A pontuar desde 2003.

segunda-feira, setembro 20, 2004

Tiranossauros, brontossauros e um alemão abichanado.

Mais uma das invenções geniais da SIC no combate à supremacia da TVI em produzir lixo televisivo, eis que surge a Gala do Rock. Propósito? Enaltecer o rock português, desde os seus primórdios até... enfim, aos seus primórdios. Evito o zapping, e aguardo, espectante, o desfile do cetácio. O genérico promete - GNR, UHF, Heróis do Mar, Delfins, Xutos, Da Weasel (só para despistar) e mais umas quantas aves raras com uma coisa em comum - nenhum deles soube sair no auge, arrumar as botas e abrir um restaurante vietnamita ou uma oficina de recauchutagem.

Quando dou por mim a pensar "bem, pior é impossível", é mentira - a gala é apresentada pelo ex-humorista, actual anedota abichanada ambulante Herman José. Bonito, bonito, penso eu. Mas a coisa melhora - provavelmente por causa da coca, o Krippaldi dá-lhe para fazer umas perguntas alucinadas aos convidados, sem ponta de graça, enquanto pavoneia a sua camisa com reflexos brilhantes, por entre um número da Broadway da Musgueira e o próximo.

Nisto, estou eu francamente aziado, provavelmente por causa do almoço, mas, a esta altura do campeonato, sabe-se lá. A caminho do botão "off" do comando, entram Miguel Ângelo e Fernando Cunha em cena, a cantar em versão acústica "Um Lugar Ao Sol". Sem kompensans em casa e com a farmácia de serviço a uns quilómetros de distância, desespero. Enfim, nada que uma cura de desintoxicação intensiva de Ornatos Violeta, Clã, Stowaways, Alla Pollaca, Gomo, Bullet ou Sam The Kid não resolva. Rock português assim? Obrigado, mas faz-me mal à vesícula.

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