A pontuar desde 2003.

quarta-feira, setembro 29, 2004

Próxima estação,

A melhor para mim é sempre aquela que começa, agora ou noutro dia, quando mudar outra vez o tamanho dos dias e das noites. Quando se misturar outra vez a memória com a luz à minha frente e os cheiros, as temperaturas, os ventos, que todos os anos me parecem ser (quase) os da infância.

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Estações,

Quando li este belo poste, ouvi de novo a voz do Jorge Silva Melo a dizer à Anabela Mota Ribeiro, de muitas maneiras diferentes, o que o Ruy Belo já tinha dito no apuro de um verso que me comove (mesmo se nunca o faria meu): "Triste é no Outono descobrir que era o Verão a única estação".

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Can you hear it, pumpin' on your stereo?

Roubada a um tema dos (subvalorizados, na minha opinião) Supergrass, serve o título deste post para dar nome a uma nova rubrica que nasce hoje aqui no Ponto e Vírgula - músicas da nossa vida, notas que trauteamos nas salas de espera da Clínica Persona, enfim, tudo cabe aqui, em forma de desabafo, crítica ou nota de rodapé. O ar que respiro tem um som. Ouves?

"Fool, I love you, huuu, how I love you", sussurra Maximilian Hecker, o ex-modelo actual cantautor alemão. Não é para mim, este amor. É de Maximilian e meu também. Procurem-no em "Rose", fabuloso álbum de 2003, com edição da PIAS Records.

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Uma questão de pele.

Há filmes que são, inequivocamente, brilhantes, obras-primas indiscutíveis - quer pela fotografia, pelo desempenho dos protagonistas, pela realização, pelo argumento ou por uma feliz conjugação de todos estes factores. E depois há filmes que são brilhantes porque nos arrepiam a cada sequência, a cada plano, a cada "soundbyte". Agora em DVD, com este outro, por 25?, na FNAC. Acreditem, é de graça.


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Deadlines,

Os meus prazos são de dois dias ou nove meses. Há quem se liberte amanhã de tarefas bem mais prolongadas. Um brinde a esta senhora e a esta menina.

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terça-feira, setembro 28, 2004

Expertise, meus caros, expertise.

Este "clipping" foi retirado de um jornal cabo-verdiano (a cujo título não tenho acesso) da semana passada. Está, de facto, na altura da Metrópole aprender alguma coisa, está sim senhor. Venha daí essa expertise.


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Promitente vendedora, promitente compradora,

Que tempos estes em que vivemos em que assinamos as nossas intenções em contrato.

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domingo, setembro 26, 2004

Colunas,

Até à passada quinta-feira, o Martins era o meu colunista preferido na impresa portuguesa (o Pedro Mexia logo a seguir; a Cidália e a sua decepcionante versão lusa e a solo do sexo e a cidade, bem mais abaixo). Agora, delicio-me com o avesso do que outros escreveram nas "pequenas ficções a partir de grandes poemas" que este senhor assina no suplemento das sextas do DN.

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Desconfiar,

Seguindo o exemplo do augusto Harry's Bar de Veneza, há quem mantenha o gin dentro do congelador e assim evite a diluição causada pelo estorvo dos cubos de gelo. Mas, para ser sincero, alguma diluição é bem-vinda: resta saber quanta. E não só: na agitação do gelo dentro do "shaker" (qualquer frasco ou copo grande serve), acredito implausivelmente que algum benefício advém da mistura. Talvez não: não sei. "Não sei" são as duas palavras sábias do bom "barman" (e do bom cozinheiro). Desconfiar é o máximo que se permite.

De "As bebidas fundamentais", Martins, DNa 17 de Setembro.

No próximo ano, a leitura de livros de receitas continuará a ser uma das únicas aproximações que me é permitida às bebidas espirituosas.

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sexta-feira, setembro 24, 2004

A cor que a luz tem.

Por estas bandas, o Outono é mais do que uma estação, é um estado de espírito, com direito a minhocas e tudo. Setembro é um mês sem fim.


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quinta-feira, setembro 23, 2004

Ah, é verdade.

"September's here again...", como diria o meu amigo David Sylvian. Enjoy.


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Moda de boca,

Durante uns tempos vivemos com o "é assim" qual travessão no início de cada frase. Houve a fase do "tipo" e da variante "é do género" intercalados palavra sim, palavra não. Agora há um tique de fala que me anda a irritar bastante. As pessoas aproximam-se dos balcões, saltam o cumprimento, e atiram com o "só uma pergunta" mesmo que do outro lado esteja alguém atarefadíssimo com um embrulho, a atender o telefone ou a contar dinheiro. Era apenas uma e ainda não sabiam se podia ser, mas não esperam resposta e disparam sete. Não se pode calá-los?

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quarta-feira, setembro 22, 2004

Bug busters,

Primeiro eu não via o que postava, mas sabia que estavam cá as afixações e que eram vistas pelos outros. Foi quando quis vir aqui dizer mais qualquer coisa que entrei nos bastidores de outros blogues, ou antes de outros bloggers. É verdade que não conseguia aceder aos blogues de cada um, mas era estupidamente fácil chegar aos painéis edit my profile e change password. É muito desconfortável: não gosto nada de ver desconhecidos em roupa interior, o excesso de intimidade intimida-me. Espero sinceramente que os senhores da plataforma façam qualquer coisa. E que até lá ninguém se apodere aqui da Vírgula nem aí do Ponto. Entretanto, resta-me a espera e cantar baixinho: "who are you gonna call?".

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Frustração profissional,

É quando os problemas nascem do chão e bastante acima dele mas somos nós que temos que os explicar.

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Ecologia antes da ecografia (azul ou amarelo),

Quanto mais o tempo escasseia mais me perco em questões eternamente sem resposta. A minha dúvida desta semana: que ecopontos recebem as embalagens tetrapack?

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terça-feira, setembro 21, 2004

Versão improvável.

São as melhores, pelo menos no que à música diz respeito. Recordo, de memória, a releitura que Johnny Cash fez de "Personal Jesus" dos Depeche Mode, ou a fabulosa interpretação de Tricky do fabuloso "Love Cats" dos The Cure. A acrescentar a este rol de sucessos, "Careless Whisper", dos Wham, pela mão dos alfacinhas In Her Space, um dos projectos nacionais mais interessantes que os últimos anos viram nascer (para além dos fantásticos Quinteto Tati, Vírgula, claro...). Tenho em "demo", pirateadíssima, mas imagino que ao vivo ganhe um outro colorido. Na FNAC encontram o único registo oficial dos "Sigur Ros meets Radiohead" cá do burgo, ao vivo no Teatro Taborda. Isto sim é música nacional.

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segunda-feira, setembro 20, 2004

Tiranossauros, brontossauros e um alemão abichanado.

Mais uma das invenções geniais da SIC no combate à supremacia da TVI em produzir lixo televisivo, eis que surge a Gala do Rock. Propósito? Enaltecer o rock português, desde os seus primórdios até... enfim, aos seus primórdios. Evito o zapping, e aguardo, espectante, o desfile do cetácio. O genérico promete - GNR, UHF, Heróis do Mar, Delfins, Xutos, Da Weasel (só para despistar) e mais umas quantas aves raras com uma coisa em comum - nenhum deles soube sair no auge, arrumar as botas e abrir um restaurante vietnamita ou uma oficina de recauchutagem.

Quando dou por mim a pensar "bem, pior é impossível", é mentira - a gala é apresentada pelo ex-humorista, actual anedota abichanada ambulante Herman José. Bonito, bonito, penso eu. Mas a coisa melhora - provavelmente por causa da coca, o Krippaldi dá-lhe para fazer umas perguntas alucinadas aos convidados, sem ponta de graça, enquanto pavoneia a sua camisa com reflexos brilhantes, por entre um número da Broadway da Musgueira e o próximo.

Nisto, estou eu francamente aziado, provavelmente por causa do almoço, mas, a esta altura do campeonato, sabe-se lá. A caminho do botão "off" do comando, entram Miguel Ângelo e Fernando Cunha em cena, a cantar em versão acústica "Um Lugar Ao Sol". Sem kompensans em casa e com a farmácia de serviço a uns quilómetros de distância, desespero. Enfim, nada que uma cura de desintoxicação intensiva de Ornatos Violeta, Clã, Stowaways, Alla Pollaca, Gomo, Bullet ou Sam The Kid não resolva. Rock português assim? Obrigado, mas faz-me mal à vesícula.

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domingo, setembro 19, 2004

Ida e volta?

No ano em que terminei a faculdade, tomei uma decisão: conhecer, ajudar, receber e dar. Rumo ao desconhecido, às raízes de um povo que é também parte de nós, ao terceiro país mais pobre do mundo e onde acreditava poder fazer uma diferença - Matola, subúrbio de Maputo, Moçambique. Dois meses da minha vida em que percebi que nada podia fazer para resolver uma problemática estrutural, enraízada mais fundo que as raízes dos chopos que ombreiam o serpenteante Incumati. Dois meses em que, de facto, dei, mas recebi infinitamente mais em troca. Para além das recordações, em formato de memórias e não só, trouxe as imagens. Esta captei-a no avião, na madrugada da partida, quando Moçambique era uma estatística a 11.000 km de distância.


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Play it again, Brad.

É das peças de "memorabilia" que guardo com mais afeição, porque me foi entregue pelo próprio, com quem troquei meia dúzia de palavras, porque pertence ao meu pianista favorito, porque sempre que o encontro na caixa de sapatos onde habita me recordo de uma noite memorável, irrepetível, mágica.

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quarta-feira, setembro 15, 2004

Sala 1,

Suspeito que o Paulo Branco testa o verdadeiro amor dos cinéfilos, a capacidade de imersão que é exclusiva de um certo cinema, a resistência à lombalgia de uma grávida de quatro meses e meio. Por muito bom que seja o filme, não consigo deixar de pensar no dono da sala cada vez que me sento numa cadeira do King.

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Aqui me confesso,

Eu não me importava nada de ver a Madonna em palco. Importava-me era de pagar 60 euros pelo bilhete.

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Desejos pré-natais (3),

Afinal há mais um blogue feito em torno de uma barriga que já foi grande que agrada à parte grávida e impertinente deste canto. Quando o que por aqui cresce for maior, quero blogar assim.

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Para não chorar.

Já sabes aquela da justiça portuguesa? Bem, é de morrer a rir, méne...

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terça-feira, setembro 14, 2004

Memórias de um nariz.

Desde que me lembro de mim que me lembro de ter um olfacto muito mais apurado do que será normal ou mediano. Os cheiros (odores parece-me demasiado pejurativo, aromas soa-me a elogio sem o ser) desde sempre me afectaram mais do que a maioria das impressões. Considerado uma benção por uns e um fardo por outros, a verdade é que este excesso de sensibilidade tem mais do último, do peso dos cheiros desagradáveis, por serem incómodos ou, sobretudo, indesejados. Falo, claro, dos cheiros que desencadeiam memórias - doces, amargos, frutados, florais, intensos, suaves, ténues, agressivos mas sempre, sempre, memórias. Ao final do dia, só sonho em poder respirar e sentir o cheiro por que mais anseio - o da ausência.

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Madrid me mata.

Numa noite sem vento, a criatividade e o engenho de um homem estátua madrileno (muito de homem e muito pouco de estátua) prenderam-me a atenção e o botão de disparo.


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segunda-feira, setembro 13, 2004

Adeus, Vera,

Menos dia e mais noite, está aí o novo equinócio. O verão voou por aqui (o melhor ainda está para vir, quando for outono neste hemisfério e praia nos aguardar, ainda, vazia, num deserto estival reservado para outubro). Durante quanto tempo nos vamos lembrar que 2004 foi o ano do Aloe Vera na publicidade (nos detergentes, nos iogurtes, nas lâminas de barbear, nos telemóveis... nos telemóveis?!)? Quanta clorofila há ainda por descobrir, depois do chá verde que deixámos no ano passado e do cacto multi-usos que agora nos abandona?

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Desejos pré-natais (2),

À medida que a barriga cresce descubro uma nova internet, uma nova blogosfera, a das mulheres grávidas, em vias de, ou que ainda há pouco o eram. Já foram úteis, uma vez por outra, esses sítios dominados por fraldas sujas, ciclos de sono, depressões pós-parto e maridos ao largo. Um novo desejo apodera-se de mim: que este blogue não se infantilize demasiado depois de Fevereiro. (É que é impossível superar a graça da Maria e da sua mãe. Além disso, devemos aos nossos leitores não lhes revelarmos os pedaços da nossa vida com menos de seis anos de idade mental.)

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sábado, setembro 11, 2004

Sim, pagam-me para isto (II).

Para descontrair do tremendo stress que é lidar com prazos, clientes e egos, deu-nos para experimentar os prazeres terapêuticos do tiro ao alvo. As armas funcionam com uma mola, disparam bolas plásticas (vagamente) infensivas e são perfeitas como resposta a um "isto hoje parece-me que têm aqui noitada", ou "pois, o cliente mudou de ideias e esqueceu-se de nos avisar" ou mesmo "olha, o cliente adorou, amou mesmo, mas decidiu investir o orçamento de comunicação em dois balões de ar quente que vão sobrevoar Alverca". O culto foi crescendo e agora estamos no nível conhecido como "A Escalada Da Violência". Ao reunirmos as armas, não pudemos deixar de reparar na imagem vagamente familiar que evocavam...


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Sim, pagam-me para isto (I).

Lá na agência trabalhamos a conta de um determinado partido político (cuja sigla começa por "P", termina em "D" e a letra do meio é "S"), sobretudo no círculo açoriano. O líder do dito é o senhor que vêem na imagem (uma parte dele - a outra metade pertence a este amigo) e ontem levámo-lo a passear pelas instalações. É como dizem os analistas - a política faz-se no dia-a-dia.


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La mala educación.

Raisparta do puto que nunca mais nasce, que é para o Tio Ponto lhe oferecer um destes.


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Quantos dias tem uma data,

Há um aniversário que comemoramos hoje sem vergonha.

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sexta-feira, setembro 10, 2004

Felicidade conjugal,

É podermos ter um editor privado dos nossos postes: exímio caçador de gralhas, dedicado amante, pai desmedido.

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À mesa com um leitor (um poste que também agradece),

Há um rapaz que lê este blogue (e muitos outros que interessam muito mais) e me ofereceu anteontem um feliz almoço no pátio. Perguntaram-me pela estranheza de um encontro com alguém que primeiro se conhece on-line. Bem, é verdade que não sou propriamente virgem em blind dates electrónicos, mas o segredo da refeição, tenho a certeza, foi a dose de intimidade: nem por defeito, nem por excesso.

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Desejos pré-natais,

De repente, uma imensa vontade de blogar. Que se satisfaça, não me saia o filho com cara de chaveta, como o antigo template.

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Parece que é, mas não é,

O meu principal emprego parece ser o de livreira. Na verdade, vendo canetas, jornais (com toda a espécie de coleccionáveis que os acompanham) e porta-chaves de peluche. Este blogue parece que é escrito por um Ponto e uma Vírgula. Acontece haver por cá um irónico Ponto que por aqui passa do melhor da sua prosa e imagética, e uma Vírgula que, volta e meia, passa por aqui a dizer que está de saída. Invertendo: estou grávida, não enjoo, não durmo demasiado, raramente me dão o lugar no autocarro. A pergunta de hoje é: vale mais sê-lo ou parecê-lo? (Não espero respostas, nunca espero.)

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Ao vivo e a cores.

Voltámos às imagens, a cores, a preto, a branco e a tudo o que cabe aqui no meio. Para re-inaugurar a secção, uma trip narcisista. Indulge me.



Nota: Para todas as formosas senhoras que me julgavam alto e espadaúdo, algures entre a estatura nórdica e o perfil grego, lamentamos imenso, mas a vidinha é mesmo assim.

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Opus nocturnus.

Passo de carro numa das zonas nobres de Lisboa, no enclave "Av. de Roma-Entrecampos", mais conhecida por Av. dos Estados Unidos da América. São séculos de história que espreitam por detrás de cada esquina sombria, cada janela semi-cerrada, cada prédio degradado, cada jardim votado ao abandono. É nestas deambulações de uma nocturna poesia que me ocorre: para quando a legalização do napalm?

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Sentido obrigatório.

O Nuno é o maior. Para além de ter uma relação com a música de um bom gosto inexcedível (e uma colecção de CD's correspondente, o que muito me apraz), e de emprestar o seu talento a uma publicação de referência, o Nuno é também as mãos e a alma por detrás das Estradas Perdidas, um blog que, para perdido, está muitíssimo bem achado. Se não, espreitem só:

"Atrás de casa, encoberta por tufos de erva daninha, silvas e bidões abandonados, o comboio de janelas iluminadas vinha das Quintãs e silvou depois do túnel em curva, em direcção a Aveiro. Ali ao lado há uma estrada, a minha primeira estrada. Mulheres e homens cruzam-na impelindo teimosamente os pedais das bicicletas. Junto à vitrine de um pronto-a-vestir lê-se "Modas Katita". De uma taberna, saem dois homens que se dirigem para duas Famel-Zundapp. Estrada perdida."

Favorites, favoritos, links, já.

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quarta-feira, setembro 08, 2004

Lápis azul.

A netcabo decidiu (ou o windows, ainda está por determinar) retirar a esta metade do blog a capacidade de colocar imagens online. Resultado: andamos assim, a sopas de letras até a situação estar normalizada. A julgar pela pronta resposta e servil postura dos técnicos da supra-citada instituição, um pontapé nas fuças deve resolver a questão.

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terça-feira, setembro 07, 2004

Iniciações,

A primeira gravidez, o primeiro casamento, a primeira imagem no blogue. Que mais me reservará este ano de 2004?

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O senhor não é nada tolo,

O bom blogger português orgulha-se de ter postado pelo menos uma vez contra o inimigo oficial da blogosfera, Pedro Rolo Duarte. A verdade é que ninguém parece ter dado conta do que postou este senhor (ó, para onde lincá-lo?) nas suas últimas impressões digitais: engoliu as palavrinhas todas (sic) que escreveu sobre esta gente. E, diz ainda, isso não passa da entrada, o prato principal é uma nova cronista no suplemento que dirige, born out of the blogs. Espero, curiosa, pelo petisco.

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Parecença ocultada,

O Ponto nem sempre conta a história toda. Venho aqui apenas para completar os factos. Porque neste blogue somos pela máxima aproximação à realidade, eis o sósia renegado pelo senhor aí de cima:

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segunda-feira, setembro 06, 2004

Conta-me uma história, Daniel.

Por obra e graça de um amigo, deparo-me com um dos mais fascinantes livros dos últimos anos, "Uma viagem a S. Petersburgo", um relato livre de uma viagem à dita mátria russa, contado em palavras manuscritas, fotos 6x6 e colagens, muitas, num livro de papel pardo com edição limitada dos Encontros de Fotografia de Coimbra. O génio por detrás da obra, Daniel Blaufuks, um dos fotógrafos portugueses mais considerado fora de portas e um talento absolutamente fora de série no argumento impresso em papel foto-sensível. É que cada instantâneo de Blaufuks conta histórias com anos e anos de histórias por contar. Intrigado, descubro o contacto do fotógrafo que, na impossibilidade de me vender um exemplar do tal diário (esgotadíssimo), enviou-me um outro conjunto de imagens suas, de uma Lisboa revista de Pessoa a Saramago.
Hoje, visito regularmente o Daniel em http://www.danielblaufuks.com/, a sua morada fixa enquanto tudo o resto gira - Lisboa, Nova Iorque, Telavive, Berlim. Dêem lá um pulinho. A porta está sempre aberta e vão ver como a casa está mais acolhedora do que nunca.

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Quem vê caras.

Reza uma das muitas teorias universais que o mundo está repleto de sósias nossos, com maior ou menor grau de semelhança, mais ou menos bem sucedidos na vida (a grande maioria tem projecção pública, o que permite a comparação). Os meus sósias (ou melhor, vagas semelhanças), acreditando nas várias dezenas de pessoas que o afiançam, são Hugh Grant (aqui pecam por excesso) e Ben Stiller (aqui por defeito). Com base em tamanho cruzamento (qual melancia sem caroços, qual quê), imaginem o pior de um (o primeiro) e o melhor do outro (o segundo) e têm uma vaga ideia daquilo que não sou. Hugh para uns, Ben para outros, Ponto para os amigos. O prazer é todo meu.

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Afinal somos do norte da Europa.

O grau de civilização de um povo mede-se não pelo funcionamento do seu sistema social, nem pela esperança média de vida dos seus espécimens, mas acima de tudo, e sem qualquer sombra de dúvida, pelo número de FNAC´s por quilómetro quadrado.

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quarta-feira, setembro 01, 2004

Das tripas, medúla.

Quando tudo parecia estagnado, esta senhora voltou da sua casa de campo a 30 km do coração de Nova Iorque e ofereceu-nos as suas entranhas, sob a forma de uma obra musical de puro génio - "Medúlla" é carne, músculos, sangue, mas também a aridez das planícies geladas; é ritmo sem percussão, é melodia sem instrumentos: é um monumento enorme erigido à voz, às vozes que em "Medúlla" começam e que em nós continuam. Orgânico, físico, repleto de cheiros e sabores, música para (e em) todos os sentidos. Speechless.


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