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quarta-feira, março 31, 2004

Como eu costumo dizer.

Já se cruzaram com estas pessoas na estrada de vida, com certeza. Infelizmente, são uma espécie em vias de expansão e tudo o que dizem ganha honras de dogma - só isso pode explicar a proliferação da tão frequente, tão irritante e tão virulenta expressão "como eu costumo dizer". Analisemos, então, a coisa ao pormenor.

Por exemplo, Oscar Wilde ganhou o direito de dizer "como eu costumo dizer" (agora não, que está em avançadíssimo estado de decomposição) - afinal, o homem que se recusava a envelhecer passava a vida a dizer coisas bestialmente interessantes que todos nós, pelo menos uma vez na vida, já tivemos a tentação de citar. Logo, tudo o que ele disse é passível de ser uma frase que "se costuma dizer".

Temos então que, excepto Oscar Wilde, Virgina Woolf ou Fernando Pessoa, mais ninguém parece ter a autoridade para "costumar dizer" o que quer que seja. Muito menos alarvidades disfarçadas de verdades universais. Ou, como eu costumo dizer, quem tem telhado de vidro deve estar mas é caladinho.

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