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terça-feira, setembro 14, 2004

Memórias de um nariz.

Desde que me lembro de mim que me lembro de ter um olfacto muito mais apurado do que será normal ou mediano. Os cheiros (odores parece-me demasiado pejurativo, aromas soa-me a elogio sem o ser) desde sempre me afectaram mais do que a maioria das impressões. Considerado uma benção por uns e um fardo por outros, a verdade é que este excesso de sensibilidade tem mais do último, do peso dos cheiros desagradáveis, por serem incómodos ou, sobretudo, indesejados. Falo, claro, dos cheiros que desencadeiam memórias - doces, amargos, frutados, florais, intensos, suaves, ténues, agressivos mas sempre, sempre, memórias. Ao final do dia, só sonho em poder respirar e sentir o cheiro por que mais anseio - o da ausência.

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