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segunda-feira, janeiro 26, 2004

Electro-qualquer-coisa.

Recebeu o rótulo de "electroclash", perfeito na designação, redutor como todos os rótulos. Foi a moda do ano passado - e como as mais recentes manifestações culturais de massas, é muito mais que música. É vestuário, atitude e um conjunto de referências que remontam aos idos dos 80's. Acontece que, não sendo particularmente fã de uma enorme parte da cultura desta década ("Fame", "Flashdance", os folhos, as rendas com saltos altos, a arquitectura, a Sabrina,...), confesso que há qualquer coisa no "electroclash" que me desassossega.

Ouça-se "Fuck The Pain Away", do primeiro álbum de Peaches, ou "Sweetness" do registo de estreia dos Fischerspooner e tente-se a indiferença - impossível, digo eu. A reacção é de compulsão, convulsão provocadas pela mecanicidade do ritmo, pelas vozes robotizadas, pela desumanização dos temas retratados. Cereja no topo do bolo, "Euro Trash Girl" das Chicks On Speed, uma divertidíssima manifestação do estilo "electro". Gosto sim, senhor, mas não sei porquê, nem sei se gosto de gostar. Tanta contradição só pode ser coisa boa.

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