sou um homem. E os homens precisam de sexo. Porra. Muito sexo. Compreensão. Foda-se, onde é que eu pus a minha cerveja?

Por outro lado, há quem receba nóbeis (leia-se "nó-beich") e me ignore, pura e simplesmente, optando por narrar momentos de intensidade dramática, como o acasalamento do pardal de bico pardo, em cinco páginas sem qualquer tipo de pontuação. Mas como me sinto melhor é mesmo acompanhado pela minha melhor amiga, a vírgula. Oh, quando nos juntamos os dois é um fartote, uma barrigada! Partimos textos por tudo e por nada, não o conseguimos evitar – às vezes, parecemos o “Boletim Paroquial do Salesianos”, com tanta ideia encadeada…

Sou um ponto, sem final, e estou à espera da vírgula para poder partir este texto. Vírgula?

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