A pontuar desde 2003.

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Semiótica de bolso.

São milhares as expressões que usamos no nosso discurso quotidiano que não nos pertencem – lugares-comuns, ditados, frases feitas, respostas automáticas, onomatopeias. Os motivos pelos quais recorremos a estas bengalas prendem-se com questões de ordem onírica (preguiça), metabólica (cansaço), intelectual (ignorância) ou relacional (o gajo a quem estamos a dar trela é um chato do camandro).

Aqui no Ponto e Vírgula, porque nos preocupamos com o desempenho social dos nossos leitores, decidimos isolar uma lista de expressões comuns e acoplá-las ao seu sentido mais profundo, que é como quem diz, a desmistificação semiótica é um trabalho sujo, mas alguém tem que o fazer. Primeiro apresentamos a expressão em causa, e em seguida, aquilo que a própria quer, de facto, dizer. Senhoras e senhores, este é mais um serviço público com o selo de falta de qualidade Ponto e Vírgula.

“Certas e determinadas pessoas” – tu.
“Eu sei de coisas” – não faço a mínima ideia.
“Trigo limpo, farinha amparo” – nunca soube o que é que isto quer dizer, mas soa nice.
“É a crise, pá” – adoro queixar-me por tudo e por nada.
“Tenho que dar um clister à minha avó” – preferia espetar agulhas nos olhos do que continuar a ter esta conversa.
“No meu tempo não era assim” – pois não, era muito pior.
“Sou todo ouvidos” – ora bem, leite, ovos, aipo, farinha…

Deixamos o debate em aberto e, como sempre, contamos com as vossas preciosas contribuições para levar a bom porto esta complexa tarefa de interesse nacional e, qui ça, regional. Excepto se forem os jarretas do “Acontece”, claro – nesse caso, obrigado por terem vindo, mas aconselhamos outros blogs irmãos, como o www.semioticasesemiologias.blogspot.com, o clássico www.aminhavidacomsaussure.blogspot.com ou o portento www.peirceeumpao.blogger.com.br.

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