A pontuar desde 2003.

terça-feira, dezembro 30, 2003

Isto promete.

Não sei como pedir os meus desejos para o ano que vem. É que as passas dão-me gases.

|

Manobras (mais que) completas.

Ontem fui à matiné das "Manobras Completas", no S. Luiz, e gostava de partilhar convosco algumas conclusões perturbantes, algumas fascinantes e outras sem interesse nenhum.

- O Manuel Marques vai ser (já é?) um dos grandes actores cómicos de Portugal.
- Os textos são de uma acutilância e sentido de oportunidade extraordinários.
- A encenação e direcção de actores tem o melhor trunfo que se pode desejar - timming e contenção.
- Ver o Manuel Marques e o Bruno Nogueira, de top e calções, a abraçar-se, excitou-me, de uma forma estranha.
- Desde que o José Cid foi fotografado em pelota com o disco de platina a cobrir as partes baixas que não me ria assim.
- Mentira, ainda a semana passada, quando o José Cid cantou em cima de um cavalo branco, me ri assim.
- Mais, acho que me ri mais.

Um forte aplauso às Produções Fictícias e à rapaziada das Manobras pelo belíssimo momento de humor.

|

segunda-feira, dezembro 29, 2003

Variações sobre um tema.

Voltando aos Delfins, passei hoje de novo pelo outdoor que anuncia o lançamento do tal segundo volume do "Caminho da Felicidade" e reparei que a frase promocional do dito cujo publicita: "Os Delfins no seu melhor!". Ora, isto não é qualquer coisa como "A Reboleira em todo o seu encanto"? Ou mesmo "As melhores sandes de queijo entre a João XXI e a Defensores de Chaves"?

Inpirados pelo evidente sucesso dos seus colegas do Panteão da Música Popular Portuguesa, os Santos e Pecadores já prometerem um conjunto de êxitos, "Não Voltarei A Ser Fiel: Agora É Que Te Vou Pôr Os Cornos À Grande", para a próxima Páscoa e uma colectânea de baladas para o período quente que é o Verão, "Já Te Disse Que Te Encornei, És Estúpida Ou Fazes-te?".

Nunca confiem em vocalistas de bandas rock cujas filhas se chamem Carlota e Pipinha. Tenho dito.

|

Luzes de Natal,

Reciclam-se os watts e as luxuosas estrelas de Viseu brilham agora, sem intermitências, no jardim da Amadora. Trocaram os lugares à minha memória.

|

Promessa de Ano Novo,

Não voltar a ficar 20 dias sem escrever no blogue.

Leste bem, Pai Natal? E comecei antes do prazo. Já posso ter as minhas prendas de 2003?

|

Castigo,

Entre duas rabanadas, no auge das Festas, tento regressar ao blogue: ver como o Ponto aguentou as pontas por aqui, deixar recados, agradecimentos, avisar os leitores desprevenidos de que somos dois a postar. Foi este blogger e não este que quis repôr a justiça e penalizar-me pela minha prolongada ausência: a Vírgula foi excluída da lista dos convocados.

|

sábado, dezembro 27, 2003

Hoje o sol nasceu e, em princípio, há-de pôr-se.

Notícia de abertura do Primeiro Jornal, da SIC: "Ontem não morreu ninguém nas estradas portuguesas". Não sei o que pensar de um país onde se celebra o que deveria ser considerado senso-comum. Ainda bem que ontem não morreu ninguém nas estradas nacionais. Ainda mal que isso é notícia.

|

10 razões para não odiar o Natal.

Até os mais cépticos são forçados a admitir a verdade, quando esta é gritante. Bom, no caso do Natal, quando se fala em gritante, pensa-se automaticamente em enormes famílias aos berros - bate certo, é mesmo isso. Dê por onde der, bacalhau ou perú, no Norte ou no Sul, Natal que se preze tem que ter toda a gente aos berros. Enfim, passemos então às razões que me levam a não odiar o Natal de morte, optando antes por detestá-lo ligeiramente.

1. As reuniões familiares. Sim, mesmo com os berros.
2. Ver o sorriso de satisfação da minha avó por me ver com a camisa entalada nas calças.
3. Ver o sorriso estampado no rosto da minha mãe por ver a minha feliz por me ver com a camisa entalada nas calças.
4. Ter a camisa entalada nas calças - bolas, afinal é só uma vez por ano, também não custa assim tanto.
5. Ter tido a presença inesperada da minha avó no dia de Natal.
6. Os olhos arregalados da minha prima Beatriz a rasgar ferozmente o papel de embrulho, qual leoa a dilacerar um antílope no BBC Vida Selvagem.
7. Abraçar o meu irmão.
8. Os sms's de Boas Festas, sobretudo os mais inusitados e taralhocos.
9. Os telefonemas inesperados.
10. (...)

Afinal, pensando bem, talvez até goste do Natal. Mas não digam a ninguém, que essa merda dá-me má reputação.

|

terça-feira, dezembro 23, 2003

Telegrama natalício.

Um espírito de última hora possuiu-me (e foi tão bom...!) e, enfim, cá estou eu para vos desejar, aos cinco actuais leitores do Ponto e Vírgula (sim, mãe, contas por dois...) um Feliz Natal, assim mesmo, com maiúsculas e tudo. Ou, como diria um ex-director criativo meu, "porta-te bem, puto, e não apalpes o Pai Natal".

|

É inevitável.

Faltam pouco mais de 24 horas para o flagelo, o horror, o terror, o jantar de Natal. Salve-se quem puder. Os sobreviventes do armagedão, vemo-nos aqui lá para dia 26. A quem acredita, um forte abraço de Natal aqui da gerência.

|

segunda-feira, dezembro 22, 2003

Não lhes bastava o 1?

Delfins lançam "O Caminho da Felicidade 2".

|

Era mais um Jung para a mesa do canto, por favor.

Uma amiga minha enviou um mail para um grupo de amigos a pedir material sobre Jung, para um trabalho da faculdade. Um destes amigos, um engenheiro com um sentido de humor muito especial, respondeu-lhe assim, tornando-se no nosso primeiro itálico involuntário.

"Em relação ao Jung, eu pedi um ao Pai Natal! Se, de facto, eu receber um, posso levá-lo para o próximo jantar (espero que caiba no carro). De qualquer forma, acho que o jantar será em minha casa e, se eu não receber um no Natal, peço aos meus vizinhos de cima que também têm (acho que até têm três!). Os Jungs deles são muito sossegados e obedientes. Inclusivamente, um deles ajuda a lavar a loiça, permite fazer chamadas e tem acesso à Internet."

Um abraço à Rita, ao Rodrigo e ao Jung por terem tornado esta pequena comédia de enganos possível.

|

E não há quem o abata?

Ainda me estou a refazer do choque de ter visto, ontem, mesmo que por breves instantes, o José Cid montado num cavalo, enquanto cantava, no Circo Cardinali, no especial Herman SIC (não, não era o Natal da CERCIS, se bem que estive na dúvida durante uns bons minutos...).

Vejam bem - o puro sangue vive num circo (trauma nº 1), aparece num especial Herman SIC (trauma nº2), onde é montado pelo José Cid (traumas nº 3,4 e 5), enquanto este supostamente articula palavras em forma de sons (traumas de 6 a 10). Ora, onde é que estão os defensores dos direitos dos animais quando se precisa deles?

|

domingo, dezembro 21, 2003

Axioma du jour.

O Golum do "Senhor Dos Anéis" encerra, em si, uma boa parte das intenções da humanidade.

|

A ocasião faz o ladrão.

Ontem roubaram-me a antena do carro e depois devolveram-ma. "Era a brincar.. não devias andar com a antena no carro, vês como é fácil roubarem-ta?". Hoje voltaram a fazer-me o mesmo, invocando a mesma simplicidade, como se o objectivo de lá ter a antena fosse atraiar potenciais prevaricadores. Bom, detesto desiludir-vos mas eu, de facto, uso a antena para apanhar estações de rádio esquisitas, como a Oxigénio e a Luna. Até ao dia em que decidam voltar a castigar-me por acreditar na bondade instrínseca do ser humano.

|

These are a few of my favorite things.

T-shirts esquisitas, como o ZDQ seguramente não usaria, "Uma Caligrafia De Prazeres" de António Mega Ferreira e Fernanda Fragateiro, "As Mulheres De Hugo Pratt", um perfume cheiroso, uns lençóis azuis, dois bonecos da colecção "Johnny Macarroni", "O Piano" e "A Residência Espanhola" em DVD, duas marionetas indianas, um relógio, muitas palavras de carinho, um cozido à portuguesa de comer e chorar por mais, a presença dos amigos e da família mais próxima. Como diria o outro, "It's been a very good year...".

|

quinta-feira, dezembro 18, 2003

Ground control to Major Tom.

Sim, eu sei que temos andado em baixo de forma, desaparecidos, alienados, alheados, distraídos, ausentes, em suma, na balda. Mas não há amor como o primeiro e, para quem não sabe, a Vírgula foi, de facto, a minha primeira paixão, na terceira classe. Só por isso, apetece dizer, em jeito de promessa - senhoras e senhoras, o espectáculo segue dentro de momentos.

|

Post excessivamente pessoal e absolutamente desnecessário.

Perdoem-me uma nota pessoal - faz agora meia hora que passou o dia do meu aniversário. A nostalgia e outros sentimentos nobres deram, este ano, lugar a outras coisas. Quando descobrir quais, voltamos a falar.

|

terça-feira, dezembro 16, 2003

Axioma du jour.

O corpo humano é a mais perfeita das máquinas. As máquinas falham. É verdade, fui à neve e espetei-me que nem gente grande.

|

quarta-feira, dezembro 10, 2003

Tempus fugit.

Há um desporto chamado "curling" cujos campeonatos da Europa acompanho fervorosamente na Eurosport. Basicamente, o próprio consiste em fazer deslizar através de uma pista de gelo um objecto vagamente arrendondado. Para que a tarefa seja levada a bom porto, e o próprio alcance um alvo no fim da pista, há um grupo de atletas cuja função é afagar o gelo com umas vassouras, atrasando ou acelerando o inevitável destino do tal objecto. Este desporto é, indubitavelmente, o mais estúpido do mundo.

Muito próximo do vencedor, está o "biatlo", uma prova em que os atletas esquiam, graciosamente, só interrompendo a sua passada gloriosa para dar um ou outro tirinho ocasional. Reflictamos, então, sobre o assunto. Ok, o "curling" foi claramente inventado num país onde é de noite metade do ano e 70% da população é alcoólica e depressiva - enfim, há que matar o tempo. Agora, quem é que se lembra de, no meio de um quase bailado na neve, como o ski, enfiar uma espingarda e balas? Se a origem do desporto começou por ser a caça, não fará mais sentido matar as renas de jipe? Ou deitado? Agora, de pé, com 10 graus negativos, enquanto se esquia e está a nevar como se não houvesse amanhã?

Enfim, gostava de poder continuar a discorrer sobre estes e outros assuntos de interesse nacional, mas o campenato de apedrejamento da Al-Jazira está mesmo a começar e Deus sabe (perdão, Alá) como eu gramo uma bela e saudável competição.

|

Não sei se ria, se chore.

É já daqui a umas horas que a metade taralhoca deste blog vai pôr-se ao fresco, i.e., dar os primeiros passos (e sobretudo, os primeiros tombos) na prática do snowboard. Devo confessar, para quem não me conhece, que o desporto não é o meu forte, aliás, nunca foi. No ciclo, os jovens imberbes estavam divididos em dois grupos: os jovens (desportistas, motoqueiros precoces e inadaptados) e os imberbes (poetas, lingrinhas, caixas de óculos ou, no meu caso, todas as anteriores). Quase quinze anos depois, nada muda, excepto o meu penteado que, diga-se em abono da verdade, está francamente menos ridículo.

Ainda a propósito de desportos de inverno, vemo-nos num post já a seguir.

(Se até ao dia de Natal não souberem de mim, digam às equipas de buscas e salvamento para arrumarem as tralhas e irem para casa passar a consoada com a família...)

|

terça-feira, dezembro 09, 2003

Apre, gaitinha!

O RAP está de volta, a provar que a paternidade não é o aspirador de tempo, disponibilidade e imaginação que todos imaginávamos - é muito pior. Refeito que está do choque, o fedorento-mor volta à carga com um genial dissertação sobre um dos mais conceituados poetas contemporâneos portugueses, a par de Miguel Ângelo, claro, António Manuel Ribeiro.

Desde que as bombocas de morango voltaram a ser comercializadas que um regresso não era tão aplaudido.

|

sexta-feira, dezembro 05, 2003

Conversas habituais.

Mais uma conversa com o João, a propósito da colectânea de música portuguesa "Frágil 21".

João: Bem, esta música não tem nada a ver com a que passava no Frágil no meu tempo.
Eu: Acho que só pediram emprestado o nome...
João: Uma vez, à porta do Frágil antigo, fui barrado pela porteira que me disse que, naquela noite, a entrada era reservada a clientes habituais.
Eu: E tu?
João: Disse-lhe que se ela nunca me deixasse entrar nunca me poderia tornar num cliente habitual.
Eu: E ela?
João: Cagou.

Este país não está preparado para a criatividade.

|

Porque é que poderei ser (olha, e não é que sou mesmo?) publicitário.

Explica-nos o ZDQ, com a sua finesse humorística customeira, os motivos pelos quais nunca poderia ser publicitário. Inspirado pela dissertação, cheguei à conclusão que, mesmo que não fosse publicitário, dificilmente poderia ser outra coisa. Senão, vejamos:

a) Gosto de usar ténis esquisitos. Aliás, só gosto de usar ténis esquisitos.
b) Fazer "slogans" é a minha vida. Mal ou bem, mas é.
c) Faço zapping à procura de anúncios.
d) Não sei em que equipa joga o Derlei, mas sei de cor quantos leões é que a DM9 já ganhou no Festival de Cannes.
e) Adoro o que faço.
f) Posso usar t-shirts e calças de ganga todos os dias. E ténis esquisitos, claro.
g) Trato os meus directores por "panasca", "estúpido" e "atrasado mental", conseguindo a extraordinária proeza de manter o emprego.
h) Ouço música o dia inteiro. Alto. Muito alto.
i) Rio, muito, sempre.

Só pela i), já tinha valido a pena, não?

PS: Falta a parte institucional da profissão (a importância de contribuir para o crescimento de uma marca, perceber que o meu trabalho ajudou, de facto, a resolver um problema do cliente, etc), mas essa fica para outras núpcias.

|

Amigos, amigos.

Na blogosfera, encontrei vários, embora só tenha tenha tido o prazer de ver os rostos por detrás dos monitores em meia dúzia de casos. Mais do que amigos, encontrei afinidades e convergências que dificilmente se encontram na vida quotidiana. E depois há os outros, os que já eram amigos antes de serem bloggers. São alguns e não resisto a citar dois - os desabafos clarividentes, cheios de tripas e coração, da minha querida amiga Lia e todas as formas de amor que cabem no blog do meu caro amigo João. As referências não são cunhas nem provas de amizade - são elogios há muito devidos.

|

quinta-feira, dezembro 04, 2003

Obras à porta,

Não há passeio, é uma ponte de metal verde que nos leva a casa. Rente aos edifícios, arrancaram as pedras da calçada – uma a uma. Escavaram a terra que ficou, depois. Os prédios (o número dezoito e os outros pares) parecem aguardar o transplante. Mostram os canos descobertos: raízes que os ligam, a trama subterrânea da cidade.

|

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Arquitectura ideal,

As ideias, como as peças de lego, já serviram para vivendas, casebres, palácios e edifícios sem nome. Enquanto o ouvia empilhar um bairro inteiro de novos projectos, lembrei-me do tempo em que construía casas com riscas coloridas, horizontais.

|

Navio de espelhos,

Apetece chamar outros aos livros que não são ainda nossos, mas que pousam nas estantes, prontos a voar para as mãos abertas de quem passa. Duas faces visíveis (lombada e capa) e palavras que esmagam outras distinguem as novidades de natal, formalmente iguais, a duzentos quilómetros ou poucos metros de distância.

|

Preferência na gravidade,

Antes subir que descer. Quando se vai para cima a força que importa é a nossa – das nossas pernas, da primeira velocidade, do cabo do elevador. Para baixo, vale o peso e a inclinação. A subida contém com maior evidência o seu contrário (activado automaticamente em cada paragem) e, além disso, troco de bom grado a ajuda dos santos pelo controlo sobre a roda.

|

Depois da esquina.

Há uma esquina em Campolide, pouco depois da Meia Laranja, sobranceira ao Casal Ventoso, em que o mundo muda. Depois de uma curva em cotovelo, e de guinar o volante para a esquerda, Lisboa invade-me com uma beleza violenta. O mais curioso é que, apesar de lá passar todos os dias de há uns meses para cá, continuo a ser apanhado de surpresa. É a ponte, queimada pelo sol, o rio, revolto ou tranquilo, os prédios esguios e imperfeitos e as árvores que os ladeiam.
Há uma esquina em Campolide que muda o mundo.

|

segunda-feira, dezembro 01, 2003

Lugares comuns.

Podes estranhar. As palmas das minhas mãos nunca transitaram nas mesmas terras que as tuas.
Mas todos os dias estes braços imóveis remendam a inércia da noite, celebrando a crença nas palavras.

Etc.

|