A pontuar desde 2003.

domingo, agosto 31, 2003

Duplo esclarecimento,

Em Paris, ha' coisas bonitas e cibercafe's. Neste blogue, ha' o direito 'a greve.

Virgula em Paris. De fe'rias e em greve.

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quinta-feira, agosto 28, 2003

Marte é já ali.

“Hoje Marte fica mais próximo da Terra do que alguma vez esteve nos últimos 60 mil anos. A maior proximidade do planeta vermelho à Terra não terá qualquer influência sobre os terrestres (o que é um alívio, sobretudo para quem viu o “Marte Ataca” de Tim Burton há relativamente pouco tempo), exceptuando o facto de muitos milhões de observadores aproveitarem a ocasião para o olhar, à vista desarmada, com binóculos ou através dos mais variados tipos de telescópios.” Público Online, 27/8

Acho fascinante o interesse das pessoas pela astronomia. É o completo oposto da materialização para que a sociedade global caminha – um par de binóculos, um telecóspio, bolas, até um olho nu (como será um olho vestido?) são mais que suficientes para nos deixar com um valente torcicolo, um aperto no peito e um sorriso nos lábios que se recusa a partir.

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Quem é que deseja casar?

De acordo com o fabuloso www.nerve.com (ainda não atinei com os links em macintosh..), esta semana, Adrienne T. Samen, 18 anos, oriunda de South Windsor, Connecticut, apanhou uma bebedeira de caixão à cova no seu próprio casamento, tendo sido expulsa do copo de água pela empresa de cattering por ter tentado atingir com bolo de noivo e vasos os empregados que estavam a tentar fechar o bar.

Afinal, quem é que deseja casar?

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Desejos de terceira idade.

Se é verdade que, como dizem, na velhice se regressa à meninice, posso envelhecer já?

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quarta-feira, agosto 27, 2003

We will always have Paris,

A Vírgula também tem direito a viajar. Talvez poste de longe. Ou talvez não.

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Versos, hoje,

Número 5

Dei um passo atrás
e vi pela primeira vez
o número da minha porta.
No passeio, olhando
o metal gasto do algarismo
que há vinte e seis anos
sei que existe,
pensei em recuar um pouco mais
para ver todas as coisas que habito
e não compreendo.
Mas três passos depois
do passeio
o trânsito automóvel
impedia a perspectiva
e a sabedoria.


Pedro Mexia, Duplo Império, 1999

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Pontos de vista.

As estrelas parecem maiores vistas daqui, do céu.

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terça-feira, agosto 26, 2003

Dedicatória.

O último post foi escrito por mim, mas foi comandado pelo Tiago Cavaco. The Lord works in misterious ways?

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Give me your forever.

Esta noite vou tocar por ti, vou tocar para ti, como se fosse o Ben Harper, como se fosses um Coliseu ansioso pelos meus dedilhados. Apesar de dissimulada, a poesia também vive no rock'n'roll.

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Um pecado mortal.

Nos tempos mortos (infelizmente, bem mais frequentes que os vivos) dou por mim a tecer curiosas teias de raciocínios ora idiotas ora muito pouco saudáveis e católicas (e, sim, alguns deles incluem a Isabel Figueira). Um dos mais frequentes é isolar os defeitos e as virtudes humanas que me parecem mais imperdoáveis e louváveis, respectivamente. Ultimamente, tenho dado por mim a isolar um defeito, que se sobrepõe a todos os anteriores vencedores da categoria - a estupidez, sobretudo quando camuflada, é um pecado bem mais mortal que a mais recente edição especial dos Magnuns.

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Houston, we have a problem.

É oficial - já lá vão três dias e nada de comentários. O enetation está em greve ou terá encetado uma rígida política de selectividade? O Big Brother chegou
à blogosfera. Run for your lives.

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segunda-feira, agosto 25, 2003

Salão no subsolo,

O rapaz, prestável, como obriga o ofício, e atencioso, a contradizer outras experiências, espreitou pelo canto do olho, certificando-se de que os trófeus cumpriam a sua função. "Estão a olhar para as taças?", confirmou satisfeito, para logo prosseguir na explicação. As sete, dispostas em semi-círculo, tinham sido conquistadas nas folgas dedicadas pela equipa daquela esquadra ao Futsal. "E são pagas por nós!". O que mais me surpreendeu não foi que polícias defrontassem polícias, perseguindo uma bola dentro de um pavilhão. O que me arrancou um sorriso (e a ele também) foi a possibilidade exclusiva da equipa da esquadra da PSP Rotunda-Metro de se bater com a equipa do Metropolitano de Lisboa.

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Selecção natural,

Perdi o telemóvel e com ele mais de meia centena de números, contactos únicos de pessoas que não vejo há mais de um ano. Restam-me os endereços electrónicos e os pontos TMN. Reparo, agora, que há amizades que só podem ser salvas por um encontro casual.

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domingo, agosto 24, 2003

Monólogos celulares II.

"Bom dia, Doutor Ramos, está bonzito? Olhe, desculpe lá estar a incomodá-lo nas férias, mas isto aqui para os meus lados está bera... É doença, doutor, é doença...já fui ao médico, injecções de penincilina, aerosóis, transfusões de sangue... nada feito. Se eles sabem o que é? Os médicos daqui são uns incompetentes, o doutor conhece o Serviço Nacional de Saúde, não é, mas há uma suspeita de se tratar de uma estirpe de um vírus africano maluco que praí anda, uma daquelas coisas que os pretos trouxeram para cá, tá a ver? eheheh... Quando é que volto ao trabalho? Olhe, doutor, isto agora são no mínimo umas duas semanas de internamento, mais uns exames, um TAC, uns ultra-sons.... lá para meados do mês que vem já devo estar fino, se Deus quiser! O vento, está a ouvir vento? Isso é do raio da ventóinha que me instalaram aqui no quarto... já viu... nem uma porcaria de um ar condicionado se arranjou. Enfim, sabe como é, não é verdade? E o doutor, essas feriazinhas, correm-lhe bem? Ai correm? E para onde é que foi este ano, onde é que está? Ahh.. na Praia de Tavira, três toldos atrás de mim..."

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Axioma du jour.

É o título do cartoon de Maitena da PÚBLICA de hoje, é uma verdade universal - "A realidade é um efeito produzido pela falta de amor".

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Jogo de praia,

Na recta final da silly season, deixamos aqui uma sugestão de animação de praia que ultrapassa qualquer suplemento de verão e cai bem no intervalo de leituras mais sérias. Enfim, uma pequena parvoíce. É fácil, é divertido e pode ser jogado a pares ou individualmente. Experimentem pegar no telemóvel e escolher uma letra da agenda. Se, como na minha máquina, se apresentarem três números de cada vez no ecrã, é só imaginar o blind date entre as pessoas de proximidade alfabética.

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Monólogos celulares I.

"Tou? Então, amor, como estás? Bem? Tens sentido a minha falta? A sério? Ohhh.. e eu a tua... estes dois dias mais parecem dois meses, nunca mais me quero afastar de ti. Sabes... nem tenho conseguido dormir nem nada. Só consigo pensar em nós na casa da Tia Palmira no meio do feno. É verdade o que dizem, aquilo de facto faz um bocado de alergia, mas foi tão bom, não foi...? Até me senti mais em comunhão com a a natureza... Ana Teresa? Não, morzinho, natureza, aquela das árvores e dos rios e dessas cenas todas. Ai é? Vais andar de canoa com o teu amigo de infância, Marco André? E ele está mais crescido, é, mais homenzinho... ah, que bom! Quero que te distraias, docinho, que assim o tempo passa mais depressa. O Marco disse-te que gostava muito de ti, foi? É natural, fofinha, afinal vocês eram tão próximos, é natural... Ele fez-te sentir coisas que eu nunca tinha conseguido? Mas... coisas, como? Na canoa, foi? Ele é bom remador, é? Dentro e fora da canoa? E na cabana? No rio e nas margens... em cinco concelhos? Oh, coração, mas eu é que te amo, eu é que sei o que é melhor para ti... volta para Águeda e conversamos melhor sobre isso... Não vais voltar? Suíça? Com o... mas fazer o quê? Bater um recorde no Le Mans? Nas margens, os dois? Oh, Carla, mas o que é que o Marco André tem que eu não tenha? Tou? Coração? Não ouço bem...Estou a perder-te..."

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Eu acredito num sorriso (ou a influência nefasta dos telemóveis nas relações contemporâneas).

Ainda embalados pelos princípios enunciados por José Gameiro, merece uma análise mais profunda a relação que temos, hoje em dia, com os telefones móveis. Antes de mais nada, gostaria de esclarecer uns quantos princípios base na minha relação com os telemóveis, por uma questão de honestidade e deontologia bloguística:

1. Eu tenho telemóvel pelo motivo mais foleiro possível - porque toda a gente tem. E porque não é possível não se ter um. É uma compra obrigatória, ao nível de um quadro com o menino a chorar ou um dálmata de porcelana. Ok, ainda mais obrigatória.

2. Se pudesse escolher, eu não teria telemóvel, mas agora é tarde demais - os amigos, familiares e namoradas contam com ele, os patrões e colegas também, já para não falar das instituições bancárias, seguradoras e todos os outros telefonemas dispensáveis que passamos a vida a receber.

3. Eu odeio falar ao telefone. Logo, odeio ainda mais falar ao telemóvel - para além de ser impossível descortinar a reacção da pessoa do lado de lá às nossas palavras, deixa-me as orelhas a ferver e inchadas, o que é muitíssimo desagradável. Sempre que falo ao telemóvel mais do que dois minutos fico com a sensação de ter apanhado alguns 30 cancros.

4. As chamadas e os aparelhos são uma fortuna. Em Inglaterra, onde o nível de vida é muitísimo superior ao nosso, as operadoras oferecem telefones que cá em Portugal são vendidos na casa das centenas de contos. Nos EUA, isto já é feito há uns anos.

5. Para a maioria das pessoas, um telefonema justifica um atraso, "desculpa, estou aqui na D. Carlos I, mas está imenso trânsito, vou chegar meia hora mais tarde". Antes de haver telemóveis, as pessoas não chegavam atrasadas.

6. Um telefonema vale por um café, "tou, grande maluco, é só para te mandar um granda abraço! a malta depois combina aí um almoço ou assim, tá? tchau, maluuccccoooo!". Bom, um telefonema destes pode ser feito durante anos a fio sem que ninguém almoce com ninguém e, curiosamente, ficando toda a gente com a sensação que o fez. Para emagrecer, pode ser que funcione, mas para manter amizades, não dá.

7. Desde que há telemóveis, há o clássico interrogatório que faria qualquer PIDE ou Gestapo inchar de orgulho: "tou, onde é que estás? em casa? então porque é que se ouvem tantos carros? é a televisão? mas olha que parece que estás mesmo na rua... quem é que está aí contigo? ninguém? bem, parece mesmo a voz do diogo... pensei que vocês já não se viam, que ele era um filha da puta sem emoções... não é o diogo? é uma gravação da voz dele? mas porque raio é que tens uma gravação da voz do teu ex? a mim nunca me gravaste a voz... tens que desligar?? mas espera lá, que ainda não acabei de falar contigo... tou? tou? tou? olha, deve estar com falta de bateria...".

8. Em suma (não que não tenha mais argumentos contra, mas receio ter perdido os dois leitores que chegaram até aqui), enquanto houver telemóveis, não há espaço para a honestidade. Nunca sabemos se a outra pessoa está, de facto, em casa, ou sequer, no país, se sozinha, acompanhada, melancólica, deprimida, eufórica, enternecida, apaixonada. Podemos apenas confiar nas palavras que nos cantam ao ouvido. E essas, leva-as o vento.

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Toda a verdade.

Fala-nos o DNA de ontem, o tal suplemento que ninguém lê mas que todos citam, das relações familiares - conjugais, de pais para filhos e vice-versa - dos erros que cometemos em nome de um amor que nunca pediu para ser invocado, da passagem do tempo e dos efeitos nefastos dos silêncios. A entrevista é brilhantemente conduzida por Anabela Mota Ribeiro, mas o mérito maior pertence ao entrevistado, José Gameiro, psiquiatra e especialista em terapia familiar. Ouçam excertos da voz dele, tão próximos como eu os ouvi:

"A vida é feita daquilo que achamos que é verdade. O que é que mata as relações?", responde AMR, "O desajuste entre essas projecções e o que a pessoa é na verdade?", responde JG "Exactamente".

"(o telemóvel mudou as relações conjugais) Porque a possibilidade que as pessoas têm de se falar a toda a hora existe."

A entrevista é uma lição na arte da sinceridade, franqueza e um verdadeiro murro no estômago das convenções habitualmente associadas à instituição "relação". A polémica dos telemóveis segue já de seguida.

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Os cheiros que uma cor tem.

Dizes tu, Vírgula, e, como sempre, sensatamente, que a espera tem a cor vermelha. Dos semáforos que arrastam minutos que arrastam soluços e palavras por dizer. Mas, mais que cor, os minutos têm cheiro. De corpos. De terra húmida em manhãs de nevoeiro. De substâncias indizíveis, cruzamentos improvavéis entre um corpo e o próximo. E é nesses odores, que Channel, Escada, Armani e Prada ainda não descortinaram, que residem os minutos sem fim.

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quinta-feira, agosto 21, 2003

A cor,

Os que esperam sabem que os minutos mais longos são sempre vermelhos. Por causa dos semáforos que param, intransigentes, quem queria agora estar mais adiante.

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quarta-feira, agosto 20, 2003

B - A Batalha Final.

Muitas pessoas interessantes têm blogs. E as pessoas que têm blogs tendem a ser muitíssimo interessantes. Será que, neste mundo que não espera por ninguém (o que é uma chatice, porque eu nunca pareço estar no pelotão da fremte), só os "bloggers" sobreviverão? Estaremos nós a assistir ao nascimento de uma nova estirpe de seres "humanóides", em tudo semelhante a nós mas que, na realidade, por dentro são iguazinhos ao lagartos do "V - A Batalha Final". Provavelmente não, eu é que ainda não tomei o pequeno almoço e estou a delirar. Mas era interessante, não?

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terça-feira, agosto 19, 2003

Axioma du jour.

"O Sexo e a Cidade" é uma montra das relações humanas nas sociedades contemporâneas. Aliás, os textos desta série com o carimbo do HBO (como, aliás, "Os Sopranos" e "Sete Palmos de Terra") são de uma contemporaneidade e acutilância emocionais que deveriam fazer parte do curriculum base de qualquer psicanálise. O raio da série é tão genial que deviam tirar o "Nobél" ao Saramago e entregar-lho a ela. Ficava em melhores mãos e, conhecendo a Samantha (Kim Catrall), aposto que não só em boas mãos...

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segunda-feira, agosto 18, 2003

A diferença que uma Vírgula faz.

Digo eu, é na ausência que se sentem as saudades. Bem vinda de volta, minha parceira de pontuação.

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Domingo à noite,

Mais do que do Blogger, sentia a falta do Paulo Catarro.

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Revelação tardia,

Não importa a estação do ano, sempre que como um gelado contradigo, contrafeita, a máxima que diz que os prazeres são para saborear len-ta-men-te. Não é pressa por temer a passagem ao estado líquido, muito menos voracidade (mas pode ser insensibilidade dentária). A verdade é que não era justo que me acontecesse a mim, que vejo num mero Epá um momento de partilha, ficar, literalmente, a ver os outros comerem enquanto mordisco o pauzinho que sobra. Só este ano percebi que foi a pensar em pessoas como eu que a Olá criou, já lá vai mais de meia dúzia de verões, o Mega Perna de Pau. Aproveito a oportunidade para agradecer e espero não ter que esperar tantos outros para o lançamento dos pecaminosos Magnum em XL.

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domingo, agosto 17, 2003

Gosto Não Gosto,

Gosto de amarelo. Gosto de cores em combinações improváveis. Gosto do Sporting. Não gosto do estádio Alvalade XXI.

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Sobre o escândalo da pirofilia,

Contou-me um homem que reside junto a um parque natural:

já aconteceram os incêndios mais incríveis porque os lobos são espécie protegida. Os lobos matavam as ovelhas, o Estado dava um tanto por cada cabeça de gado e os pastores ficavam à espera. E tanto esperavam que desesperavam, pronto, tinham de fazer mal a alguém, e como eram gajos esquisitos, toca de lançar fogo, lançar fogo porque sim.

Contou-me o homem do talho:

isto também tem a ver com as vacas loucas. Quando essa coisa começou, deixaram de criar gado, não valia a pena, dava muita chatice. Antigamente o gado andava no monte e comia o mato, limpava o mato dos pastos. Agora fica tudo cheio de mato e arde tudo com muita facilidade, é o que é.


O Pai Itálico é mesmo Pai e é da Vírgula.

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Porque,

Como muitos outros na blogosfera, tenho um caderno preto onde aponto (avírgulo...) temas a desenvolver, insólitos escritos afixados e postes curtos prontos a servir. "Por que posto" era assunto agendado, há muito, para aturada reflexão e eventual prosa. Durante este tempo todo (passou tanto, desde o nosso último encontro), ouvi-me interiormente, em dúvida, "por que não posto?"... Também ouvi, mesmo, umas vezes, o verbo conjugado na segunda pessoa. Gostava de responder, no poste em que regresso, à laia de remissão pelo pecado da longa falta, com uma lista infindável de pequenos lazeres que me afastaram do computador. Mas nem um. Não foi a praia; não foi a leitura; não foi uma intensa vida social. Nada disso aconteceu à Vírgula nas últimas semanas. Talvez a estas faltas (do sol, palavras e outros), e menos ao calor, se deva a hibernação estival desta metade aqui do blogue. Não há desculpas, portanto. E agora são duas as questões sem resposta. Por que posto? Por que não?

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sábado, agosto 16, 2003

Aves raras.

Há quem tente a via do diálogo, há que opte pela via da resinserção social ou mesmo quem, como a grande maioria, opte por permitir que o terror faça parte do seu quotidiano. Não, meus amigos, não estou a falar dos deputados da AR, mas de um outro cancro da sociedade bem mais difícil de extirpar que o Paulo Portas - adivinharam, são os técnicos de ordenamento do tráfego urbano, aka, arrumadores.

Falemos então dessa espécie que se alimenta a) do pânico de vermos o nosso precioso bólide sofrer o mais pequeno risco que seja, b) das moedas que, hoje em dia, abaixo de um euro, já merecem uma ameaça proferida entredentes, c) da conivência das forças da autoridade e da população em geral que impedem estas aves raras de se juntarem ao Lince da Malcata na lista nacional de espécies em vias de extinção. Quem é que nunca se deparou com um clássico "ó chefe, destroça, destroça, tá bom!" proferido dois minutos depois de termos o carro estacionado e as portas trancadas? E os insultos que somos obrigados a engolir quando lhes negamos o dinheiro que é nosso e que não lhes pertence? "Vais ver o que é que te faço ao carro..." foi o último, mas também já fui agraciado com "anda um gajo p'raqui a trabalhar e estes gajos..." ou "é que eu hoje faço anos...", este último empregue dois dias consecutivos pela mesma criatura. Quando confrontado com a disparidade no calendário, o cancro safou-se assim "não, ontem não era eu, era o meu irmão gémeo". Convém recordar que uma das primeiras coisas que a droga destrói são os neurónios.

Eu cá escolhi a via do confronto. Quem me conhece sabe que, apesar da acidez de alguns comentários, na realidade sou um grande banana. Mas no que toca a estes agiotas dos tempos modernos, salta-me a tampa. Proposta de debate para a próxima sessão parlamentar: "Os arrumadores de carros e a sua importância como escudos humanos no combate às chamas: uma realidade". Bolas, para ser deputado só me falta mesmo torcer pelo FCP.

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quarta-feira, agosto 13, 2003

Nas Amoreiras, por exemplo.

Esta pertence a um amigo mas, pela sua brevidade e por resumir o meu ponto de vista em relação a muitas das obras arquitectónicas que embelezam Portugal, resolvi pedi-la emprestada.

“Os fogos em Portugal não estão mal, estão é mal localizados”.

Helás.

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Luís por Luís.

Se não existe uma regra de bom senso que só nos permita admirar pessoas mais velhas que nós, assumo já a autoria da própria. Aproveito a ousadia e quebro-a. É que os textos do Luís Filipe Borges, do Desejo Casar, um jovem colaborador das PF, têm uma característica rara e muitíssimo louvável: tudo o que ele escreve parece ter sido escrito especificamente para quem o está a ler, o que faz do Luís uma espécie de Luís de Matos dos blogs - se somos largos milhares, como é que ele consegue escrever um texto diferente para cada um de nós? Sempre que leio os posts dele, fico à espera de ver um ou mais coelhos brancos a espreitar por detrás do monitor, mas até hoje, nada. Ó Luís, vê lá isso, pá.

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Se arrependimento matasse.

Não fui ao Sudoeste. Vi os Moloko na televisão, cortesia da SIC Radical. Devia ter ido ao Sudoeste.

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O primeiro verão do resto das nossas vidas.

Final de Julho, princípio de Agosto, na altura em que as férias escolares eram o triplo das dos meus pais. Os meus avós davam-me guarida no Algarve, em casa deles mas, ao fim de duas ou três semanas, a TVE perdia o seu interesse, a praia ficava mais sensaborona e nem os meus amigos do Bairro dos Pescadores (carinhosamente apelidado de "Sertão") ajudavam a aplacar as temidas, implacavéis e fulminantes saudades. Era tempo demais longe dos meus amigos alfacinhas, das minhas referências quotidianas, do meu quarto e, sobretudo, dos meus pais.

Era então, quando as lágrimas ameaçavam, que começavam a chegar, providenciais, as cartas e os postais ao marco do correio. Algumas com palavras soltas (sempre carinhosas), outras com notas de quinhentos escudos escondidas no meio de uma folha de papel branco e ainda a esperada e temida carta com a pauta escolar. Poucos dias depois, na sequência de várias cartas trocadas (os meus avós não tinham telefone em casa e a única cabine telefónica ameaçava horas de espera), chegavam os remetentes, de carro, vindos pela serra, seis horas de viagem depois.

O verão já não tem três meses, há anos que não recebo nem envio cartas, os meus avós são só uma avó (…), a casa já tem telefone, a minha avó já tem telemóvel, a viagem faz-se em duas horas e meia pela autoestradas e, apesar de tudo, com tantas formas de comunicação, não consigo uma ligação directa ao céu.

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Declaração de (boas) intenções.

Uma vez que já se passaram uns bons meses desde que respondi efusiva e afirmativamente ao convite da minha Amiga Vírgula (curioso, escrevi amiga com minúscula e, antes de avançar, voltei atrás e corrigi o erro tremendo que estava prestes a fazer) para lhe servir de contra-peso nestas coisas dos "blogs", gostava de tecer algumas considerações, muito curtas que no verão não há paciência para ler muito, sobre a minha relação com esta amante fugidia que dá pelo nome de blogosfera.

1. Creio que estamos a entrar num período de selecção natural na blogosfera - só os blogs mais fortes, coesos, constantes, interessantes e intemporais sobrevivem.

2. A minha postura enquanto bloguista leva-me a ter, pelo menos, três cuidados nas coisas que escrevo: tento ser relevante, tento escrever em português correcto e, sobretudo, tento evitar o umbiguismo e as "privates". Escrever para os amigos é giro nos mails e nos postais de verão - escrever para uma massa anónima, esse sim é o verdadeiro desafio.

3. Tenho plena noção que falho com frequência nas minhas intenções. No entanto, o tempo ensinou-me a não me angustiar com esses erros e a perceber que são as imperfeições o que mais me encanta nos outros. Perfeito por perfeito, prefiro a Isabel Figueira.

4. Conto continuar a escrever no Ponto e Vírgula enquanto um conjunto de premissas se mantiverem: que a Vírgula continue minha parceira, que tenha vontade de o fazer, que tenha algo de relevante para partilhar e que tenha leitoras que queiram ter ninhadas de filhos meus. Mesmo que as duas primeiras não se concretizem, faço um sacrifício pelas crianças.

5. Espero, sinceramente, que quem nos lê tenha, pelo menos, um décimo do prazer a fazê-lo daquele que eu tenho a escrever estes disparates. E enquanto assim for, contem comigo.

Para dados completos sobre o meu DNA, façam favor de enviar fotografia de corpo inteiro (ou só partes) para esse grande clássico contemporâneo, pontovirgula@megamail.pt.

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terça-feira, agosto 12, 2003

Apesar de tudo, o amor persiste.

Fruto de uma excessiva timidez enquanto adolescente (sobretudo no que tocava às raparigas – ou melhor, não tocava, de todo…), nunca desenvolvi essa faceta da minha personalidade - a do macho latino. Dizem os entendidos que funciona e que, assim como há um leitor para cada livro, também nas relações improváveis há de e para todos os gostos. Posto de outra forma, mesmo aqueles tipos que usam linhas de engate como: "belas pernas… a que horas é que abrem?" não morrem solteiros e virgens (embora merecessem).

A Nerve, revista não pornográfica sobre sexo, lançou um passatempo para as melhores linhas de engate de todos os tempos. Podem não ser, de facto, o suprassumo da barbatana, mas que há por ali futuro, isso é inegável. E talento. E, sobretudo, muita, muita lata.

"Look, (…) there literally is a party in my pants, and you actually are invited."

Esta só funciona com mães de crianças de colo: "So, I see you like to fuck."

"I'm going outside to make out: care to join me?"

"I may not have gotten your virginity, but can I at least have the box it came in?"

"Do you believe in sex before the first date?"

"You are the most interesting piece of ass i've talked to all evening."

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Limpezas de verão.

Confrontado com a necessidade de reorganizar a minha (vasta e eclética) colecção de CD's, surge a dúvida crucial, com o nível de responsabilidade equivalente à escolha de um fato para o casamento (e, à partida, mais duradoura) - estilos de música ou ordem alfabética?

É que reparem: quando nos apetece ouvir música, o desejo nasce de uma banda ou artista ou de um género que corresponda (ou responda) ao nosso estado de alma? Bom, por aqui, nada feito. A verdade é que, dependendo das ocasiões, já me tenho socorrido de ambos os critérios de escolha. Optando pelo estilo de música, em que géneros subdividir? Optar por uma selecção mais lata ou por uma especificidade certeira? E no caso da ordem alfabética, "The Cure" entram em "C" ou em "T"? E o "Quarteto 1111"? Em "Q" ou em "1"? E agora, estão vocês a pensar - este indivíduo, que tomávamos por culto, interessante e, quem sabe, um adónis, tem cd's do 1111? Oh, meus amigos, se acham que este é a nódoa no melhor pano que é a minha discoteca, tenho duas palavras para vocês: Mafalda Veiga.

Volto amanhã com mais capítulos desta empolgante saga, com a promessa de introdução de personagens e variáveis novas como a minha empregada ou a exposição solar. Mais silly que isto, não há.

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sábado, agosto 09, 2003

O Meu Ponto e Vírgula.

O Ponto e Vírgula fez ontem três-meses-três. O que significa que O Meu Pipi também. Efemérides à parte, a verdade é que há coisas que, com o tempo, começam a cheirar mal. Viva nós!

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O triunfo do capitalismo.

Temos McDonald's. Temos, aliás, todas as principais cadeias multinacionais alimentares e outras, ao virar de cada esquina. Temos muses de arte contemporânea e uma das mais impressionantes colecções de Laliques. Temos jardins, palácios e palacetes, mosteiros e castelos para dar e vender. Temos uma democracia de direito, com direito a eleições livres e democráticas. Temos meios de comunicação social representativos de todas as orientações políticas de que há memória. Temos internet, chat's e blogs. Mas quando o país arde, não temos formas eficazes de prevenir ou combater as chamas. Quando o país arde, não temos nada.

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sexta-feira, agosto 08, 2003

Dúvida geneológica.

Se há uma prima direita, como ouvi hoje dizer, também existirá uma prima torta?

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quinta-feira, agosto 07, 2003

My onw private sudoeste.

Começa hoje o Optimus Sudoeste, o maior festival de verão cá do burgo. Não obstante a qualidade das bandas e músicos presentes (sim, não é todos os dias que recebemos visitas de nomes tão ilustres como Beck, Beth Orton, Beth Gibbons, Moloko, Jamiroquai ou Múm...), não consigo compreender a força que leva milhares de jovens adultos a viver uma vida em tudo semelhante às dos trabalhadores da construção civil, durante quatro dias - pó, suor e maquinaria pesada (neste caso, sob a forma de "djambés"). Já tirei uma mini do congelador e tenhos os cd's em cima da aparelhagem. Este ano, o Sudoeste é cá em casa.

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La Fontaine, “eat your heart out”.

(Aviso à navegação: o post que se segue é de um minimalismo e falta de qualidade literário atroz.)

Numa caixa de electricidade junto à porta do meu prédio mora um grilo. Como todos os grilos, este, quando o calor lhe aperta os calos (terão os grilos calos? E joanetes?), faz “cri-cri”, de uma forma particularmente estridente, só amplificada pelo avançado da hora e pela ultimamente tão comum dificuldade em adormecer. Já pensei várias vezes em regá-lo em gasolina e vê-lo contorcer-se de dores enquanto as chamas o consumiam. Mas há sempre algo que me impede de o fazer – seja quem for o santo protector dos grilos, tem feito por eles um melhor trabalho que S. Pedro tem feito por nós.

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Dejá-lú.

Já tinha dito que está muito calor?

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Afinal, eu ainda sou do tempo.

Não tenho idade suficiente para me recordar do tempo em que a rua era a ágora de cada bairro, mas guardo na memória com clareza as temporadas passadas em casa dos meus avós, no Algarve cada vez mais turístico, onde a fronteira privado/público se esbatia com uma facilidade surpreendente.

Foi por isso com enorme espanto (e inesperado reconforto) que assisti, há meia dúzia de dias, ao regresso dos habitantes do meu bairro à rua que os aloja. Ontem, na impossibilidade de adormecer, culpa do raisparta do termómetro, resolvi desmoer o jantar com uma providencial “voltinha pelo quarteirão”. Qual não foi o meu espanto quando percebi que não só não era o único como éramos às dezenas os grupos de famílias, casais e amigos que tinham escolhido a mesma forma de combate a este flagelo de verão.

Hoje à noite, quando acabar de jantar, vou pegar nos meus chinelos de praia e vou por aí, ao sabor dos números das portas, dos eucaliptos e das sardinheiras que dão cor e vida ao bairro que elegi como meu.

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terça-feira, agosto 05, 2003

A problemática dos iogurtes nas sociedades contemporâneas.

Continente do Colombo, dez e meia da noite. Enquanto ginastico a imaginação com um dos meus exercícios favoritos quando estou à espera da minha vez de depositar as compras no tapete rolante - tentar construir perfis de personalidade a partir das compras alheias - dou por mim a ouvir a conversa da matriarca da família que espera na fila do lado. Diz então a senhora ao filho, enquanto se estica para pegar num "pack" de iogurtes magros, "ó filho, é destes que quero, traz-me um destes!". Pequeno senão - os iogurtes eram da senhora da frente que, por acaso, nem deu pelo acto de indiscrição da matrafona. O marido, a medo, diz-lhe "ó melher, não se pega assim nas coisas das pessoas...", ao que ela responde, "mas qual é o mal? por acaso estraguei algum iogurte, foi?".

Depois de pensar que a senhora tinha sido, de facto, muitíssimo indiscreta, dei comigo a divagar - de facto, qual é o mal? Com certeza que os iogurtes, quando ainda na prateleira, são manuseados por dezenas, centenas de pessoas até que encontrem um dono que os queira adoptar. Por isso, e uma vez que os mesmos ainda não estavam pagos, sim, qual é o problema de alguém pegar neles e usá-los como referência para as suas compras?

O problema somos nós, os outros, aqueles que vêm problemas em tudo.

Está decidido - amanhã vou ao Pingo Doce de Alcântara chocalhar o Skip de alguém.

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segunda-feira, agosto 04, 2003

Blogs, Sitemeter e Rock'n'roll.

Desde que a Vírgula instalou o contador (vulgo "sitemeter") cá na tasca, tivemos perto das 3.000 visitas. Ou seja, todos juntos mal enchíamos a Aula Magna - mas lá que eu gostava de ver isso, lá isso gostava...

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Prémio Teixeira Duarte.

De todas as coisas que a metrópole nos pode oferecer, aquela de tive mais saudades foi a minha casa - serei um construtor civil em potência?

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Tudo isto é fado.

Não são as aparelhagens, nem as televisões, os telemóveis ou os fogões, as cadeiras, mesas, camas (mesmo que a estas atribuamos o valor simbólico que só o sono dos justos pode oferecer) ou loiças centenárias. Quando tudo arde, os homens e mulheres deste nosso Portugal choram as oliveiras e os carvalhos que as chamas engoliram. É nestas alturas que saltamos da cauda para o trono da Europa.

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domingo, agosto 03, 2003

Cantada II.

Fui comprar cigarros e voltei, querida. Como diriam os meus estimados Ornatos Violeta, "o amor é isto e nada mais".

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Deveraneios*,

Está de volta o Ponto. Já não posso andar aí a despir-me pelo blogue e perdi o pretexto para lhe pôr as malas à porta. Neste blogue são agora permitidas pequenas loucuras estivais.

A Vírgula vai pôr a leitura em dia, postará nos intervalos.

* devaneios de verão

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Cantada.

Diz a Vírgula uns posts mais abaixo (e muito bem), que as férias me afastaram desta coisada das novas tecnologias e da presença assídua aqui no blog. É curioso como esse afastamento (facilmente contornado com uma visita esporádica a um ciber-café, que esses proliferam em poisos turísticos como aqueles que visitei) foi gradual e espontâneo. Assumi perante a minha necessidade de sopas e descanso que o acesso à escrita (e a qualquer referência à minha rotina diária) seria prejudicial à minha retemperação (pareço o Pedro Choy...). But now I'm back from outter space...

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Orientação vocacional.

Se pudesse escolher uma profissão qualquer, teria sido domador de leões num circo de pulgas.

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I had a dream.

Sonhei que o meu carro tinha piloto automático. Bastava aproximar-me do painel de instrumentos e ditar, compassadamente, o destino e o Clio, obediente e eficiente, para lá seguia enquanto eu aproveitava para gozar a paisagem e por a leitura em dia. Não terá sido o sonho mais absurdo que tive mas, logo seguir aquele em que era o convidado de honra na Mansão de Hugh Heffner, foi, de longe, aquele que mais gostaria de ter visto transformado em realidade.

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La mala educacion.

Apesar de gostar de carros, estes não estão, nem de perto nem de longe, no meu TOP 10 de “hobbies”. Vá-se lá saber porquê, não é que nas férias me dá para comprar todas as revistas da especialidade que se me atravessam à frente? “AutoHoje”, “AutoFoco”, “AutoMotor”, “Turbo”, o suplemento “Motores” do DN de sábado, marcha tudo com a necessidade de informação inútil que a época estival me injecta, como se de um torpor intelectual se tratasse. O mais grave, meus amigos, é que não basta sentir-me estúpido a aprender coisas absolutamente inúteis (tudo o que venha em forma de siglas é conhecimento inútil), o pior mesmo é o prazer que esse processo voluntário de analfabetização me dá. Mais uma semana de férias e estava a bater palmas ao som do último single do Axel, no “Domingo Fantástico”.

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Quem te viu e quem te vê.

De ódio de estimação a amor de perdição, é essa a condição dos blogs no DNA de Pedro Rolo Duarte. Nesta sua nova fase de “blog-lover”, ainda sem a capacidade legislativa que tanto almejava, PRD resolveu criar uma rubrica no defunto suplemento que responde pelo nome de “Bloguices”. No DNA do último sábado, o nosso cantinho recebeu honras de citação, pelas mãos sempre talentosas da cara-metade cibernética aqui do Ponto. Não é do melhor que a Vírgula já escreveu (ou seja, o espólio da artista é muito e todo ele muitíssimo bom) mas, bolas, continua a ser motivo de orgulho. É que, não sei se sabem, eu lembro-me desta poetisa desde que andávamos de cueiros (sobretudo ela, que homem que é homem não usa fraldas, nem nunca usou). A amizade é mesmo um afecto curioso e inesgotável, não é?

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O cumprimento de um cumprimento.

Era um abafado início de tarde de Julho, numa quinta ali para os lados de Alenquer – não, as minhas origens sociais não são mais interessantes do que apregoo, estávamos antes num casamento. Um compadre meu dissertava sobre as razões que se escondem por detrás de qualquer cumprimento, sobretudo o mais polémico e embaraçoso de todos – “esta gaja dá um ou dois beijinhos? Que raio, não me consigo lembrar... lá vou eu ficar pendurado outra vez”. Sounds familiar? Dizia-me então o Afonso que, pedantismos à parte, a melhor justificação para dar um só beijo quando a cumprir um cumprimento é estabelecer um paralelo com o “passou-bem” – sim, porque, por mais próximo que fulano tal seja, nunca decidimos exprimir essa intimidade agraciando-o com vários exemplares do supra-referido – “Eh pá! Há quanto tempo, João! Dá cá uns dois ou três bacalhaus!” é quase tão absurdo como um bom batido de feijão frade (perdoem-me os fãs, mas pareceu-me um exemplo suficientemente mau para servir de metáfora). Logo, em boa verdade, a norma deveria ser um beijo, na face, assim como o é o aperto de mão ou o beijo nos lábios de um casal apaixonado. Mas isso são outros cumprimentos, bem mais compridos e prazenteiros de cumprir...

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Porto Editora, “tchi cuida”...

Ainda a sul, apercebi-me de que urge a necessidade suprema de criar um novo léxico adaptado às exigências do “dolce fare niente” da época estival. Assim sendo, proponho-me como director técnico de tamanha empreitada, contando com os nossos fiéis leitores e os seus sempre imprescindíveis “inputs” (excepto os do Fábio, mas águas passadas não movem moínhos) para fazer deste projecto um sucesso à escala internacional e até, quem sabe, regional. É que no verão parece mesmo ser possível encontrar novos sentidos para palavras ou expressões que conhecemos desde sempre. Primeiras entradas deste arrojado projecto, já a seguir.

Zapping: praia, piscina, praia, piscina, praia, piscina.

Estado Vegetativo (ou os efeitos prolongados da exposição solar): ver o “Rex, O Cão Polícia” e gostar.

Estupefacção: o efeito provocado pelo alcance inesperado dos caroços de melancia, quando arremessados com a força suficiente.

Sibéria: “petit-nom” dado às gargantas dos convivas quando confrontadas com a dicotomia temperatura do corpo/temperatura do copo – de cerveja, entenda-se, que no verão todas as outras bebidas são deliciosamente votadas ao esquecimento.

Mais entradas quando o calor permitir e, claro, na caixinha aí de baixo e na outra, pontovirgula@megamail.pt.

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Lisboa em Agosto (ou o Ponto na cidade).

Três-semanas-três depois, eis-me de regresso (definitivo) à urbe. A frequência dos posts, mais irrelevantes, inconsequentes e inconstantes, será mantida pelo Ponto até que a Vírgula regresse com um bronze de fazer inveja a qualquer boys-band. Nas férias escrevinhei umas coisas soltas que por aqui vou postar até que o ritmo normal das palavras seja reanimado. No entretanto, fica aqui um forte abraço (daqueles quer reservamos aos amigos) a todos aqueles que por aqui têm passado e que por nós têm deixado a sua marca - Zé Mário, Zazie, Marretas em peso, Tchernignobyl, Piscoiso, Tenente Blueberry, + ou - e muitos outros que têm assegurado a saúde pública da gerência aqui do tasco. Vemo-nos já de seguida.

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sexta-feira, agosto 01, 2003

Merecidas,

Há precisamente uma hora e meia que este blogue se rendeu, na metade que faltava, às férias. A frequência dos postes pode cair drasticamente. Ou talvez não.

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A mim não me enganam,

Três exemplos que explicam porque, em dias como estes, acredito mais no meu corpo do que nos factos que se me deparam e me deixam sem argumentos:

1. Passo em frente a uma Zara e entro noutra. Em ambas as lojas, no interior em lugar de destaque ou na montra, casacos de feltro. Chegou a colecção Outono-Inverno.

2. Ao almoço, a televisão ligada longe da minha vista, mas em sonora companhia: o Jingle Bells separa a entrevistas a crianças que, timidamente, encomendam as preferências ao Pai Natal.

3. Areeiro, 1 de Agosto, trinta minutos depois das quinze horas. O termómetro digital indica 7 ºC.

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