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sexta-feira, junho 04, 2004

Vertigem,

Um amigo deitou cá para fora um livro de versos novos e velhos. Prefiro os que vi despontarem vai para dez anos. Não sei se gosto da poesia ou do cheiro que trazem.

Cabisbaixo corria um cão
Cretino cão aquele
Que cabisbaixo corria coitado
Porque correria ele?

Cretino cão aquele
Que assim corria cabisbaixo
Cabisbaixo corria ele
Corria louco, rua abaixo

O cão corria coitado
Porque lhe doía não correr
Era cretino o cão coitado
Merecia bem morrer

E lá morreu atropelado
Esventrado numa rua
Cabisbaixo o cão traçado
Atormentado da falta sua.


Miguel Soares, Vertigem, Editorial Tágide, 2004

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