A pontuar desde 2003.

segunda-feira, maio 31, 2004

Uma dúvida recém-chegada,

Já me tinham dito que aqui o blogue tinha outro aspecto. A coerência da vírgula só me permitiu constatar as mudanças pouco antes da hora do primeiro poste da nova era. (É que, como não postava, recusava-me a abrir o blogue, não fosse o Ponto estender o dedo acusatório do outro lado do ecrã.) É bonito, sim senhor, o nosso traje novo na blogosfera. Pergunto-me, no entanto, se devia ter percebido o valor do símbolo florido aí no canto ou da sequência numérica 565. Há alguma coisa que me queiras contar, Ponto querido?

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Já cá faltava,

Alguns -
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve
e os próprios poetas,
serão talvez dois em mil.

Gostam -
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.

De poesia -
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.


Wislawa Szymborska, Alguns gostam de poesia - Antologia, Cavalo de Ferro, 2004

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domingo, maio 30, 2004

Falsas partidas,

Foram todas as outras.

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sábado, maio 29, 2004

Providência divina.

(Ou "The iMac works in mysterious ways".)

Abro o explorer, dos favoritos escolho o público online e, na minha curiosidade mórbida, decido ler mais sobre uma notícia de faca e alguidar. Mal abro a notícia, aparece-me a janelita que está aí em baixo. Agora digam lá - Deus tem ou não tem sentido de humor?

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quinta-feira, maio 27, 2004

A bola, pois então.

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Retalhos da vida de um publicitário.

Ao almoço.

Eu: Vocês acham que a última ceia foi num restaurante de que tipo?
Ele: No Painel da Alcântara, claro.
Eu: Sim, se era a última, só podia ser no Painel e a uma quarta-feira.
Ele: Por isso é que Belém é tão perto de Alcântara...

Pois.

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Qualquer dia é um bom dia para celebrar.

(Título do post emprestado pela minha psicoterapeuta.)

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terça-feira, maio 25, 2004

Onde é que ela estava?

Sempre tive a leve impressão de que tinha andado na escola errada. Hoje tive a certeza.

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Breves impressões sobre uma catástrofe nacional.

Oscáres da Castanheira do Ribatejo, parentes pobres de outros globos, estes ocuparam o pequeno ecrã do canal de Carnaxide durante uma boa parte da noite televisiva de ontem. Acontecimento de utilidade duvidosa, de interesse e qualidade nada duvidosos (ninguém tem dúvidas de que aquilo é método de tortura em algumas prisões do Lieschenstein), em relação à edição 2004 dos Globos d'Ouro torna-se imperativo tecer algumas considerações:

- Está finalmente descoberta a origem da descoloração do cabelo de Herman José. Resta saber se a lobotomia foi bem sucedida.

- As maminhas da Fátima Lopes são falsas e eu lido muitíssimo bem com isso.

- O Diogo Infante é giro que até dói. E o namorado dele também acha.

- Os prémios carreira dão-se a quem calha, independentemente dos laureados estarem ou não ligados à área de actividade coberta pelo evento. Dar um Globo D'Ouro ao Eusébio é um bocado como dar um óscar carreira ao Ramos Horta (sendo que o Ramos Horta é melhor actor do que o Pantera Negra).

- As bandas rock ficam ridículas de smoking. Porra, os Clash nunca usariam sequer uma camisa lavada para jantar no Palácio de Buckingham.

- O Luís Represas anda a fazer a mesma música há 22 anos e ainda ninguém deu por nada.

De resto, até gostei bastante. Para o ano há mais?

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segunda-feira, maio 24, 2004

Três delícias.

Não, não é a famosíssima iguaria do Chinês (eu sou mais da facção Chao-Min de Gambas), mas as três delícias musicais que não me abandonam o leitor de cd's nem a memória auditiva, nos últimos dias.

- Brad Mehldau a re-interpretar, de forma magistral, três temas dos Radiohead, em três álbuns diferentes. A saber, "Exit Music (For A Film)", em "The Art Of The Trio - Vol. 3", "Paranoid Android" em "Largo" e, mais recentemente, "Everything In Its Right Place" (alguém se lembra do despertar de Tom Cruise no início de "Vanilla Sky"?), no último "Anything Goes". Todas as versões de génio, a provar que Mehldau é um dos mais talentosos pianistas da sua geração.

- Gary Jules a re-interpretar "Mad World" dos Tears For Fears, na banda sonora de um dos maiores objectos cinematográficos não identificados dos últimos anos, "Donnie Darko". De cortar a respiração.

- Beck, o próprio, a re-interpretar o clássico "Everybody's Gotta Learn Sometimes", dos The Korgis, na banda sonora da última trip de ácidos de Charlie Kaufman e Michel Gondry, "Eternal Sunshine Of The Spotless Mind". Beck é Beck, que é Beck.

Cinco versões, cinco momentos de genialidade pura. A história reescreve-se?

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sábado, maio 22, 2004

Olha, uma excepção.



Daqui até aqui, um beijo apertado de parabéns em forma de assim.

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sexta-feira, maio 21, 2004

Êxodo musical (mas ao contrário).

Enquanto ainda é tempo, marquem as vossas férias para os primeiros dias de Julho. Sim, as praias estão à pinha, as autoestradas entupidas e a inflacção sazonal ao rubro, mas pelo menos ficam à distância mínima de segurança do Estádio de Alvalade, onde este senhor volta a insistir em cometer atentados ao bom senso e à paciência humana. Malldito espaço schengen...

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O Galopim de Carvalho vai gramar esta.

Cientistas descobrem nova era da Idade dos Dinossauros - depois do triássico, do jurássico e do cretácico, imediatamente antes do Big Bang, fortes indícios demonstram a existência de uma quarta era, ainda sem nome, caracterizada pela imensa concentração de velhas carcassas dos períodos anteriores.

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quarta-feira, maio 19, 2004

CMYK.



Dão-se alvíssaras a quem descodificar esta.

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Discos pedidos.

Não sei se vos acontece, mas ele há dias em que a alma nos pede um disco ou uma música em particular e, enquanto não apaziguarmos essa inquietude entregando o sacrifício à dita, o corpo não nos larga. Hoje passei, sem exageros, por dez géneros musicais e mais de trinta artistas até descobrir a peça do puzzle que faltava ? ?Where Are You? dos Dzihan&Kamien, do álbum ?Freaks And Icons?. Este já cá canta. Desassossego que se segue, por favor.

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Justiça, já.

O José Eduardo Agualusa roubou-me uma ideia para um livro. Chamou-lhe "Vendedor de Passados" e é uma fraude, porque a ideia é minha. Nunca conheci o Zé Eduardo nem cheguei a escrever o livro, mas isso não lhe retira a culpa nem o merecido epíteto, a ter efeito de hoje em diante - ladrão, acompanhado por uns sempre sonantes safardanas e biltre. Se o virem na rua, pisem-no empenhadamente. Ele há com cada um, que francamente. Onde é que está a propriedade intelectual quando mais precisamos dela?

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segunda-feira, maio 17, 2004

Surrealismos.

Uma piscadela de olho a Dalí, numa homenagem totalmente involuntária.

Sempre que cozo o que quer que seja, sobretudo vegetais, escolho uma panela muito maior do que o aparentemente necessário por um motivo muito simples - não há nada mais singelamente encantador que o bailado de uma cenoura bébé.

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Carry Me Ohio, Carry Me Home.

Se fechar os olhos, por breves segundos apenas, juro que estou num bar na Route 66, Bud na mão, os olhos toldados por uma súbita enxurrada e o peito numa calma serena, próxima dos sonhos em que morremos. No palco, Mark Kozelek e os Sun Kill Moon embalam-me numa viagem que não quero que termine nunca, lá para os lados do Ohio, mesmo à esquerda da alma.

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Ghost-busters.

Esta metade do Ponto e Vírgula foi a banhos. Rejubilemos, então, de alegria por termos abandonado o tom de pele "branco família adams" em virtude do muitíssimo mais invejável "creme meia de leite muito clarinha". O regresso avizinha-se para breve. De quê, ainda não decidi. Vemo-nos por cá.

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quinta-feira, maio 13, 2004

Breve epifania musical.



A música nem sempre se ouve com os ouvidos.

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quarta-feira, maio 12, 2004

Axioma du jour.

Cortesia de uma conversa ao almoço.

Os portugueses são curiosamente parecidos com o Forrest Gump: apesar de um bocado apalermados, estão presentes em todos os grandes acontecimentos da história da humanidade.

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Ida à madrinha.

Concebido no pico da emancipação feminina e no auge das revoltas estudantis (ou um pouco mais tarde, enfim), não só não sou baptizado como nunca tive uma relação formal com a instituição cristã. Para imensa pena minha, passei toda uma infância sem conhecer esse baluarte do sonho consumista de qualquer criança: a madrinha.

No entanto, cedo percebi que a proverbial "ida à madrinha" se repetiria em várias ocasiões ao longo da vida, o que me levou a guardar no armário uma ou duas camisas e umas calças menos coçadas. Hoje, o Ponto e Vírgula foi à madrinha e voltou vestido assim. Esperamos que gostem. A madrinha aprovou.

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A verdade universal, numa linha ou menos.

"Breve confissão de um pai: Vivo em jet-lag. A filha tem o horário espiritual de Nova Iorque." Um abraço, woody. Ah, e um beijo para a filha.

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Notícias do fundo.

Cansaço para além do humanamente aconselhável STOP A gerência promete posts fresquinhos e uma cara lavada muito em breve STOP A todos aqueles que nos parabenizaram, um forte abraço e, como diria o vocalista de uma qualquer banda rock, os posts que se seguem são dedicados a um grupo de pessoas muito especiais: vocês STOP.

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domingo, maio 09, 2004

Já Pitágoras dizia.

Parece que celebrei, de forma blazé, o nosso aniversário há um par de semanas. Parece que, afinal, só fizemos um ano de vida no passado dia 8. Sempre fui assim - um homem à frente do meu tempo. E péssimo a matemática. Enfim, parabéns a nós, ena, ena, oba, oba.

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sábado, maio 08, 2004

Comemoração,

Ponto e Vírgula: a postar desde 8 de Maio de 2003.

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quinta-feira, maio 06, 2004

Apesar de não parecer.

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Para uma imensa minoria.

O cansaço e o ritmo de trabalho têm-me impedido de actualizar o Ponto e Vírgula com a frequência que desejaria e, imagino, com a frequência que os nossos três leitores desejariam (sim, descobri hoje que o Manuel Monteiro é um fã confesso, desde o primeiro dia). É um pedido de desculpas, sim, mas sobretudo um encontro. Um dia destes, o mais rápido possível, no sítio do costume, estou de volta. O primeiro a cortar-se é roto ou, pior, da Nova Democracia.

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segunda-feira, maio 03, 2004

Amor gastroenterológico.

Ela: Sabes, às vezes sinto assim uma coisa dentro de mim, não sei bem explicar...
Ele: Isso são gases.

Touché.

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domingo, maio 02, 2004

A cor que o som tem.

Correndo o risco de arruinar uma foto que me deu especial gozo tirar, deixo os disparates para um post em breve. Combinado?

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