A pontuar desde 2003.

segunda-feira, junho 30, 2003

Post piegas.

O enetation é responsável por um feito fabuloso - aproximar-nos, de uma forma inédita, de quem nos lê. Obrigado, enetation e muito obrigado aos nossos amigos das caixinhas aí de baixo. Sim, até ao Fábio.

Vemo-nos por cá?

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Se ainda não viu este filme, devia ser deportado.

Esta é dedicada exclusivamente ao nosso amigo Fábio.

”Citizen Kane” - Rosebud é um trenó.

Mais um serviço público com o selo exclusivo Ponto e Vírgula.

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(Another) marriage made in heaven,

Impõe-se um aviso: escreve neste blogue uma incondicional fã da banda de Stuart Staples. E também uma fã incondicional de Lhasa de la Sena - voz sem igual que editada, em 1997, no álbum La Llorona, que não se deixa facilmente encontrar por aí. Somos a mesma.

Saber novas de Lhasa é bom. É, como sempre que admiramos alguém que mal conhecemos, esperar o ainda melhor, a surpresa. As novas dos Tindersticks, seis álbuns de originais e três concertos depois, recebo-as recostada na cadeira, preparada para mais um reencontro feliz.

Alguém fez a gentileza de me avisar, antes eu eu lesse aqui, que duas das melhores vozes dos últimos anos se iam ouvir lado a lado, em mais um casamento perfeito. Lhasa pode não ser tão bonita como Isabella Rossellini (o toque feminino do "Curtains", na faixa A marriage made in heaven), mas o canto da Llorona pode levar, também os que a ouvem, às lágrimas. Espero para ouvir. A-céptica.

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domingo, junho 29, 2003

Carteira profissional,

Na última vez que visitei uma exposição (dessas de fotografia, dispersas por Lisboa durante este mês), lembrei-me de perguntar se havia alguma espécie de desconto. Respondeu o rapaz dos bilhetes, com indignação disfarçada, que só para funcionários da câmara, do IPPAR, ou jornalistas. Estive quase a dizer: tenho um blogue e vou escrever sobre isto, mas receei que o username e password do blogger não substituíssem documentos palpáveis.

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Spoilers e sentido de humor – uma curta dissertação sobre a liberdade na blogosfera.

Diz-nos um LDI, na caixinha aqui de baixo referente ao post “Se ainda não viu estes fimes...”, que contar o final de um filme é “assassinar bons momentos de aculturação (...)”. Presume-se que o Fábio saiba o significado da palavra “aculturação”, uma vez que a empregou com tamanha veemência e convicção. Assim sendo não percebo em que medida é que contar o final de um filme (como parte de uma piada) pode ser descrito como um acto de adaptação a uma nova cultura. Mas isto sou eu e o meu mau feitio, amigo Fábio.

Para além disso, eu, o Ponto, sou descrito como “um sujeito sem sentido de humor, (que) só consegue provocar reacções na plateia com estes posts fuleiro-extremistas”. Ora, aqui, há que concordar com o Fábio – eu sou um sujeito sem uma pinga de sentido de humor, um provocador barato e uma pessoa extremamente “fuleira” (que deve ser parecido com foleira, mas pior, suponho eu).

Para além disso, e em jeito de estocada final, como que a desferir o último golpe na presa mortalmente ferida, este LDI acrescenta que o destaque que nos é dado na revista Visão desta semana (uma foto, uma pequena caixa e um parágrafo, num texto muito bem escrito e ainda melhor documentado) é imerecido. Vamos, então, por partes.

1. Revelar a estrutura, o enredo ou o final de um filme, quando este é surpreendente ou quando, ao longo da narrativa, a acção sofre um inesperado “twist”, é “fuleiro”, não se faz nem ao nosso pior inimigo (excepto, talvez, ao PRD...) e tem um nome – spoiler. Ao contrário das curvas de plástico que decoram as traseiras dos automóveis mais apetrechados, e que, calculo, se pretende que aumentem a performance dos ditos, estes spoilers não cortam o vento – cortam, isso sim, o genuíno prazer do cinéfilo. Por isso, há que distinguir entre uma tentativa de piada (eu bem tento, Fábio, eu bem tento...) e uma deliberada e maquiavélica cabala da minha parte contra os pobres leitores deste blog de má fama. De qualquer maneira, e para demonstrar que eu não sou só um sujeito mesquinho, rectifico o post da polémico com um bem visível “ATENçÃO: SPOILERS”, linguagem com que qualquer cinéfilo deverá estar familiarizado.

2. No que toca ao “destaque imerecido” na revista Visão, o meu amigo Fábio tem toda a razão – com a qualidade de uma grande parte dos blogs que povoam este universo em construção permanente (um gigantesco “work in progress” – é estrangeiro, Fábio, uma coisa que os “novos ricos intelectuais” recorrem com frequência para esconder uma pobreza de espírito assustadora) a pautar-se por um nível muitíssimo elevado, é, de facto, uma injustiça que o Ponto e Vírgula façam parte de uma elite a que foi dada a oportunidade de dissertar, mesmo que em meia dúzia de linhas, sobre este empolgante fenómeno.

O único motivo pelo qual o Ponto e Vírgula marca presença no dito artigo é a vontade dos seus autores (do artigo) de ver representado no seu trabalho jornalístico as opiniões de uma larga fatia de habitantes da blogosfera – os anónimos.

Ao leitor Fábio, espero que tenha vistas esclarecidas as suas dúvidas e que volte a visitar-nos em breve – “no hard feelings”. Aos restantes, pedimos desculpa, mas a blogosfera tem esta possibilidade infinita e muitíssimo democrática que dá pelo nome de “direito de resposta”. E eu conto recorrer ao meu, sempre que me parecer necessário.

As parvoíces do Ponto e o lirismo da Vírgula, num post já de seguida.

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Mea culpa, mea culpa.

(Leia-se ao som de violentas vergastadas nas nádegas ensanguentadas deste vosso escriba).

Alerta-nos o Leitor Devidamente Identificado (LDI), Tenente Blueberry, para um erro factual no post “Laços familiares improváveis”. É que, como nos recorda o magala, Norah Jones é filha de Ravi Shankar, também ele um vulto maior da “world music”, de facto de raízes indianas, e não de Nusrat Fateh Ali Khan (do vizinho e conhecido inimigo Paquistão).

Ignorância, falta de informação e confusão geográfica terão estado na origem deste equívoco. Ao contrário do senhor do bolo rei, eu farto-me de me enganar e maldito seja o dia em que deixe de cometer erros.

Um abraço e um grande bem haja ao nosso Tenente preferido.

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Se ainda não viu estes filmes, também já não vai ver. (ATENÇÃO: SPOILERS)

“O Sexto Sentido” o gajo está morto.

“Os Suspeitos do Costume” – foi o coxo.

“Os Outros” – a gaja está morta.

Se isto não é serviço público...

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Digno do Meu Pipi.

Ali na marginal da Costa da Caparica, onde em tempos se julgou estar uma estância balnear e agora se passeia um subúrbio como tantos outros, mora um “bar lounge” (como nos indica a placa luminosa) com ar modernaço, faias nas paredes e Philipe Starck nas cadeiras. Ora, digo eu, um espaço que se pretende ser um oásis no meios de cafés gordurentos ensimesmados, merece um nome igualmente ambicioso e imponente. Mas qual?

Noites sem dormir e milhares de blocos de notas depois, ei-la, a denominação que vai fazer história nas noites da Caparica – Mastro Bar. Reparem que, quer lido depressa ou devagar, a coisa não melhora. Já não bastava mastro, ainda tinham que acrescentar o bar (um “café” não surtiria o mesmo efeito?) para o onanismo ficar completo.

Bom, pelo menos já sabemos onde é que O Meu Pipi vai passar a ir beber um copo...

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Laços familiares improváveis.

Só uma educação genuinamente liberal pode permitir que Norah Jones, a multi premiada “kid genious”, pianista e cantora de jazz delicodoce (escola Diana Krall, mas sem o fumo na voz da mesma), seja filha de Nusrat Fateh Ali Khan, o principal responsável pela divulgação mundial da música de raiz indiana.

Nusrat já não está entre nós mas a sua alma perpetuou-se na diversidade. Poderá haver uma melhor forma de tocar, mesmo que de soslaio, a eternidade?

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Engates esquizofrénicos.

Enquanto era mais um bloguista anónimo, todos os nossos leitores (e sobretudo, as leitoras) podiam especular sobre o meu perfil grego, os meus ombros de estivador, as minhas mãos de pianista ou a minha barba de George Clooney. Agora que sou um bloguista anónimo, mas com uma cara de parvo associada, a única comparação possível será comigo mesmo. E, convenhamos, é concorrência desleal.

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Anónimos com nome próprio,

Diz Nelson de Matos, a propósito do anonimato na blogosfera:

Os blogues, em amplos sentidos, pretendem ir mais longe do que a chamada comunicação tradicional. Ora esta não é anónima. Por que é que nós havemos de defender aqui o anonimato ?

Estou plenamente de acordo com a primeira frase. Realmente, parece-me ser uma característica da blogosfera (mais até que uma pretensão) o "ir mais longe". Creio que isso tem, sobretudo, a ver com as possibilidades da ferramenta que usamos. O blogger, ou outro qualquer que o substitua, permite-nos a edição pessoal em tempo quase real e interacção com o leitor que dispõe dos mesmos meios que o bloguista (no limite, resta-lhe criar o seu próprio blogue; foi o que fizemos por aqui, fartos de apenas ler.)

Quanto à defesa do anonimato: assumindo que não aplica o termo no sentido em que aparecia na reportagem da Visão (autores de blogues com nomes desconhecidos, isto é projectados apenas neste espaço público e não no outro, dominado pelos media), parece-me não há nada em perigo, nenhuma dama a precisar de ser salva pelos encapotados pelos nicks. Mas também não há nada a atacar, se este anonimato for usado em doses aceitáveis. Esconder-me atrás da Vírgula para o insulto, não me ficaria nada bem (quando, distraída ou tresloucada, o fizer, é só porem o dedo no ar e avisarem-me disso); por outro lado, nada de essencial muda se souber o nome completo desta que aqui escreve. Só por isso não o revelo. (Pelo menos, para já.)

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sábado, junho 28, 2003

Tradução simultânea, por favor,

This may take a few minutes, if you have a large blog.

Isto é o que o New Blogger me diz, durante a meia-hora em que não publica os meus postes. Gostaria de saber o que entendem estes senhores por few minutes e/ou large blog. Até esclarecer esta minha dúvida, estou dependente do Ponto para a publicação dos postes que deixo acumulados nos bastidores.

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Momento lírico,

Os versos menos tristes que desencantei no livro abaixo referido. (É, como a música da Adriana, um conjunto de poemas sobre alguém que saiu, fechou a porta e deixou o vazio.)

É no momento que encerra a beleza de um gesto
que se prolonga a vida —

Na carne afeiçoada à mão apagam-se os sinais
de antigas fogueiras: o dilúvio do amor
veio lavar as cicatrizes deste mundo; e as pregas
de um rochedo que desafia o génio das marés
não lembram mais do que uma concha amarrotada

Agora pode pintar-se o retrato do vento
no esquadro da janela. O tempo não se mexe.
A vida, por um instante, é enorme.


Maria do Rosário Pedreira, O Canto do Vento nos Ciprestes, Gótica, 2001

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De raspão, a blogosfera e a imprensa,

Na edição de hoje do DNa, o Pedro Rolo Duarte mostra-se atento, generoso e coerente, quando presenteia os leitores do suplemento com uma dezena de citações de postes, publicados em blogues anónimos ou não, originados pelas Impressões Digitais da semana passada —"A blague dos blogues". Qualquer frequentador assíduo da blogosfera já tinha lido mais de metade destes postes até quarta-feira passada (e o tempo passa a correr por aqui). Percebo que a maior parte dos leitores do DNa não leia os blogues; afinal, como têm dito reportagens e bloguistas, não devem ser muito mais que um milhar, os que seguem a blogosfera. Ainda assim, dei comigo a pensar: na blogosfera, quando o conteúdo de um poste parte do publicado na imprensa, vai geralmente além disso. Os restantes media ainda não fazem muito mais do que citar o já postado. Para quem lê blogues, não é uma mais valia. Se formos cada vez mais, como se prevê, é preciso que os media tradicionais encontrem uma forma melhor de dialogar.

Tenho lido publicadas por aí reflexões interessantes sobre a relação entre a blogosfera e a imprensa, sobre a identidade dos blogues. Vale a pena lincá-los, para isso reservo já um poste. (Guarda, Ponto.)

As minhas desculpas ao Ponto e seus leitores por estas incursões meta-bloguísticas. A Vírgula voltará, brevemente, ao relatório de exposições fotográficas, numa seriedade que não envergonha a outra metade deste blogue.

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False mirror,

Ainda sobre o último olhar de César Monteiro, linco para aqui .


O Pai Itálico é mesmo pai e é da Vírgula.

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As nossas caras à luz do dia,

Agora que uma foto real do Ponto e Vírgula, no canteiro, nos retirou do anonimato total, pergunto-me (e a ti também, Ponto) se é legítimo mantermos este nosso canto. Não estamos a roubar o lugar a ninguém, pois não?

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Gramaticalmente incorrecta,

É verdade, eu uso no mesmo poste e, eventualmente, na mesma frase a terceira e a primeira pessoa. Singulares, eu e a Vírgula, vamos aparecendo em modo alternado. Ainda nenhuma de nós aprendeu a lidar com o indisciplinado alter-ego — uma da outra.

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Axioma du jour.

O Diário de Notícias de sábado pode causar danos irreversíveis na coluna vertebral.

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2 milhões.

A acreditar nos órgãos de comunicação social, em Portugal há mais pedófilos que assinantes da TV Cabo.

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Conversas a que gostávamos de ter assistido (mas que, infelizmente, nunca tiveram lugar).

Pouco tempo depois do êxito retumbante de "A Vida É Bela", com o auge da exposição mediática nos Óscares de 2001, Roberto Benigni foi convidado a visitar Sua Santidade, o Papa João Paulo II. Avesso a comportamentos padronizados, reza a lenda e os relatos de quem lá esteve que "Johnny Palito" saltou para o colo do Papa e encheu a autoridade máxima da Igreja Católica de beijos carinhosos. Aqui no Ponto e Vírgula, gostamos de pensar que a conversa terá sido mais ou menos assim.

Papa: Figlio mio, entra e senta-te aqui a meu lado.
Benigni: Papo! (Corre na direcção do Papa e salta-lhe para o colo, enquanto o beija efusivamente) I am so happy that I want to make love to you!
Papa (dirigindo-se para o Cardeal do Vaticano): Ouve lá, este maluco tá com ácidos, não?
Benigni: Ó santo padre, que alegria poder finalmente beijá-lo!
Papa: Sim, meu filho, idem, idem - dá só para tirares o cotovelo do meu rim? Bolas, esquece, já não tenho rins! E esse "Pinóquio", que tal corre?
Benigni: Uma merda, papo, uma bela merda. As pessoas são estúpidas, não percebem que é concretizar de um sonho de criança! Que injusto! (chora).
Papa (novamente dirigindo-se ao cardeal): Olha-me este merdas a sujar-me a batina com ranho... é a última vez que convidamos um italiano para cá vir, porra!

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sexta-feira, junho 27, 2003

Derbie familiar,

Passava de uma margem da Segunda Circular para a outra, pela ponte pedonal, quando fui abordada por um grupo de pessoas. Cerca de sete, de idades várias, homens e mulheres. Pediram-me que lhes tirasse uma fotografia de família, em pose aproximada da equipa de futebol. Sem bola, mas com o Estádio da Luz, ou o que vai ser, no fundo. A Vírgula clicou. Já estava escuro e do estádio pré-visualizamos pouca coisa. Depois contaram-me: era um jogo de pista organizado por um familiar, em modo derbie — numa equipa agrupavam-se os encarnados (por mim fotografados) e noutra, os verdes. Percebi, então, que acabara de ajudar o clã adversário das minhas simpatias.

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Justificação de faltas,

Disse a mim mesma (e esqueci-me de avisar o Ponto) que não escreveria aqui enquanto não conseguisse tirar as interrogações no meu nome. Consegui-o apenas em parte, mas achei que era tempo de voltar. E, como o novo blogger não trouxe só coisas más, deparei-me à chegada com algumas novidades. A minha opinião sobre elas:

- O Outro Pai Itálico (que também é mesmo pai e é do Ponto). Postou e bem, por isso o saúdo. E além de saudar, desafio: venham daí os irmãos; os tios dos utilizadores da TMN que nunca ninguém viu; os outros sinais de pontuação; os outros colegas da primária. Invadam a caixa do pontapé (finalmente com acento) e corrijam as nossas calinadas ou opinem na respectiva caixa.

- A respectiva caixa. Era um sonho nosso desde que criámos o blogue, ter uma caixa de reclamações. Finalmente, realizado. E não é que a Zazie foi a primeira, afoita, a estrear a nossa sala nova? Bem-vinda. Acolheremos calorosamente todos os que se atreverem a seguir a comentadora oficial da blogosfera. (Mas, por favor, evitem os emoticons, sobretudo se estes que disponibilzamos forem animados. Eu que não opino sobre o lay out aqui do nosso canto, não cheguei a tempo de impedir a praga dos risinhos amarelos. A bem do meu humor, recorram ao tradicional e, se quiserem ser especialmente cordais, usem o ;) .)

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A (verdadeira) nova democracia.

Se o html não nos atraiçoar a vontade, a partir de hoje os leitores do Ponto e Vírgula já podem estar um pouco mais próximos dos seus mentores (seus, do blog e não dos leitores), graças ao "enetation" e a esta maravilha que são os comentários em tempo real. Se a blogosfera é o mais interactivo meio de comunicação de massas dos últimos anos, toca a encher as caixinhas aí de baixo com insultos ao Ponto (agora que já se sabe que sou pequenino e uso óculos, aproveitem) e elogios à Vírgula (os Marretas já deram o primeiro passo).

Esta sim, é a nova democracia.

(Imaginem a minha voz grave, profunda, suportada por trompas, não de falópio, triunfantes que entoam Handel e Vivaldi - bolas! devia ter ido para político).

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Limpezas de Verão.

A braços com esta maravilha tecnológica que dá pelo nome de "enetation" ou, em linguagem de leigo, "caixinha dos comentários", não estranhem se o Ponto e Vírgula se assemelhar à Feira do Relógio a um domingo de manhã - é tudo sangue, suor e lágrimas.

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Should have met you in the 80's.

E se os Joy Division, os Jesus&The Mary Chain, os The Cure e os Culture Club se juntassem por um dia, um dia apenas, e compusessem um tema, for old times sake? Tiramos então o chapéu aos Death In Vegas por em "Hands Around My Throat", do mais recente "Scorpio Rising", nos terem levado numa visita de estudo até aos verdadeiros anos 80, aqueles que valeram a pena.

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Vaidade, Geografia e Belgais.

"A humildade pode bem ser um privilégio dos vaidosos. É que, com frequência, a dita mais não é do que um atalho para a resignação, um refúgio para a pequenez, a expressão medíocre da cabeça entre as orelhas e dos braços caídos (ah... mas com a língua em actividade constante...). Quem merece a admiração dos outros por ter contribuído, com a inegável qualidade do seu trabalho intelectual ou manual, para o prazer dos outros e, quantas vezes, para o reconhecimento colectivo, pode verdadeiramente ser humilde? Sim, se não despejar jactância e assumir com merecido orgulho a vaidade pela obra realizada.

Vem isto a propósito do sublime "Concerto do Solstício" que, sob o tema "O Japão" reuniu em Belgais, no passado sábado, Maria João Pires, a pianista Mika Akiyama e o Tokyo Ensemble, entre outros. O espaço magnífico, quase místico e o Concerto para Piano e Orquestra nº 2 de Chopin tocado pela sensibilidade, lirismo e técnica irrepreensível de Maria João quase fizeram esquecer a canícula (43º).
Acabada a primeira parte do concerto, fomos para intervalo, como se costuma dizer em jargão televisivo ( só que neste caso deslocámo-nos, efectivamente, 20 metros e não creio que na tv saiam todos do estúdio...). O jantar (yakinori) confeccionado pela orquestra de cordas (!) foi-nos servido pelas ditas Maria João e Mika Akyiama. Que mais posso dizer sobre vaidade e humildade?

Já agora : esquerda e direita são designações necessárias para distinguir realidades ainda e cada vez mais nucleares. Molière dizia que os pensamentos são os retratos das coisas e as palavras os nossos próprios retratos. A esquerda é o retrato da emoção e da solidariedade, a direita o da razão e da caridade. Não há blogues nem vidas não politizadas. Há afirmação mais política do que a da não politização? A propósito: quem foi a única oradora da segunda manifestação ocorrida em Lisboa contra a bárbara invasão do Iraque? Maria João Pires... que só tem razões para sentir vaidade."


O Outro Pai Itálico.

O Outro Pai Itálico é mesmo pai e é do Ponto.

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Grandes obras da humanidade.

Aqui há dias o Gato ZDQ chamava-nos a atenção para o maior feito artístico da carreira de Carlos Alberto Moniz - a sua filha, Lúcia. Zé Diogo, acrescento: não só CAM criou a Lúcia como ainda, uns anos mais tarde, não satisfeito com a sua primeira obra, nos presenteou com o ópus da sua carreira, a Sara. Muitos de vocês estarão a pensar: "estará ele a falar da loirita com ar de sonsa?". Digo eu - essa mesma. Por mais que procure a sofistificação e um doutoramento em "Heidegger VS Kant: O Triunfo da Hegemonia Cultural", acaba sempre por me escapar o pé para o chinelo, que é como quem diz, uma sopeirita com ar de sonsa.

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A palavra do demo.

"Proponho, humildemente, aos nossos media, emendarem um erro histórico: prestem alguma atenção aos blogs não-politizados, muitos dos quais, sejamos justos, já cá andavam antes desta vaga mais mediática." Assim reza (rezará, o Diabo?) um post recente de Mexia no seu Dicionário. E não é que já estava na altura de alguém como o Mexia mexer na ferida? É que esta história de dividir a blogosfera em esquerda/direita, sob o pretexto de estarmos a assistir ao renascer de uma ágora, no sentido de núcleo de debate ideológico, é tremendamente injusto. Então e os outros pobres diabos (desculpa, Pedro, não resisti) que destilam talento e, acima de tudo, pertinência por todos os poros e que parecem passar ao lado dos media e, pior, da curiosidade dos cibernautas?

Digo eu que, para além do debate político (riquíssimo e muito mais profundo na blogosfera do que nas sedes de partido), este nosso universo é fértil em ficção, poesia, humor, factos, ensaio e, melhor que tudo, às vezes, no mesmo blog. Quem é que precisa de política quando temos a blogosfera?

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quinta-feira, junho 26, 2003

Pure genious.

"The last time I've been inside a woman was when I visited the statue of liberty".

Senhoras e senhores, ainda e sempre, o maior génio da comédia de todos os tempos, Woody Allen.

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Correio dos leitores.

Perdoem-nos o entusiamo, mas hoje foi a primeira vez em quase dois meses de vida que recebemos três mails no mesmo dia (se exceptuarmos uns quantos "hot asian babes", um ou dois "nanny safety camera" e pelo menos cinco "do you wanna get easy bucks?!!"). Como não caibo em mim de contente (é que emagreci 2 kgs na semana passada, e a euforia ainda não aprendeu a encaixar-se neste novo invólucro), gostava de deixar aqui um forte abraço aos amigos que nos ajudaram a devolver a pontuação ao Ponto e Vírgula (parece um pleonasmo, bem sei, mas é um alívio) e outro ao nosso leitor devidamente identificado Eduardo Barata Correia, que nos referencia como "uma bela companhia antes de deitar".Eduardo, não se preocupe - não é só a si que damos sono, parece que é um mal geral.

Antes de, provavelmente, ter adormecido em cima do teclado, o Eduardo ainda tem tempo para nos fazer corar assim : "Continuem a pontuar (e a virgular) na blogosfera!".

Por si, caro amigo, tudo.

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E o prémio vai para.

Sem obstáculos de monta, como equipas de olhanenses a bloquear o caminho na piscina com cabeças de gigantone, estes nossos jogos com fronteiras alcançaram a notável proeza de ter não um, mas dois-vencedores-dois, num justíssimo empate técnico. Serenella?

Pois é, Eládio, nesta complicadíssima prova de destreza cibernética, cujo objectivo máximo seria devolver alguns caracteres perdidos ao Ponto e Vírgula, os nossos concorrentes Inês, do Conversas de Café e o caríssimo LT do Ter Voz são, indubitavelmente, os grandes vencedores, com direito a uma solene vénia das duas velhas carcassas do Ponto e Vírgula, para além do nosso prémio habitual: um grande bem haja, seguido de um obrigado e, por fim, uma inclusão certeira na lista de blogs amigos.

Por hoje é tudo, não voltem a juntar-se a nós amanhã, em mais um Jogos Com Fronteiras.

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Jogos com fronteiras.

Lanço então, na consequência de tão infeliz acidente gramatical, um desafio à blogosfera e atentos leitores - será possível escrever posts inteiros, consistentes, interessantes, relevantes, em português, sem recorrer à pontuação? Tentativas e erros, na caixinha lá de cima.

É nestas alturas que um Ponto sente o seu ego verdadeiramente massajado.

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Teoria da conspiração.

Confirma-se - numa vergonhosa tentativa de boicotar a galopante escalada do Ponto e Vírgula na blogosfera nacional, os senhores do Blogger retiraram-nos o direito a todo e qualquer tipo de pontuação. Sim, podem dizer-me que é uma coincidência, que a grande maioria dos blogs foi afectada, mas é mais um infeliz caso de "paga o justo pelo pecador". Ok, vamos fazer um esforço para reduzir a qualidade e pertinência das nossas missivas e, em troca, vocês prometem devolver-nos o prontuário - deal?

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Acentuação caprichosa à escolha do freguês,

Consigo colocar os acentos na caixa do pontapé, mas não sem perdermos alguns os acentos graves e o til. Queiram os nossos visitantes votar na opção mais confortável e notificar-nos devidamente por aqui.

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Urbano-depressivo.

Qual aspersor, qual quê - poesia em movimento é uma FAMEL a sacar um rater às sete da manhã mesmo à porta de casa.

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quarta-feira, junho 25, 2003

Sonoridades urbanas,

Nos jardins da cidade, os aspersores de relva fazem as vezes das cigarras no que ao canto diz respeito. São boa companhia também porque trazem, em círculos, o cheiro da terra molhada. Isto se na geometria dos bancos verdes não falhar a horizontalidade de uma ripa.

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E à minha esquerda...,

Ainda a Adriana Calcanhotto. Não gostei de algumas coisas no concerto, sobretudo, as que se passaram em frente ao palco e não em cima dele: as palmas descompassadas sobre as músicas e os isqueiros acesos só porque a letra falava de partidas e do cheiro nos livros, por exemplo. Mas gostei, e muito, do modo como a Adriana apresentava os músicos que a acompanharam. Roubo-lhe o modo e apresento, de novo, o Ponto.

Assunto;
objecto;
questão;
matéria;
estado de questão;
ensejo;
conjuntura;
altura;
instante;
momento;
estado actual;
situação;
fim;
termo;
mira;
acção;
pundonor;
grau.

É giro. É meu amigo.

A lista vertical foi picada na minha mais útil bengala na actividade bloguística: esta.

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Problema fonético,

Confundo Ali Farka Toure com Nusrat Fateh Ali Khan.

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Post-it.

A meio gás, e com um discurso algo diferente, o Ponto está de volta e adverte que foi contagiado pela doença da terceira pessoa. Vemo-nos na blogosfera.

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Filhos da mesma mãe – uma viagem ao mundo de Ali Farka Touré III.

Ao contrário da maioria dos afortunados em países do terceiro mundo, Ali não trocou o Mali por uma paraíso à beira-mar plantado nem por uma cosmopolita capital europeia. Aliás, com o dinheiro das digressões e das vendas dos álbuns, Farka Touré comprou cerca de 30 hectares de terreno perto de Niafunké, onde plantou macieiras, mangueiras, goiabeiras, laranjeiras e outras árvores de fruto – tudo para contribuir, mesmo que de uma forma pouco mais do que simbólica, para o desenvolvimento da sua terra natal.

Agora, a caminho dos 70, Touré afirma peremptoriamente que os seus destinos futuros não irão passar pela música, a arte em que se notabilizou. É que chegou a altura de se dedicar à família, à sua terra e ao Corão. A avó de Ali, feiticeira da aldeia, dizia que o petiz tinha o diabo no corpo. E é isso que sentimos sempre que a melodia do “farka” nos desafia a transgredir os nossos instintos mais cristãos.

Louvado sejas, Ali.

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Filhos da mesma mãe – uma viagem ao mundo de Ali Farka Touré II.

Cinco anos sem gravar depois, e com uma exposição mediática internacional muito além de qualquer expectativa, Touré volta a pegar na carrinha que conduziu como motorista durante anos a fio para percorrer o caminho de volta ao sítio onde tudo havia começado – 18 horas depois, ei-la, mais acolhedora que nunca: Niafunké.

Explica Ali que Niafunké é uma reinterpretação do nome original da cidade que o viu crescer, no norte desertificado e ostracizado do Mali. Niafunké é, na realidade, Niafoidié, a expressão num dos dialectos locais para designar os nativos, e que significa “filhos da mesma mãe”. E foi junto dos seus irmãos que o músico decidiu gravar “Niafunké”, a derradeira homenagem à génese de todo o som. Armados de guitarras, instrumentos tribais, amplificadores e material de captação de som, Ali e os seus músicos escolheram uma mesquita abandonada como estúdio – e dez dias depois nascia o tão aguardado regresso do mais célebre agricultor do Mali.

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Filhos da mesma mãe – uma viagem ao mundo de Ali Farka Touré I.

Os três posts que se seguem nasceram do fascínio do Ponto pela vida e obra de Ali Farka Touré, um génio maior da música do Mali e um sobrevivente, e foram baseados num documentário do canal francês ARTE transmitido ontem na TV2, ao final da tarde.

Ali Farka Touré nasceu Ali Touré, no Mali, perto do início dos anos 40, mas a longevidade – é o único homem sobrevivente de uma ninhada de 10 irmãos – acrescentou o “Farka” ao nome de baptismo. “Farka” que, num dos 4 dialectos que Ali domina com fluência, significa “burro” – lembremo-nos então da longevidade extraordinário de tão menosprezado animal. Decicido a contrariar a associação semiótica mais comum do fiel amigo de quem no campo labuta, este Touré inscreveu o Mali no mapa da cultura musical mundial.

Descoberto por Ry Cooder, o génio por detrás de fenómenos como “Paris, Texas” (será possível imaginarmos a obra-prima de Wenders sem os sons desérticos e desertificantes de Cooder) e “Buena Vista Social Club”, Ali Farka Touré rompeu as fronteiras do seu Mali natal com “Talking Timbuktu”. Nesta parceria com o músico americano, Touré domestica os seus “blues” profundamente rurais e constrói um conjunto de canções que parecem agradar a milhões de melómanos em todo o mundo e ao grupo de jurados que atribui os “Grammys” – é que “Talking Timbuktu” ganhou, em 1995, o prémio de melhor disco “world music”. Depois de tão impressionante feito, surgia a inevitável questão: e agora, Ali?

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terça-feira, junho 24, 2003

História da cantadeira cantada,

Conta a sedutora como foi seduzida (menos feio que engatada) com uma frase que a “impactou” para toda a vida. Tinha treze anos e foi em Porto Alegre. Era tão pálida quanto hoje se apresentou no Coliseu e um rapaz, com um tom de pele bem contrastante, enquanto ela passava, desencostou-se da parede para lhe dizer: “e se puséssemos o preto no branco”.

Deveremos a esse piropo o último álbum de Adriana Calcanhotto?

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CANTADA,

Depois de ter você
Pra quê saber
Que horas são?
Se é noite ou faz calor
Se estamos no verão
Se o sol virá ou não
Ou pra que é que serve uma canção
Como essa?

Depois de ter você
Poetas para quê?
Os deuses, as dúvidas?
Pra quê amendoeiras pelas ruas?
Para que servem as ruas
Depois de ter você?


Adriana Calcanhotto, 2002, Cantada

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EU ESPERO,

Entre nós
O desejo
Entre nós
Nosso tempo

Não vá me deixar
Sem seu beijo
Se tudo o que é
Não é muito mais
Do que o momento

Quanto mais
Eu te quero
Mais sei esperar
Eu espero


Adriana Calcanhotto, 2002, Cantada

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Mais calafrios que rimas fáceis,

Adriana mentiu-nos, a todos os que a ouvimos esta noite no Coliseu dos Recreios. Não é verdade que seja uma teórica da sedução, é realmente inigualável na arte da cantada. As rimas da Adriana Calcanhotto não são tão fáceis assim, mas os calafrios dos que a ouviam aparentemente impávidos, sentiram-se na sala. Mais nas músicas da saudade do que nas da cantada. Talvez por isso, depois de ter cantado como tal a Mulher Barbada, de ter vestido uns bonitos cornos de lantejoulas, foi com um xaile preto que se despediu da plateia portuguesa (e portugueses balcões, camarotes e galerias).

Parece que os nostálgicos da nossa terra continuam a deixar-se tocar mais pela dor da partida do que pela surpresa de uma história que começa. Eu prefiro transcrever os versos dos inícios, num momento não menos bonito do show. Os postes seguintes são patrocinados pelas edições Quasi.

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segunda-feira, junho 23, 2003

Um dia sim, outro dia não,

Fui desafiada a assistir, gratuitamente, ao concerto da Adriana Calcanhotto num jardim público de Évora. Ossos do ofício impediram-me de aceitar. Hoje, num rápido telefonema, oferecem-me um bilhete para o Coliseu.

Os comentários seguir-se-ão aos aplausos.

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Uma imagem e as palavras,

Vergonhosas – eram assim as legendas da exposição abaixo postada. O mal começava no texto introdutório: o corpo de letra pequeno e estreito, as linhas demasiado juntas e com uma extensão para lá do razoável, tornavam a leitura penosa. Ainda assim, como acho que as explicações textuais são motivadas e pertinentes, superei a prova. Dizia-se ali que as imagens eram comentadas por palavras, ora as do fotógrafo, ora retiradas do meio onde haviam sido publicadas. Pena é que não pudéssemos distinguir um caso do outro. Mas, enfim, admitamos que se tratava de um erro importado, já que a mostra é, ela mesma, uma importação do International Center of Photography. O pior, o pior de tudo, estava nas traduções. Se spider é traduzido por "arranha", podemos admitir que se trata de uma gralha, demasiado entusiasmo no uso do teclado... agora fazer derivar "estreia" de "histeria" parece-me grave. Não me espanta, perante isto, que se continue a usar o já gasto lugar comum que diz que "uma imagem vale mais que mil palavras".

Com palavras destas, prefiro ficar só com as imagens.

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Fotografias,

Weegee (1899-1968) foi o nome com que Artur H. Fellig assinou a fotografias que captou em Nova Iorque, nos 30 e 40. Um vasto conjunto destas imagens pode ser visto na mostra patente no Palácio da Ajuda, integrada no Lisboaphoto. Estive lá, vi e gostei do que vi. Gostei menos do que li, é certo. E é justamente ao visto e ao lido que dedico as linhas abaixo e o poste acima:

As fotografias de Weegge estão na encruzilhada da fotografia policial com a fotoreportagem. Como se a câmara chegasse à cena do crime ou da tragédia, logo a seguir ao acontecimento. A indicialidade da fotografia no seu expoente máximo – o "isto foi", como lhe chama Barthes n'A Câmara Clara – constitui a principal marca das imagens que Weegee nos dá a ver, provas (eu diria mesmo "judiciais") de alguma coisa que acabou de acontecer. De destacar a intuição do fotógrafo (provada ela mesma por uma fotografia) que, por vezes, lhe permitia chegar ao sítio certo e captar o momento a seguir à hora exacta. De destacar também a mais indicial de todas as imagens ali expostas: uma fotografia tirada logo após um acidente de automóvel, comentada com um quase poste: "resta apenas um sapato". Vê-se parte do carro e, junto à roda, um sapato. Descalçado, perdido. Atrás, constrastando com a escridão dominante, uma mão demasiado branca, abandonada, que pertence a um corpo vivo que não identificamos.

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domingo, junho 22, 2003

Privação,

Para parte incerta, falo com o Ponto. Anuncia-me que a sua participação no blogue na semana a iniciar será imprevisível e inconstante. Pedimos desculpa aos fãs pontuais: a Vírgula ficará a tomar conta da barraca.

Não venhas tarde, querido.

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sábado, junho 21, 2003

A direita que o pariu.

É curioso como os mesmos argumentos com que a maioria dos bloguistas defendem a blogosfera, nas mãos do Pedro Rolo Duarte, serviram para a achincalhar. Será a isto que se chama "interpretação"?

Cá para mim, e com tamanho talento para defender causas em que não acredita, o PRD devia era ir para o CDS/PP.

E isto era uma ofensa.

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Modas,

Que moda é esta da invocação e louvor da humildade?

A humildade tem vindo a ser designada, cada vez mais, como qualidade máxima: "devemos ser humildes"; "ele, além do mais, é humilde"; "faz as coisas com grande humildade, o que só lhe fica bem e lhe reforça o mérito"; "digo aos meus jogadores para irem para o campo com respeito pelo adversário e muita humildade".
Porque será que a humildade está a ser promovida? Falsa modéstia ou exercício de poder? Eu sei que o conceito poderá ter raízes ancestrais. Bíblicas, cristãs: "quem se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado".
A vaidade é assim uma coisa tão má? Para fazê-la passar é necessário disfarçá-la do inverso?

Eu tenho alguma vaidade nestes pensamentos sobre a humildade.


O Pai Itálico é mesmo pai e é da Vírgula.

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Colaboração externa,

Escreve, acima, o Pai Itálico sobre a humildade. Por aqui, achamos que é por falsa modéstia que não cria o seu próprio blogue.

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Agradecidos,

Afinal, acabam por ser quatro, os postes.

Ainda assim, temos que agradecer ao Director do DNa, a reserva legal na hipótese da legislação sobre blogues: seríamos premiados com a possibilidade de criar um, visto que não temos espaço próprio nos meios de comunicação. Que sorte.

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Pau de dois bicos,

Quando diz do Ricardo Araújo Pereira que é "gente anónima e cheia de raiva", Pedro Rolo Duarte posiciona-se num destes dois lugares (e qual deles o mais desconfortável):

1. Ou o não lê as fichas técnicas das produções dos fictícios e o Jornal de Letras que tem, amiúde nas suas crónicas, usado com bom exemplo (onde o Ricardo colaborou, visivelmente, soprando vento fresco no dito quinzenário, aqui há uns anitos).

2. Ou o Pedro Rolo Duarte sabe perfeitamente quem é o dito gato e finge ignorá-lo. Depois de acusar os bloguistas-jornalistas de "negarem a essência do seu trabalho e viciarem o jogo da liberdade".

E assim, não fica viciado?

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Understanding Media,

Porque este não é definitivamente um blogue sério, vou escusar-me de teorizar demasiado. Apetece-me, contudo, achar que Marshall McLuhan está bem menos desactualizado do que se costuma dizer. Sobretudo quando pensa acerca dos media como prolongamentos do nosso corpo — não são poucas as analogias que se podem estabelecer com a teoria do ciborgue, a esse propósito. Fica para outro poste. Do pensador interessa-me agora a outra máxima: a que diz que "o meio é a mensagem". Não se escreve da mesma maneira uma carta, um postal, um e-mail ou SMS. Não se escreve da mesma maneira num blogue ou num jornal. Felizmente. Enquanto leitora, a Vírgula agradece.

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Erro de paralaxe,

Ao ler o DNa de hoje, pareceu-me, como a muitos outros certamente, que o seu Director, Pedro Rolo Duarte, se sentiu atingido pelas críticas que têm sido postadas ao suplemento aqui na blogosfera. Podia ter escolhido responder a algumas delas, às mais sérias — não foram muitas, já que o que predominou foi o tom jocoso. Aqui no Ponto e Vírgula, por exemplo, as crónicas do João Gobern têm feito as delícias do Ponto, sem outra inspiração ao fim-de-semana, quando regressa da praia. A Vírgula não comenta. Como não comentaria as Impressões Digitais, a abrir a publicação que me fez muitas vezes levantar mais cedo ao Sábado (eram outros tempos, não confundir o emprego do pretérito com uma represália de leitora ofendida) se não fossem tão violentas. Podia, então, o PRD ter respondido às críticas apontadas e defendido a sua dama. Não lhe ficava mal. Mal, ficou-lhe o estrabismo com que disparou. Errou o alvo porque as críticas mais cáusticas, mas mais inócuas também por serem publicadas num blogue humorístico e em tom de brincadeira, foram lançadas pelo badalado Ricardo Araújo Pereira e a restante equipa do gato. E quem foi atacado na crítica resistente de Pedro Rolo Duarte foram os bloguistas-jornalistas (ou colunistas). Mesmo os que com ele trabalham.

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Advertência para a dose tripla,

Seguem-se três postes sobre "A blague dos blogues", crónica de Pedro Rolo Duarte publicada hoje no DNa. O leitor que prefere os postes humorísticos do Ponto tenha a bondade de subir e saltar o erro de paralaxe, McLuhan e pau de dois bicos. O leitor que queira acompanhar a polémica pode espreitar o poste de Luís Filipe Borges, no blogue dos que desejam casar. Mais completo, mais coerente e muito mais engraçado que esta nossa série de postes (pelo menos, até que o Ponto chegue).

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sexta-feira, junho 20, 2003

Profissionais em acção.

Aqui há uns anos atrás, quando me entusiasmava a perspectiva de escrever sobre música, e muito antes de se sonhar com a criação de uma blogosfera, decidi contactar os senhores do "Disco Digital", o site de música do "Diário Digital", a publicação online encabeçadapor esse progressista que dá pelo nome de Luís Delgado. No mail que enviei recordo-me de ter falado, por alto, da minha paixão pela música, referindo a minha experiência de meia dúzia de meses numa publicação do género. Para além do curriculum, achei por bem apresentar a minha visão sobre a política editorial do referido "suplemento", acrescentando que, "aparentemente, como a maioria dos vossos colaboradores é amadora, presumo que estejam receptivos a colaborações externas".

Meses depois (porque é que a importância de que as pessoas se revestem se mede pelo tempo que demoram a responder aos mails, telefonemas, etc?), recebo uma missiva, em jeito de telegrama, que dizia, mais coisa, menos coisa, "todos os colaboradores do Disco Digital são jornalistas profissionais". Entretanto, passaram uns anos, volto a espreitar o "Disco Digital", à procura das últimas no mundo da música, em português, e só consigo pensar em todas as acepções possíveis da palavra "profissional". E confesso que nenhuma delas é particularmente elogiosa.


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Paradoxos cinéfilos.

Ainda no que toca à estreia de "Vai e Vem", do malogrado César Monteiro, tenho uma palavrinha a dizer - um tipo cujo alter-ego fazia colecção de pêlos púbicos só pode ter sido uma pessoa profundamente doente.

Onde é que se compram bilhetes?

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Listen very carefully.

Pelas mãos de um amigo melómano e curioso (em toda a ambiguidade que a expressão permite), descobri hoje um cavalheiro alemão que dá pelo nome de Maximilian Hecker, um ex-modelo agora convertido em songwriter. O disco em questão chama-se "Rose", está em escuta na FNAC, arrumadinho na secção "Alternativo" e é um verdadeiro bálsamo no combate à pop "bubble-gum" e ensimesmada com que esbarramos no airplay diário.

Para os cépticos, seguem meia dúzia de nomes para dissipar as dúvidas - Sigur Ros, Rufus Wainwright, Coldplay, Jay Jay Johansen delicadamente temperados com a voz de um anjo tornado homem. Coisa séria, portanto.

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A césar o que é de césar.

Gostaríamos de deixar bem claro que, aqui, no Ponto e Vírgula, não cedemos a pressões ideológicas, políticas e muito menos económicas (mas se alguém quiser contribuir para a nossa causa, não recusamos um pequeno incentivo - contribuição dedutível nos impostos, ao abrigo da lei do mecenaro cultural, bem visto está.). Não idolatramos deuses, líderes nem sequer o Bill Gates. No entanto, há quatro figuras que consideramos serem a génese da nossa linha editorial e às quais gostaríamos de prestar a devida homenagem. Além disso, é mais do que tempo de referir o papel preponderante que a Edite Estrela e os três jarretas do "Acontece" (sobretudo aquele que parece o Marx depois da dieta do frango) ocuparam e continuam a ocupar nos destinos da nossa língua.

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Descoberta du jour.

Apesar das animosidades, não sobram dúvidas de que o Ricardo Araújo Pereira é o filho há muito desaparecido do Pacheco Pereira. Para além do interesse obscuro que ambos parecem cultivar pelo comunismo, o apelido em comum é a prova conclusiva.

Mais descobertas fascinantes em breve, num blog perto de si.

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Fim de somatização,

Acabo de ler na tradução simultânea a notícia do fim da psicossomática. Foi o primeiro blogue que o nosso Professor nos recomendou. Nós lemos, mas, infelizmente, não deixámos de somatizar por isso. A blogosfera vai ressentir-se da ausência deste divã.

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Amor às artes,

Goste-se mais de livros ou de filmes, vale a pena ver o último de João Cesár Monteiro, que se estreia hoje. E ler, antes ou depois, o que sobre ele diz o Pedro Mexia na extinta coluna.

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O Pai Itálico e o último César,

Os livros não são para ler. Fazem-me companhia e dão menos trabalho que um cão.

Foi esta frase do João César Monteiro que eu ouvi no rádio. Eu também acho. Isto da
cãozoada é uma gaita.


O Pai Itálico é mesmo pai e é da Vírgula.

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Olá-fresquinho,

Uma boa iniciativa, esta do blogo que disponibiliza uma lista de blogues ordenada cronologicamente por actualizações. Poupa visitas vãs que, nos tempos que correm na blogosfera, constituem um verdadeiro obstáculo à boa navegação.

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Blogues no éter — best of,

O melhor relato da edição desta semana do "Escrita em dia", o programa do recém bloguista Francisco José Viegas desta feita dedicado à blogosfera, está aqui. Mas no Ponto e Vírgula não nos limitamos a lincar e fomos tomados pelo furor classificativo a que aderiu o José Pacheco Pereira (mesmo depois da interessante crítica a este tipo recurso discorrida no abrupto aquando das "Notas sobre as escolas de jornalismo político", no mês passado). A Vírgula, tomada pelo dito furor exclusivamente pelo seu lado positivo, destaca o melhor da prestação dos bloguistas presentes.

O melhor momento do Nuno Costa Santos (autoetiquetado como "novo rico da blogosfera") aconteceu quando questionou a imposição do tom humorístico nos blogues. (Gostei especialmente: tendo em conta a profusão dos postes do Ponto, só me resta rir, entregar as armas e dedicar-me às relações públicas. Lido mal com a pressão.)

O melhor momento do Pedro Lomba aconteceu quando relatou como era atropelado por postes na rua. (Quando é que se pode lincar de novo este Pedro?)

O melhor do momento Pedro Mexia aconteceu quando revelou o lugar diabólico da sua carreira a solo.

O melhor momento do Zé Mário foram dois. O primeiro aconteceu quando chamou a atenção para a qualidade da prosa na blogosfera. O segundo, quando nos lincou, discretamente.

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quarta-feira, junho 18, 2003

O VERMELHO E O VERDE,

— De que cor é o vermelho?
— É verde.

— Quem é o teu pai
— É o revisor do comboio para a lua.

— O que é a loucura?
— É um braço solitário sorrindo para os meninos.

— Quem é Deus?
— É um vendedor de gravatas.
— Como é a cara dele?
— É bicuda, com uma maçaneta na ponta.


Da Antologia do Cadáver Esquisito (Mário Cesariny, Assírio e Alvim, 1989)

Também temos momentos líricos no nosso blogue.

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Reunião de Direcção,

Ponto, querido, temos que rever esta coisa da distribuição de lucros: ando a trabalhar demais. Com a assessoria de blogue e as RP como queres que produza postes genuínos?

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RP,

Perdoem-nos os blogues que nos lincam. Aqui o Ponto e a Vírgula são distraídos e às vezes nem reparam. Ou julgam que andamos para aí a saltar de blogue em blogue, só para espreitar os linques amigos? Há blogues que lemos diariamente, há blogues que lemos em dias alternados e blogues de fim-de-semana. Outros haverá em que nunca nos lembrámos de entrar. Não é o caso do País Relativo, onde fui descobrir este singular blogue lincado entre todos os que estão para além da esquerda e da direita. De facto nunca nos metemos nessas coisas da lateralidade política na blogosfera: que posicionamento podia ser coerente com a minha condição de Vírgula ou a condição dele, Ponto? A verdade, falo por mim agora, é que também não me parece muito bem andar para aí a tomar posições radicais sob pseudónimo. E se o Ponto revela quem é uns postes abaixo, aqui a Vírgula acha que ainda é cedo para esse solene momento.

No Ponto e Vírgula os postes de RP nunca são tão extensos. Antes da saída, agradecemos ainda o linque do Mar Salgado que nos arrumou simpaticamente na "boa onda".

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Citação,

Aqui no Ponto e Vírgula achamos que todos têm direito a ser citados. Seja qual for o conteúdo da citação.

Eis, então, a frase captada pela RTP, durante a visita "Obra Aberta" à Casa da Música, no Porto. É da autoria de um cidadão que para nós ficou anónimo (já custa tanto ter que ouvir o Telejornal, por favor, não nos obriguem a olhar para o ecrã e ver os SMS passar, com as vírgulas mal colocadas e pontos a fazer de olhos):

"Vai ficar uma obra excepcional, depois de pronta."

Terá sido por todos saberem disso que não foi preciso inaugurá-la em 2001? Nem em 2002, nem em 2003. Se calhar, não é preciso acabar a obra. Já vimos as plantas, a maqueta e os andaimes confirmam agora: a excepcionalidade a haver.

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Conversas a que gostávamos de ter assistido (mas que infelizmente nunca tiveram lugar).

Miles Davis passeia como um deus, pela brisa da tarde, e cruza-se com Chet Baker, algures no paraíso dos génios musicais toxicodependentes. A conversa teria sido mais ou menos assim.

Miles: Hey, my funny valentine…
Chet: There you are, so fuckin’ cool, always miles ahead.
Miles: Sing for me, Chet, sing me “Autumn Leaves”.
Chet (sussurando): “The falling leaves, drift by my window…”. Now give me some “Flamengo Sketches”..!
Miles: Tuuutttuuu…. Tuuuuu….tuuuuu….
Chet: E se fôssemos comer uns caracóis, pôr a conversa em dia..?
Miles: You've just read my mind, Chet...


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Identidade.

Em relação à questão da privacidade no mundo virtual, e ao anonimato que permite um conjunto de abusos (ou de liberdades, depende do ponto de vista), quero deixar bem claro que não tenho problemas nenhuns em revelar aqui que o meu nome é Ivgani Briukvich, sou pianista num bordel em Belgrado e o meu maior sonho é conseguir juntar dinheiro suficiente para poder alugar um anexo em Massamá.

Os comboios embalam-me.

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Dealers gramaticais.

A resposta à tão frequente questão "Onde é que andam aquelas pessoas todas que andaram a meter ácidos nos anos 60?" é, de facto, muito simples - andam na blogosfera, alguns a criar blogs (O Meu Pipi) e a grande maioria delas a ler o Ponto e Vírgula.

Recebemos mais uma missiva de um leitor, que nos apelido de profusos (agradece, Vírgula), e que nos recorda um par de coisas desagradáveis - mais concretamente, o João Gobern e os seus pêlos vistos (a droga era boa...). Apesar disso, engraçei com o bicho. Um abraço azul, como tu.

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Pequenas revoluções.

Hoje estou solidário com a greve dos CTT. Não há blog para ninguém.

C-G-T-P-uni-da-de-sin-di-cal!

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terça-feira, junho 17, 2003

Etimologia,

Cadáver esquisito — jogo de papel dobrado que consiste em fazer compor uma frase ou um desenho por várias pessoas, sem que nehuma delas possa aperceber-se da colaboração ou colaborações precedentes. O exemplo, tornado clássico, que deu o nome ao jogo, está contido na primeira frase obtida deste modo: o cadáver-esquisito-beberá-o-vinho-novo.

Do "Léxico" da Antologia do Cadáver Esquisito (Mário Cesariny, Assírio e Alvim, 1989). A definição virá com certeza de uma das três fontes ali nomeadas. Como não adivinho, rigorosamente, qual, fico-me por aqui na remissão.

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Cadáveres esquisitos,

Sabíamos muito pouco sobre o Surrealismo. Chamávamos-lhes simplesmente histórias e quase pensávamos que a invenção era nossa — suspeitávamos, sem insistência, que não. Ocupávamos com elas, as histórias, os intervalos das declinações nas aulas de Latim. Ou as tardes em casa de um de nós, acompanhando com batatas fritas congeladas e maionese caseira, primorosamente confeccionada tendo em vista o desenvolvimento do acne (um mal que partilhámos, entre outros).

Nas aulas, as folhas de linhas, arrancadas ao dossiê ou desviadas do fim do caderno, circulavam clandestinas, dobradas sobre as linhas escritas por quem as estendiam. Antes, os jogadores eram convocados por gestos convencionados e olhares cúmplices. "Queres entrar na história?" Aquelas em que o Ponto entrava, falavam de desamores, paixões impossíveis, intensos afectos.

Voltei às histórias anos mais tarde, mantendo-me do lado de lá do texto, com a Antologia do Cadáver Esquisito, compilada pelo Mário Cesariny e editada pela Assírio e Alvim (1989). Ouvi ler "Alguns provérbios e não" e outras criações ortodoxas ou heterodoxas, na Praia Grande e não resisti, então, a pedir emprestado o livrinho de capa preta com folhas lateralmente vermelhas. Mas só este mês, dez anos depois das histórias e sete passados desde o primeiro encontro com a edição, me reencontrei com o pequeno volume que guardo, finalmente, só para mim. (D)este não (me) liberto eu.

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Blogotúlia,

Há uns anos atrás aparecia na minha caixa de correio, diariamente, a pretexto das notícias publicadas. Nunca participei, mas fui espreitando enquanto durou. A cibertúlia oferece-se agora à leitura de todos na blogosfera. Se se mantiver como em 1999, vale a pena fazer visitá-los e "ouvir" a conversa.

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Baixa autoestima,

Constato que um URL tem no mínimo quatro pontos e nenhuma vírgula. Sinto-me com muito pouca importância, nos tempos que correm.

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O meu único poste sobre cerejas,

Há um jogo, parvo e vagamente divertido, que se pode fazer com as cerejas, quando se tem idade suficiente para não ouvir "não se brinca com a comida". Consiste a brincadeira em comer a cereja com pé, começando pelo próprio, usando apenas a boca. (Cuidado com as nódoas que o pequeno fruto deixa, só saem com Neoblanc Gentil.) Há dias, ensinei o malabarismo a uns amigos que o fizeram com bastante destreza apesar de serem principiantes. E comentaram, depois da explicação que era suposto simplificar o complicado exercício, "foi preciso chegares perto dos trinta para perceberes o truque da coisa?". Eu não estou assim tão perto dos trinta. Será que ainda não aprendi?

Seja qual for a ponta por onde se lhe pegue, gosto bastante do sabor da cereja. Do filme (Abbas Kiarostami, Irão, 1997) e na vida real.

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segunda-feira, junho 16, 2003

Aulas práticas.

Paulo Portas promete mão pesada no caso do cargueiro que está a largar soda caústica ali para os lados de Cascais. E, meus amigos, recordo-vos que na campanha para as últimas legislativas, Portas prometeu um braço direito para Portugal.

Vamos rezar para que o governo caia antes que o Dr. Portas se entusiasme com as ofertas anatómicas.

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O sabor da cereja.

Ainda sobre a importância das cerejas nas sociedades contemporâneas, alguém já viu os mais recentes outdoors a apelar à visita ao Fundão, a cidade que está para as cerejas como Paços de Ferreira para o mobiliário? Ilustrado por uma imagem de uma jovem mulher com um ar fresco e saudável, vagamente libidinoso, o cartaz publicitário oferece-nos esta preciosidade: “…como as cerejas”.

Incoerência número um: porque raio é que a frase começa com reticências? Isso é forma de iniciar um discurso? Se as reticências são o artifício que nos permite deixar uma ideia em suspenso, respirar fundo e depois largar uma conclusão (mais ou menos brilhante), que ideia é que aquele discurso pretende retomar?

Mais – depois das pipocas, dos beijos e das conversas, descobrimos que há mais uma coisa que é como as cerejas (se eu fosse cereja, sucidava-me ou mudava de fruto… porra, tudo é como as cerejas): as reticências. É verdade, até as reticências são como as cerejas. Pergunto eu: o que é que não é como as cerejas? Há alguma coisa que seja diferente das cerejas…?

Bom, ok, há uma coisa que não é como as cerejas – o João Gobern. É que se beijos, pipocas (não a mim, mas a quem goste) e conversas apetece sempre mais, do cronista gastrónomo apaixonado já não se pode dizer o mesmo.

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Dúvida filosófica.

Já tinha ouvido dizer várias vezes que as cerejas são como as conversas, ou como os beijos. Agora, que as cerejas são como as pipocas, é a primeira vez.

Eu não gosto de pipocas - serei maricas?

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A paixão segundo João Gobern (ou mais uma acha para a fogueira DNA).

“O sorriso só regressa quando, seduzido pelas mais belas cerejas (…), dou por mim a resistir-lhes e adiá-las. Numa puerial promessa íntima de que as minhas primeiras cerejas da temporada hão-de ser namoradas a preceito, divididas por dois, como se fossem as pipocas quentinhas que rimam com filmes de amor. (…) <>, escreveu um poeta. Gostava que me dessem oportunidades de ajustar contas com ele. Gostava mesmo…”

Factos: as linhas acima reproduzidas pertencem à rubrica de gastronomia “Boca Doce”, publicada semanalmente no DNA e da responsabilidade (ou irresponsabilidade, no caso) do jornalista musical-gastrónomo-director da TV Guia-multi facetado João Gobern (e pensar que este senhor encabeçou, há uma dúzia de anos, uma publicação como o SE7E…).

Enunciado: não contesto o estilo poético que o Sr. Gobern escolheu para ilustrar as suas crónicas, não contesto a profundidade e/ou intensidade do romance que o cronista está a viver, nem sequer a profusidade de ocupações de que o cavalheiro se ocupa.

Problema: agora, o que contesto, isso sim, é – qual é a relevância que João Gobern considera que a sua vida privada e, pior, amorosa, tem para os leitores de, relembro, uma rúbrica GASTRONóMICA? Já estamos todos carecas de saber que a namorada do senhor, a quem ele se refere amiúdes vezes como “amor perfeito”, mora no norte, portanto longe, e que só aos fins de semana é que os pombinhos pousam no seu ninho do amor. Mais grave que o Sr. Gobern escrever estas alarvidades é alguém achar que elas se encaixam num suplemento como o DNA! Bom, à luz das recentes críticas encabeçadas pelo humor viperino dos Gatos Fedorentos, talvez caibam mesmo e, pior ainda, que nem uma luva.

Solução: Expatriação, Kompensans, Guronsans, Pública e aqueles livros todos que, do alto da prateleira, nos andam a piscar o olho há meses. Agora, DNA com esta “Boca Doce”, obrigado, mas fico-me pelas entradas.

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Contabilidade,

Quatro palavras começadas por i, num poste de uma só frase e sem uma única vírgula? Pois.

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No reverso: a azia,

O lado mais indigesto da tolerância é (in)justamente o facto de nos obrigar a gerir a irritação diante da intolerância alheia.

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domingo, junho 15, 2003

Imperialistas?

No último, "A Way To Bleed Your Lover", os Blind Zero oferecem-nos uma pequena pérola de piano e voz que dá pelo nome de "Sad Empire". É Miguel Ferreira (dos Clã, agora também um Blind Zero) no primeiro e Miguel Guedes no segundo a mostrar, em minuto e meio, como é que se constrói um império feito de tristezas.

Sad Empire is shaking from the inside
Picks all the faces of last soldiers in battle
Says goodnight and sleeps, restless.


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O vizinho toca sempre muitas vezes.

Como metade da população de Lisboa, também eu tenho vizinhos problemáticos. Ok, admito que o meu nível de tolerância pode estar um pouco abaixo da média, mas, meus amigos, eu vivo no prédio "that came from hell"... Comecemos pelo meu vizinho de baixo - solteiro, novo, muito novo, militar. Passa muito tempo em casa e os seus grupos favoritos são os Queen e os Pink Floyd. Se já está a verter lágrimas solidárias por mim, respire fundo que a procissão ainda vai no adro. Quando confrontado, dedo na campaínha, uma da manhã, com o facto de estar a ouvir o "It's Only Love" do Bryan Adams (agora sim, pode chorar que nem uma madalena) uns decibéis acima dos necessários para causar danos auditivos permanentes, o magala responde (aos berros, caso contrário nenhum de nós teria ouvido uma sílaba): "Por acaso, não acho que esteja assim tão alta...".

Eu sou um gajo democrático, voto sempre que posso, bolas, até o jantar cá em casa é decidido à melhor de três, mas digam-me lá se não é de pensar duas vezes em apresentar um projecto lei que torne constitucional a Boa Educação Obrigatória? Nada de mais, apenas umas boas horas por semana com a Paula Bobone ou até George Bush Jr., seriam mais que suficientes para ensinar à criatura as bases da vida em sociedade, não?

Se tudo o resto falhar, resta-me sempre uma arma secreta - "Kind Of Blue" do génio Miles no leitor de CD's, colunas viradas para o chão, amplificador no máximo e ala para o café aqui da rua beber umas imperiais até que o trompete divino tenha cumprido a sua função pedagógica.

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sábado, junho 14, 2003

Verão azul (verde, branco, vermelho, amarelo e laranja).

Eu e um grupo de amigos (que gozo me dá escrever estas duas palavras tão próximas) conhecemos, e bem, o vício dos jogos de tabuleiro. A coisa começou de mansinho, numas férias grandes (aliás, o momento mais propício para estas descobertas do lazer), com jogos "softcore", hoje tão populares, como o "Pictionary", o "Trivial Pursuit", o "Scartegories" ou o "Tabu". Ora, o Rodrigo, amigo da velha guarda, sui generis q.b. na postura em relação às coisas (de uma forma tremendamente elogiosa), saltou destes amenos exercícios de noites estivais para jogos mais sérios - a "Guilhotina", recriação em cartas dos últimos dias da Revolução Francesa, o "Groo", inspirado no bárbaro de origem brasileira ou o delirante "Mindtrap", onde uma personagem-tipo, o "Sombra", nos coloca todo o tipo de questões irresolúveis e enigmas metafísicos.

As noites começaram a ser de maiores (e melhores, porque não) desafios, até que, graças a um outro amigo destas andanças, fomos introduzidos ao santo graal dos jogos de tabuleiro - o Risco. Sim, bem sei que não é um Catan, mas na sua versão original (ainda com peões semelhantes a aspirinas multi-coloridas, muito mais práticos e inteligentes que os actuais soldadinhos de plástico), o Risco foi palco das mais sangrentas batalhas da história dos jogos de tabuleiro, sendo responsável por discussões amargas, acessos de mau feitio e triunfos de valor inestimável.

Também na net, há por lá uma versão (jogável em http://zone.msn.com), mas, como nos relembra a Vírgula e muito bem, nada se compara ao poético rolar de um trio de dados por uma mesa que, sem saber, irá determinar o destino do mundo como o conhecemos.

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Diga trinta e três.

Ao contrário do que pensava, descobri que consigo suportar o barulho incessante do remexer no balde da pipocas, tão em voga nas salas de cinema de hoje (as pipocas e o ruído, infelizmente). Será que isto quer dizer que estou a aprender, à força, o significado da palavra "tolerância"? Ou será que, como temia, estou a ficar surdo?

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Catan,

Os jogos de tabuleiro que o Ponto guarda na gaveta lá do Ministério, para espreitar com os olhos húmidos, já não são o que eram. São melhores. Mesmo com a vasta oferta de jogos virtuais, a versão tradicional, para jogar entre amigos e à mesa, continua a marcar pontos. Marcar pontos é justamento o objectivo de quem se dispõe a descobrir Catan naquele que é (provavelmente...) o melhor dos jogos de tabuleiro. O nome original é “The Settlers of Catan", Descobridores da ilha com o mesmo nome, em Português.

No cruzamento politicamente correcto entre o Risco (sem ser bélico) e o Monopólio (mais longe do capitalismo e mais perto do comércio justo), o Catan joga-se num tabuleiro que é montado aleatoriamente para o efeito. Espalhadas as peças que fazem a ilha — e a que correspondem a parcelas de terreno onde se obtém matérias primas que permitem construir para colonizar — rodeia-se o pedaço de terra por mar e situam-se os portos. Daí em diante, é deixar tocar o disco e lançar os dados que dão as colheitas. A produção em excesso de matérias-primas intensamente exploradas obriga à exportação (trocas com a banca, como no Monopólio) ou às trocas directas com os outros colonizadores, muitas vezes respondendo a alianças de conveniência. O preço das matérias primas depende da sua escassez no jogo e da habilidade dos jogadores. O objectivo é atingir 10 ou 12 pontos, dependendo do número de jogadores: 3 ou 4. Os pontos contam-se de acordo com o número de aldeias e cidades construídas e ainda alguns bónus que se podem angariar. Eu contava se isso não prolongasse demasiado o poste.

Recomenda-se uma viagem a Catan, este Verão. Embora também se possa jogar on line, vai muito melhor com o barulho dos dados e a negociação cara a cara. Não é muito fácil encontrar os Descobridores de Catan em Portugal, mas não é impossível. Boa sorte.

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Esquizofrenético,

Só para completar o quadro: na sua a versão séria, o nosso amigo, alinha com os relativos; na versão humorística, disparata no recreio dos putos. Ainda tem mais um canto, mas a Vírgula não é de intrigas e abstém-se de o lincar.

Será um caso clínico?

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Um rapaz de sucesso,

O Domingos, que é nosso amigo apesar de ter sido o melhor aluno da turma, foi promovido a residente no País Relativo. Como quase sempre na vida, saltou directamente para o primeiro lugar da lista. Dava-lhe os parabéns, mas acho que sai a perder desta esquizofrenética vivência bloguística quando repete o mesmo poste em dois blogues. Não vale o copy/paste e Pessoa não precisou disso.

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Inveja pontual,

A Vírgula trabalha ao sábado à tarde. Independentemente do sol. O Ponto sabe disso.

Espero que te engasgues com a areia e que apanhes sempre bandeira vermelha.

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Síntese noticiosa.

Em relação ao Ministério da Nostalgia e à síntese noticiosa da actualidade, apraz-me tecer o seguinte comentário: é curioso como a areia da Comporta é um pouco mais granulada que a da Costa da Caparica, ou mesmo a da Linha de Cascais. No entanto, a água tem uma temperatura muito mais amena.

Vírgula?

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Tim,

Só um pouco mais de nostalgia. Pública, a fugir para o privado, outra vez – sem câmaras, também. Põe então na pasta, candidato a Ministro, os livros dos Cinco. Aqueles com as fotografias da série na capa, a colecção anterior não é do nosso tempo. Estavam lá os estereótipos todos, quando ainda soletrava as palavras com mais de cinco sílabas: a maria rapaz, os perfeitos irmãos e a futura dona de casa (não vos parece que a Anne é versão pré-adolescente da Anita?). E o cão. É aqui que a memória se escapa para o particular: outro Tim, de outro Zé, era para mim o cão. Debaixo das nossas carteiras, dormia serenamente o fiel amigo do Professor.

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Lembras-te, querido?

Mais do que as emissões no éter com o nome desse Ministério pontual, gosto do programa da manhã da Voxx com o fantástico jingle parodiado:"Nevralgias...". Aproveito e explico o poste afixado abaixo: a verdade é que naquele tempo, os anos de que datam as músicas do "Lembras-te, querido?", o que eu ouvia era o canadiano Bryan. Para a pasta da Nostalgia, também os concertos em Alvalade. Ao teu lado, Ponto, muitos deles.

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Bryan Adams,

Contra as nostalgias do Ponto tenho sempre esta ideia de que sofre da síndrome Summer of Sixty Nine: "those were the best days of my life". Tenho para mim que esses estão sempre para vir.

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Incoerências da Vírgula,

Ainda o Ministério. A Vírgula é assim, incoerente. Diz mal da coisa, mas não lhe resiste.

Também digo que não ponho açúcar no chá e que peço sempre adoçante para o café. Não há explicação lógica para isso e depois é só ver-me transgredir estes efémeros princípios. Os leitores conheceram o maior sinal da minha inconsistência na blogosfera: essa mania de que o que queria era ter um blogue sério, violada, poste após poste, no diálogo com Ponto ou em monólogos interiores. Já dizíamos em citação abaixo postada, como o Raúl Seixas:

"Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo"


O Ministério, nos postes seguintes.

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quinta-feira, junho 12, 2003

Delírio,

Quatro postes seguidos: um RP e três nostálgicos. Com este calor, a Vírgula consegue surpreender-me até a mim. Os caracóis estão a chegar. Devagarinho.

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Sem audiência, para a audiência,

Não me apetece esperar pela audiência e atiro já com a minha nostalgia privada.

Guardo uma doce saudade dos tempos da televisão a preto e branco. Não pela ausência cromática, mas pela solução que encontrei algures no início dos anos 80 para resolver essa lacuna no meu lar. Os copos de vidro coloridos que se guardavam no armário da sala não serviam só para os adultos beberem vinho nos dias de festa. Especialmente os púrpura eram excelentes para se ver através deles os desenhos animados. Garanto que o efeito obtido não era muito diferente do que se via nas primeiras televisões que, em matéria de cor, o que tinham mais era o rosa.

Um dia, um dos meus avôs perguntou-me o que queria de prenda de aniversário. Tendo escolhido no ano anterior a boneca espanhola que andava e cantava num castelhano de falsete que até a mim irritava, atirei com ar óbvio: "uma televisão a cores". E não é que o senhor ma ofertou mesmo? E não é que é, ainda hoje, a minha televisão? É, é — só tem oito canais. O que explica muita coisa.

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Novas da blogosfera,

Aqui no nosso bloguinho — precisamente porque é um bloguinho — a importância aos acontecimentos na blogosfera é atribuída de acordo com critérios que nem eu consigo explicar. Saudamos o Ivan e o Difool por se terem inventado em novas cores para a memória, permitindo, com isso, que o leitor sorria sem estranhar a localização geográfica do gato.

Saudamos também a leitora C, que não é nossa mas da psicossomática, por ter desencadeado o processo de apresentações dos autores daquele blogue. Eles são três. Nós somos fãs.

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Audiência,

Senhor Ministro, o meu problema é partilhar saudades com estranhos. A cultura televisiva é outro problema. Cabem as pastas privadas da nostalgia? (Sem câmaras.)

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Ministro da Nostalgia, Ponto... a Vírgula,

Uma pessoa (uma Vírgula...) afasta-se umas horas do blogue e é isto. O Ponto instalado na cadeira do poder, exigindo saudosas contribuições ao público. Como se não nos bastasse o habitual tom nostálgico aplicado nos intervalos dos postes mais divertidos com que domina o blogue. E pronto, na sequência do delírio pré-estival do Ponto, eis-nos na senda recuada do percurso iniciado pelo Pacheco Pereira. Este, os objectos que se extinguirão — os quase saudosos ou nem por isso. Estes daqui, a pena do que já acabou. Mesmo e há muitos anos.

Solidária, até tento suspirar a ver se me dá a tristeza da lonjura de outros tempos. Mas nada. Saudades só da manhã de ontem e da tarte do mês passado. É ontológico: na qualidade de vírgula, garante da continuidade, não sou capaz de acreditar em parágrafos. Isso é coisa do Ponto. Vou muito à Feira da Ladra, onde compro louça e roupa velha, a cheirar a pó e a história alheia, e onde me enterneço com objectos de cuja existência já me tinha esquecido. Prefiro as reivenções do uso ao Museu. Prefiro as associações aos Ministérios.

Ainda assim, porque gosto do Ponto, vou vasculhar a memória atrás de mais uma peça para o puzzle.

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Objecto Sonoro Devidamente Identificado.

Já levei o meu puxão de orelhas – relembra-nos a Shyz (e bem) que o tal excerto sonoro se trata, afinal, do patinho feio mais odiado de todos os tempos. Não, não é o Marques Mendes, mas anda lá perto. E que saudades tinha eu do Calimero, cara Shyz.

No final da missiva, em tom de ameaça, a nossa leitora mais atenta lança o repto "Ah! Beware... tal como aquele austríaco muita musculado... I'll be back...". Se o Ponto e Vírgula fosse uma banda de rock, a Shyz seria a nossa primeira "groupie".

Temos mais uma itálica em potência? Venham daí esses trícepes, Miss Schwarzie!

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Ministério da Nostalgia - Intermezzo.

Uma outra LDI (Leitora Devidamente Identificada), e amiga cá da malta (acrescento eu), a Shyz Nogud, envia-nos um excerto de um diálogo de uma série (!) que, por ignorância ou diferença abissal de gerações (sem ofensa, amiga Shyz...), não consigo reconhecer. No que toca às manhãs de sábado, as minhas preferências iam para o Vasco Granja, esse sim um embaixador não oficial deste nosso Ministério. Foi, aliás, através dos seus programas que fiquei a conhecer aquele que é hoje um dos meus autores de culto, Vladislav Brukrofsk, através da sua obra seminal, "Dois Clips e Um Elástico - A Génese".

Para poder encaixar o tal trecho nos arquivos ministeriais, vou precisar de mais uma ajuda do público - Shyz?



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Ministério da Nostalgia – Parte II.

Relembra-nos o leitor devidamente identificado João Navarro um conjunto de preciosidades que se incluem, sem sombra de dúvida, na pasta deste recém criado Ministério. Fica aqui a primeira de quatro, a postar em ocasião oportuna.

Idas à Feira Popular (vertente popularucha) - quem é que não se lembra do arrepio gelado que antecedeu a primeira ida ao Comboio Fantasma (muito antes da Passagem do Terror…)? Ou mesmo das febras rijas, salgadas e frias, que devorávamos com o deleite próprio de quem tem 14 anos e não pára de crescer? Ou a Lagarta, a Casa dos Espelho, os salões de jogos e, o meu preferido de todos os tempos, as bolas de pingue-pongue que, encaminhadas por uma calha, entravam em pequenas balizas, com ofertas do calibre de palhaços de peluche e canecas com a Heidi?

Obrigado, João. Bem vindo ao Ministério da Nostalgia.

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Mais uma lágrima no canto do olho.

Há dois posts atrás não fui absolutamente justo - para além do discurso do Clinton (um momento de televisão inigualável), sempre que duas (ou três) gémeas das novelas da TVI se reencontram, a pobre, a rica (e a outra, às vezes), fico que não me aguento.

Aquilo sim, meus amigos, é televisão.

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quarta-feira, junho 11, 2003

Ministério da Nostalgia - Parte I.

A Feira do Livro é uma instituição que arrumo na gaveta mental das recordações - está lá desde sempre, faz-me lembrar os meus pais e as noites abafadas de Junho em que a "Família Pipoca" rumava ao Parque Eduardo VII para, junta, celebrar a dedicação a um prazer comum. Ler ou não ler nunca foi uma verdadeira dúvida - simplesmente, não podia deixar de o fazer. Por tudo isto (e pelo indizível), a Feira do Livro é um dinossauro no meu ministério da nostalgia.

Curiosamente, este ano ainda não passei por lá. E, à excepção do ano passado, em que fui e, naturalmente, comprei meia dúzia de livros, nos anos anteriores também não tinha ido. Porquê?

Proponho um verdadeiro serviço público - a criação de uma lista de todas as "coisas" que fazem parte do nosso imaginário, comum ou pessoal, e que sejam passíveis de ser incluídas num hipotético "Ministério da Nostalgia". Contribuições e correcções, é no pontapé lá em cima.



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Tenho uma lágrima no canto do olho.

Desde que Bill Clinton nos ofereceu uma nova definição de relações sexuais (que exclui quase todas as posições conhecidas pelo homem e até por alguns animais mais ousados), num discurso mítico na Casa Branca, que não me emocionava tanto como hoje.

Obrigado, Fatinha.

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The show must go on.

Nunca fui grande fã de Freddy Mercury e da sua rapaziada, mas, no seu percurso musical, houve momentos de génio evidente, epítetos de um futuro que se queria diferente.

Um abraço apertado para o pessoal da Coluna. E, no que toca aos restantes, é só ler o título do post.

Apesar de tudo, "Bohemian Rapsody" continua a ser uma obra maior da história da música contemporânea.

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Design de stands,

Escassos metros separam a melhor e a pior bancas da feira, no que à arquitectura de interiores diz respeito. A mais bonita, mais fashion e sóbria é, no ver aqui da Vírgula, a dose dupla da Cotovia. Cinzenta escura, etiquetada a néon e a simpatia, com sotaque, do lado de dentro. Não fossem os volumes que se empilham por lá e ia jurar que, durante a noite, é desmontada para se estacionar à porta do Lux a vender sandes de salmão fumado. Quase em frente ao stand da Cotovia, uma pequena fonte – coisa quase séria, com circulação de água e tudo – faz da banca das edições Provecta a antítese. Gostava de comentar o que por lá se vende, mas não só não consegui aproximar-me muito, como quando o fiz, mantendo uma distância de segurança, não consegui tirar os olhos da inédita decoração hidráulica sobre um arco-íris de fundo.

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Silêncio infame,

Não é um recurso estilístico: não sei mesmo o que dizer sobre o fim da Coluna. Posto isto, é melhor calar-me por um minuto.

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terça-feira, junho 10, 2003

E o óscar vai para.

Hoje, ao arrumar uma frigideira no armário a que pertence, li uma minúscula gravação no metal, que me deixou deveras perturbado - "aço inexorável". Bom, é mais que óbvio que onde se lê "inexorável" se lia o outro, o que acompanha na maioria das vezes a palavra "aço". Será que estou a ficar tão apanhadinho que vejo o dicionário em tudo?

Estarei a tornar-me num "Rainman" das letras?

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segunda-feira, junho 09, 2003

O amor é muito, muito lixado.

Se não, veja-se. Nas limpezas de primavera, deparei-me com dois abjectos objectos, curiosamente ambos conquistados em trocas de presentes natalícias, curiosamente ambos livros. Tal não é a minha devoção aos ditos, como Caetano a cantava, semelhante aos "maços de cigarros" que, apesar de acreditar piemante que nunca pegarei nem no Pequeno Livro Do Stress" (o nome foi escolhido com base na reacção da primeira pessoa que o recebeu) nem no "Sorria Com... Piadas De Sexo" (a minha vida sexual é mais que suficiente, obrigado), estou com uma dificuldade tremenda em colocá-los no "recycle bin" (sim, que eu sou poliglota e ecológico).

Já com a lista telefónica de 1986, Edição Sul, foi o cabo dos trabalhos.

Bom, amanhã rumo à Habitat, ver se as estantes estão a um preço simpático...

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Marretada neles.

Apesar de, para quem diz não tratar este universo dos blogs por tu, já ter tido mais que a minha dose, não resisto a deixar aqui o maior elogio aos Marretas de que me consigo lembrar - bem vindos à nossa (exclusivíssima) lista de blogs amigos.

Esta merda tem que parar - qualquer dia ainda somos citados pelo Pacheco Pereira.





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Declaração de Intenções (Ou A Visão De Um Ponto Sobre A Blogosfera).

Eu, muito pouco "bloguístico", me confesso – este é o meu "Manifesto Bloguiano", a minha "Declaração de Intenções", enfim, meia dúzia de considerações com a mesma importância e seriedade com que encaro as coisas que escrevo - nenhuma.

Começo pelo essencial – como dizia há dias o Zé Mário (a minha primeira amizade "blogosferiana"), nestas brincadeiras dos blogs escreve-se surpreendentemente bem. Aliás, o nível de interesse, humor, debate ideológico ou mesmo puro entretenimento, é muito superior à da maioria dos orgãos de comunicação social, com uma enorme vantagem: é muito mais democrático.

Portanto, se se escreve bem, ler é um prazer. Por falta de tempo, paciência, disponibilidade, acabo por restringir a minha aventura bloguiana a meia dúzia de valores seguros, arriscando, aqui e ali, uma outra incursão por terrenos de qualidade incerta. Não raras vezes, essas explorações acabam por traduzir-se em mais um "add to favorites", o santo graal dos blogs.

Neste momento, são aproximadamente 25 os endereços que constam dos meus "favoritos", categoria "BLOGS", assim mesmo, em maiúsculas, para que o olho as capte com maior celeridade. De A a Z, da esquerda à direita, do mais boçal (atenção, que isto é um elogio) ao mais eloquente, cabe lá tudo e é na blogo-diversidade, aliás, que reside o encanto deste microcosmos que abraçámos como nosso.

Resumindo (que o post já vai longo), creio que também neste nosso Ponto e Vírgula aplicamos a regra de que é o confronto (de personalidades, opiniões e até mesmo estilos de escrita) que dá lugar ao devir. E é com esta declação de intenções, esta visão, que conto continuar a pautar a minha presença na bogosfera nacional.

Ah, só uma pequena acha para a enorme fogueira que parece andar a consumir a blogosfera nacional nos últimos dias - "Why can’t we all just… get along?" Jack Nicholson em "As Good As It Gets".


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O último,

Não é justo. A Vírgula tem escrito pouco e quando cá chega só anota sobre os blogues. O leitor julgará que não lhe passa mais nada pela cabeça. Desengane-se. Contudo, preocupada com as polémicas na blogosfera, a Vírgula abstém-se de comentar e linca para o gato. O Ricardo, invejado pelo Ponto no que a ter a piada diz respeito, hoje foi alvo da inveja deste lado pela síntese lúcida sobre o que por aí se tem escrito e batido com portas.

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RP,

É óbvio que aqui no Ponto e Vírgula, quem mais passeia na blogosfera sou eu. E mesmo assim, não tanto quanto gostaria — isto de passar o dia a ler opiniões alheias é muito interessante, mas aparta-nos demasiado de outros sóis. Descubro agora que há aqui um blogue que nos linca na coluna dos blogues amigos e ao lado da malta fixe. Agradecemos aos marretas. Estou certa de que o Ponto garantirá que não deixem de rir com o nosso blogue. Conversas sérias, com menos frequência.

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Poste incontornável,

As minhas desculpas ao Ponto e aos leitores que não apreciam a circularidade dos linques na blogosfera. Se é esse o seu caso, passe à frente e ignore as considerações da Vírgula.

Este é mais um poste sobre blogues. Mais concretamente sobre um blogue infame, pouco apreciado por muitos e acerca do qual já aqui se produziu um comentário menos agradável. Com um autor identificado e, por isso mesmo, um final no Ponto que o assina. Sem querer contar aqui a história da minha vida, nem do último mês de intensa actividade bloguística, recuo até então. Cheguei à blogosfera pela mão do Tiago (a mulher dele não se importa que ele ande aí de mão dada com vírgulas, a religião deles deve permiti-lo para efeitos metafóricos). Como tal, fui acompanhando desde aí, irregularmente, o blogue que, imagino, abre antes de todos os outros. E que não é o mesmo que eu abro antes de todos os outros, já o postei abaixo. Aqui há dias, comentei por aí sobre o que me fascina na blogosfera (sim, Ponto, é verdade, às vezes a traição consuma-se em blogues alheios). Ora, do que eu gosto nesta coisa de aqui deixar diariamente ideias e divagações (pouco sérias e menos sólidas no caso particular deste blogue) é de ter um microfone que não amplia menos a minha que a voz do Pedro Mexia ou a do José Mário Silva, a do Pacheco Pereira ou a do Possidónio Cachapa, a do Miguel Esteves Cardoso ou a do Miguel Vale de Almeida. Ideologias à parte — é muito pouco ideológico este nosso "bloguinho", como carinhosamente lhe chamou a comentadora oficial dali da esquerda, Zazie —, ideologias à parte — apesar das minhas pretensões a bloguista séria —, ideologias à parte, eu gosto de ler a Coluna Infame. Privar-nos o Pedro Mexia dos seus postes, mais ou menos polémicos, sempre inteligentes e a maior parte das vezes com muita piada, é uma pena. Espero, sinceramente, que a suspensão não passe disso e que desça, de novo, à afixação regular. E, sobretudo, espero continuar a ler a Coluna. Infame, mas uma paragem obrigatória.

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Conteúdo das comemorações.

Pois é, Vírgula, caros amigos e leitores (no fundo, a mesma pessoa, porque só os amigos é que nos lêem) - fez ontem um mês que deixei de ter vida própria em prol de uma causa nobre.

Quando descobrir qual é, prometo deixar aqui um post.

Parabéns a nós.

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domingo, junho 08, 2003

Comemorações sem conteúdo,

Ficam para outro dia as fotografias que se vêem por Lisboa, a feira, a Lei da Adopção e as considerações sobre a blogosfera. Há domingos em que temos mais em que pousar os olhos além de um ecrã. Vim soprar a vela, mesmo assim. Faz hoje um mês que nasceu o Ponto e Vírgula. Parabéns aí em cima.

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A ordem natural das coisas.

A Teresa Guilherme e o Herman reconciliaram-se, ao fim de anos de relações cortadas.

O mundo já pode dormir descansado.

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Axioma du jour.

Mesmo que diferentes bebidas alcoólicas sejam misturadas numa proporção matematicamente correcta, as contas acabam sempre por nunca dar certo.

Este post é dedicado a todas as minhas professoras de matemática.

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sábado, junho 07, 2003

O Zé.

O Zé é um "leitor assíduo e feliz" do nosso blog. E, "visto gostar tanto" do próprio, endereça-nos dois pedidos - Zé, em relação ao primeiro, relativo ao corpo de letra, veja lá você que o Possidónio Cachapa (pode ter nome de deputado do PSN, mas é um escritor de nome firmado, bolas!) se queixou de que o nosso blog sofria de miopia invertida. Com tamanha disparidade de opiniões, só lhe posso pedir, Zé, que escolha aí no seu "Explorer" a selecção "View", depois "Text Size" e vai ver que tudo melhora.

O segundo pedido do Zé, o seu, é também um pedido nosso à restante blogosfera - a introdução de uma caixa de comentários, para que, post a post, os nossos leitores (doravante identificados como "Zé" que, para além da minha mãe e da minha querida avó, é o nosso único leitor identificado) possam participar em discussões de elevado teor existencialista, como a difícil escolha entre o "Strawberry Cheesecake" e o "Belgian Chocolat" ou mesmo o urgente debate de interesse nacional "Qual A Melhor Técnica Para Tirar Uma Imperial?". Como, para além de gastronomia, parecemos saber muito pouco, apelamos à blogosfera: por favor, ajudem-nos a colocar uma caixa de comentários no nosso blog. Eu até conheço o simpático site "Enetation", mas daí em diante sou um perfeito ignorante (e há quem diga que daí para trás também, mas enfim).

Para terminar este nosso pedido e agradecimento público (ao Zé, claro está), não resisto a transcrever uma célebre passagem de um conhecidíssimo lugar-comum que, a cada dia que passa, se torna mais verdadeiro - Zé, és o maior, pá!

Um abraço do Ponto (e aposto que reforçado pela Vírgula).



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Agradecimentos gramaticais,

Uma leitora que se conjuga no imperfeito do indicativo confessa-nos no correio dos leitores: "mesmo que [o Ponto e Vírgula] fosse mau, eu gostava.". Agradecemos à imperfeita indicada leitora que já não lê, Lia, o uso do imperfeito conjuntivo.

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O lacrau

Já não é a primeira vez que as televisões se deixam fascinar pelo homem do lacrau.

Um curandeiro que utiliza a mordidela de lacrau para “matar o vírus” (sic, sic do latim e não estação televisiva, que por acaso, ou não, era a tvi.) Mas é preciso que a dor esteja a moer o paciente pelo menos há 24 horas, caso contrário não resulta. Isto deve ser para evitar os que fazem de conta que dói e não dói. Mas há aspectos linguísticos a registar: o curandeiro antecipa o futuro fonético das palavras, segundo a lei do menor esforço, que leva às tão correntes assimilações. Talvez daqui por muitos anos se diga "tefone" em vez de telefone. E as mordidelas de lacrau terapêutico poderão ser na "prosta" e para tratar a "pezuria", como ele dizia. Temos de concordar que é muito mais prático do que a repetição de prós-ta-ta ou a horrível palavra, que termina em sílaba surda, pezuríase, fazendo um zumbido terrível.
(Pai Itálico)


O Pai Itálico é mesmo pai e é da Vírgula.

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sexta-feira, junho 06, 2003

Ponto G.

Dizia o senhor do telejornal que fulano tal foi hoje internado num hospital dos Açores por suspeita de pneumonia atípica. Depois das análises preliminares, veio a descobrir-se que não era nada de tamanha gravidade. No entanto, chamo a vossa atenção para a expressão (clínica, gostaria eu de pensar), "análises preliminares".

Eu cá só consigo imaginar as análises, eu, um bom borba e um candeeiro a meia luz.

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O dinheirinho custa muito a ganhar.

Também não me parece nada fácil sorrir quando temos um porco nos braços.

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E eu, posso abrir uma conta?

Um rosto, uma marca — ninguém faz melhor esta correspondência que os franceses (acho eu, mas aceito ser contrariada). Acima de tudo porque são exímios na escolha. Veja-se o caso da Lâncome e todas as lindíssimas senhoras que tem vindo a eleger, ao longo dos tempos, como a cara da marca: da Isabela Rosselini à Uma Thurman, passando pela Binoche. Cá em Portugal, também se tenta fazer o mesmo. E se o Michael Jackson queria fazer-nos desejar uma Pepsi em cada olhar, a Fernanda Serrano, supostamente, induz-nos uma vontade irresistível de ir ao Banco. Como em muita outras importações criativas, a coisa não resulta. A pobre rapariga aparece sempre com ar de fastio e entediada com as companhias, seja enquanto carrega um porquinho cor-de-rosa ou quando, fardada de futebolista, partilha a bancada com o Eusébio. Em mim, não tem outro efeito além da pena. Coitada.

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Explicar aos mais velhos,

A senhora que me alberga temporariamente no seu escritório perguntou-me hoje se eu considero que a casa dela é uma pensão pós-moderna. Lyotard, recomendei-lhe. Se explica a pós-modernidade às criancinhas (provavelmente disponível na banca da Gradiva), há de ser inteligível para outras provectas idades.

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Afinal, o tamanho importa.

Diz-se que Deus está presente nos pequenos nadas. A partir de quando é que um nada é considerado pequeno?

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Axioma du jour.

Tocar o "Whole Lotta Love" com a distorção a roçar o absurdo é o mais próximo da felicidade, enquanto conceito, que o homem alguma vez vai estar.

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Rent-a-muse.

Aqui há tempo ouvi a Margarida Rebelo Pinto dizer que a sua principal fonte de inspiração, nos últimos tempos, tinha sido o Pedro Granger.

Não era o pessoal da Coluna Infame que andava à procura de uma musa?

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quinta-feira, junho 05, 2003

Fitares

Num dos pisos do Centro Comercial de Fitares anunciava-se "sapatologia". Estudo do sapato ou da ciência do que se calça? Ou patologia de sapa? Enfim, talvez uma ciência em par-time, expressão que aparecia num anúncio de oferta — creio que se referia a trabalho aos pares. Se não há para um, que fará para dois. Acho que nem na cadeia de supermercados "Lider", que descobri em mais uma oferta afixada. (Pai Itálico)

O Pai Itálico é mesmo pai e é da Vírgula.


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Direito de afixação,

Os conteúdos são da exclusiva responsabilidade dos intervenientes. Vale para postes abaixo e para postes acima.

Acima, estreia-se o Pai Itálico, versando sobre afixações descobertas nos subúrbios da capital.

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Depois da cultura, estúpido,

Estiveram lá o Ponto e a Vírgula. Não acenaram, nem se esquivaram às apresentações. Depois disso, cada vez mais rendido à realidade da blogosfera, o Ponto encarregou-se das lincagens e relações públicas. Resta-me apenas recordar os minutos finais, os únicos a que consegui assistir. Ouvi perguntar aos bloguistas oradores sobre as coisas da vida de que tinham abdicado em nome da nova causa. Ouvi as respostas. Acreditei, mas... mas não há como a vida real e o que confirmou esta a minha convicção foram as gargalhadas que o Ricardo nos arrancou sem esforço, mesmo depois conhecidas as falas pelo lado escrito. Como dizia o Zé Mário, no papel (brevemente aqui): ele há coisas que "não há didascália que explique".

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O lado obscuro da net.

Nos meus favoritos do Internet Explorer, Astronomia e Gastronomia surgem um depois do outro, assim mesmo, nesta ordem.

Será que isto justifica o Toucinho do Céu?

Não estou convencido.

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Mea culpa, mea culpa.

Já soaram dez valentes vergastadas neste nalguedo pecador - três posts seguidos sobre a blogosfera é uma traição aos meus princípios basilares.

Tiago, ajudas-me a encontrar a Salvação?

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Celebridades.

O Tiago Cavaco, a Voz do Deserto, é o verdadeiro Woody-Allen-pós-13-de-Maio da blogosfera nacional.

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Para infames males, infames medidas.

O Mexia, na Coluna Infame, refere-se ao "É a cultura, estúpido!" de ontem, referindo a possibilidade que o encontro lhe deu de conhecer algumas figuras proeminentes da blogosfera, como o Tiago Cavaco, a Marta Almeida e, pasme-se, a Vírgula, que o PM inclui, por inerência, no seu círculo de amigos.

Meu infame amigo, recordo-lhe que uma vírgula sem ponto é, nas palavras do nosso rei, como moamba sem gindungo. E mais - ainda bem que não me incluiu no seu "inner circle". Com que cara é que diria aos meus amigos e familiares que sou íntimo do Pedro Mexia?

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